Política
Sérgio Moro depõe neste sábado às 14h na Polícia Federal em Curitiba
Ele vai falar em inquérito aberto pelo ministro Celso Melo, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da Procuradoria Geral da República após acusar o presidente de tentar influenciar investigações na Polícia Federal
O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, depõe hoje às 14h em Curitiba no inquérito aberto pelo Supremo Tribuna Federal a pedido da Procuradoria Geral da União para apurar as acusações que fez contra o presidente Jair Bolsonaro, sem partido, ao pedir demissão e deixar o governo. Será na sede da Polícia Federal. Estava previsto inicialmente para às 11h. Três Procuradores da República vão acompanhar a audiência.
Ao deixar o governo, dia 24 de abril, o então ministro disse que estava saindo porque não teve a autonomia prometida para gerir o Ministério e que o presidente da República tentava interferir politicamente na Polícia Federal. Naquele dia Bolsonaro demitiu o diretor geral da PF, Maurício Valeixo e nomeou o chefe da Agência Brasileira de Inteligência, Abin, Alexandre Ramagem Rodrigues. Sérgio Moro tentou impedir a demissão, mas o presidente foi irredutível. Ele ficou sabendo pelo Diário Oficial da União.
Em entrevista que está na última edição da Revista Veja Moro afirma que vai apresentar provas do que diz às autoridades.
Bolsonaro quer um amigo na PF
Segundo o ex-ministro, Bolsonaro queria colocar no cargo um delegado amigo pessoal dele e de seus filhos que são investigados em inquéritos que correm em Brasília e no Rio de Janeiro. O inquérito em Brasília foi instaurado pelo Supremo, é conduzido por quatro delegados federais e presidido pelo Ministro Alexandre de Moraes. O presidente da corte, Dias Tófoli foi quem deu a ordem para que ele fosse iniciado. Apura de onde partem ataques contra o STF, seus ministros e o Congresso Nacional. Teriam o objetivo de desestabilizar as instituições democráticas.
O outro, no Rio, tenta saber se o atual senador Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual, promoveu um esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa. Essa prática é a divisão e apropriação de uma parte dos salários dos funcionários do gabinete para proveito próprio ou para caixa de campanha política. O chefe do esquema seria o ex-militar Fabrício Queiroz. No entanto, Queiroz afirma que o dinheiro era para contratar informalmente mais funcionários e ampliar a base política do deputado.
A publicação no Diário Oficial com a demissão de Valeixo tinha a assinatura de Sérgio Moro e dizia que ela foi à pedido. O ex-ministro disse que não assinou a portaria, que não foi informado e que o ex-diretor não pediu demissão. O cenário ficou pior quando Moro apresentou provas do que dizia ao Jornal Nacional, da TV Globo. Prints com mensagens trocadas com Bolsonaro e a deputada federal Carla Zambelli, PSL, mostravam que o presidente tentou retirar Valeixo após ler um site de notícias informando que entre 10 a 12 deputados bolsonaristas estavam sendo investigados. Em outro trecho, mostrava que Moro recusou trocar a nomeação como ministro do Supremo Tribunal pela demissão do subordinado.
Crise Institucional
A conjuntura tomou proporções de crise institucional quando o ministro Alexandre de Moraes proibiu a posse de Alexandre Ramagem e o presidente Jair Bolsonaro foi obrigado a publicar um decreto cancelando a nomeação. Ramagem é amigo pessoal de Bolsonaro desde a campanha eleitoral. Ele foi nomeado chefe de sua segurança e se aproximou da família e dos filhos do presidente. Dormia na casa dele e participava de reuniões e festas da família.
No dia seguinte à decisão de Moraes, o chefe do poder Executivo chegou a declarar que a decisão de Moraes quase causou uma crise institucional. Ele falou que foi por muito pouco que isso não aconteceu. Não deu maiores detalhes. A decisão de Moraes foi tomada após o próprio presidente, em discurso na tarde do dia 24 em que Moro se demitiu, referendar as afirmações do ex-ministro na sua despedida. Ele disse que queria um diretor geral da Polícia Federal amigo para obter informações de inquéritos que lhe interessavam. Com Valeixo, isso não aconteceu. O presidente revelou que interferiu em investigações da PF no Rio quando foi acusado de ter ligações com os acusados pelo assassinato da vereadora do PSOL, Mariele Franco.
“Estão orquestrando um golpe”
A Polícia Federal é um órgão do Estado e que cumpre regras estabelecidas na legislação ordinária e na Constituição Federal. Ela não deve satisfação ao presidente, mas ao regramento jurídico nacional. Os apoiadores do presidente afirmam que Moro é um traidor por fazer as declarações que fez. Os funcionários públicos obedecem à Lei e não à ordens que possam afrontá-las. Caso contrário, cometem crime. Desde ontem, sexta-feira, após o anúncio do depoimento do ex-ministro, os apoiadores do presidente usam as redes sociais para dizer que as declarações do ex-juiz são parte de uma conspiração do judiciário que está sendo orquestrada contra Bolsonaro. A deputada federal Bia Kicis acusa diretamente o Supremo de fazer parte dela. O depoimento foi determinado pelo ministro Celso Melo.
O depoimento estava originalmente marcado para às 11h desse sábado. A jornalista da Globonews e do jornal O Estado de São Paulo, Eliane Cantanhêde, revelou que o horário divulgado não era o verdadeiro. Teria sido um ardil para despistar a imprensa. Na verdade, oficialmente, está marcado para às 14h.
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