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Valdomiro teme paralisação de obras

Em entrevista exclusiva à Gazeta, prefeito de Rio Preto diz que revisão de contratos não o incomoda tanto quanto a possibilidade de obras emperrarem

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Três dias antes de despedir-se de do cargo que ocupou nos últimos oito anos, o prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes (PSB), concedeu entrevista exclusiva à Gazeta. O chefe do Executivo local fez um balanço sobre os dois mandatos, falou sobre a transição do atual para o futuro governo e a respeito do que espera do próximo prefeito. Na avaliação dele, as obras antienchente erradicaram o problema nas avenidas Andaló e Bady Bassitt. Valdomiro admitiu ainda que os buracos nas ruas continuam sendo um sério problema para os rio-pretenses. Confira abaixo a entrevista completa.

 

Gazeta de Rio Preto – Foram oito anos de governo. Creio que o senhor tenha seu próprio balanço sobre esse período. Qual o legado deixado pelo senhor ao cidadão rio-pretense?

Prefeito Valdomiro Lopes – Acho que o balanço é positivo. Conseguimos fazer o enfrentamento de graves problemas que desafiavam os governos, um após o outro, há mais de trinta, quarenta anos, como as obras antienchentes que era uma verdadeira tortura, principalmente na área central. A avenida Alberto Andaló está cem por cento pronta e quando a Bady Bassitt ficar pronta vai acabar com esse problema nessas regiões. Agora, é preciso que se faça, ano a ano, a manutenção dessas obras. Limpar os canais, os piscinões e as barreiras de contenção. Se você não fizer essa limpeza, a eficiência da obra não se sustenta, porque a enxurrada vem com sujeira e com terra. Por isso é necessária a manutenção nas barreiras e nos canais dos córregos Borá e Canela. Quando ficar pronta a avenida Bady Bassitt ficará controlada essa questão.

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Gazeta – O senhor afirma que a ocorrência de enchentes é um problema resolvido?

Valdomiro –  Nas regiões onde foram feitas as obras, sim. Ainda vão ficar as enchentes na avenida Murchid Homsi, em algumas avenidas da região norte e na continuação da calha do Rio Preto. Estamos deixando projeto pronto para mais três quilômetros de obras na continuação do Rio Preto. Nós também fizemos o enfrentamento da questão habitacional. Eu só não estou entregando as mil e trezentas casas do Solidariedade por uma decisão minha, de não entregar, uma vez que a obra foi feita por uma construtora diferente daquela que fez as outras e tinha alguns detalhes que precisava arrumar e eu não abri mão disso. Outra questão importante foi a área da Saúde. Nós fizemos muitas unidades novas – foram três Upas, oito UBSFs e o Sae – e reformamos e ampliamos 11 UBSs, o Centro de Atendimento à Saúde da Mulher, onde fizemos mais de mil diagnósticos precoces de câncer de mama e câncer de colo de útero. E ainda tem o Complexo Pró-Saúde, que inaugurei a parte que está pronta, que é o Hospital Dia, mas já deixei dinheiro no Orçamento – R$ 7 milhões – para que o próximo governo compre um equipamento de ressonância magnética. Lá é um centro de múltiplos serviços de tratamento de idosos e diferentes tipos de diagnósticos, em uma área de quatro mil e duzentos metros quadrados. Na educação, construí 22 escolas, sendo 20 já entregues, entre escolas infantis e fundamentais e duas que estão em construção.

Gazeta – O senhor destacou a atuação do seu governo na área da Saúde. Durante seus dois governos ocorreram três epidemias de dengue. Como o senhor avalia isso?

Valdomiro – Foram epidemias graves, sérias. Na verdade, as pessoas imputam muito ao poder público a culpa dessas epidemias, mas, na verdade, está mais do que demonstrado que 90% dos focos de criadouros do mosquito transmissor estão dentro das casas das pessoas. Se as pessoas não se conscientizarem de que elas precisam combater o mosquito, ele nunca vai ser controlado. Eu tenho impressão que em Rio Preto já houve um avanço muito grande, tanto que o nosso índice de mosquito, o chamado índice Breteau, caiu bastante.

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Gazeta – O senhor deu início a um grande Plano de Mobilidade Urbana, mas a maioria das obras ainda está em curso. O senhor acredita que o próximo governo vai tocar essas intervenções com entusiasmo?

Valdomiro – Tenho certeza absoluta, porque nós deixamos todos os projetos prontos e aprovados e reservamos o recurso. O Plano de Mobilidade vai ser um dos ícones da cidade de Rio Preto. O viaduto que dá acesso a João Mesquita, por exemplo, é fundamental nesse plano e já está em fase de colocação das vigas. Ele será um corredor para tirar todos os ônibus daquele miolo no início da rua Pedro Amaral, descongestionando aquele local. Além disso, ele vai dar agilidade, junto aos terminais nos bairros, na rodada dos ônibus. Deixei pronto também o projeto do viaduto da Capitão Faustino, que vai passar por cima da Ernani Pires Domingues, dando acesso à Domingos Falavina e à Mirassolândia. O projeto está pronto. Só falta licitar. Isso sem falar da legalização dos loteamentos irregulares e da pista de atletismo do Eldorado que foi licitada agora e será remodelada todo aquele centro esportivo. Eu torço muito para que o governo do prefeito Edinho dê certo, porque dando certo o governo dele, vai estar complementando as obras que demos início nesse segundo mandato.

Gazeta – Qual nota o senhor daria para o governo Valdomiro Lopes?

Valdomiro – Eu acho que político não deve dar nota nem para si, nem para o seu governo. Quem dá a nota são as pessoas. Eu acho que, na minha primeira prova, eu fui aprovado cem por cento, que foi a reeleição. Nós fomos eleitos, no primeiro turno, com mais de 60% dos votos. E a segunda nota, quem vai dar? É o tempo. As pessoas vão comparar o nosso governo com outros governos, com outras ações. Deixo uma prefeitura bem estruturada, financeiramente equacionada. Quando eu assumi, em 2009, eu peguei um orçamento de R$ 660 milhões e estou entregando agora a R$ 1,8 bilhão, o que significa praticamente três vezes o valor inicial. Investimos muito na Educação e na Saúde. Triplicamos os investimentos na Saúde e na Educação. Fomos o governo que mais concurso público fez sem, contudo, comprometer as finanças do município. Nosso funcionalismo está muito longe de ser comparado com o funcionalismo de outras prefeituras que comprometem muito da sua arrecadação. Não chega a 30% dos impostos arrecadados o que a gente gasta com o funcionalismo. Só na Saúde, nós contratamos 700 servidores novos. Na educação, a mesma coisa. Sem fazer críticas a nenhum governo que passou, mas já fazia onze anos que não havia nenhum concurso para a Educação. Nós fizemos os concursos novos para a Educação e também contratamos um número expressivo de professores – foram contratados 521 professores, entre 2009 e 2016.

Gazeta – Uma reclamação constante da população rio-pretense são os buracos nas ruas e avenidas na cidade. O senhor chegou a criar uma usina de asfalto para atacar esse problema e houve recentemente um mutirão de recapeamento na cidade, mas o problema persiste, principalmente na região norte. O seu governo deixa algum planejamento para seu sucessor enfrentar essa grave situação?

Valdomiro – Sobre os buracos, eu fiz o enfrentamento deles. Mas o que acontece é assim: Rio Preto hoje, realmente, convive com esse problema dos buracos. Não é um problema só da cidade. As grandes cidades no Brasil, todas tem esse problema. Mas isso foi falta de um planejamento lá atrás. Há mais de 40 anos não se fazia um projeto de controle de qualidade do asfalto em Rio Preto. Quando eu entrei, eu montei a nossa usina de asfalto, que já recapeou muito. Onde foi recapeado, você pode ver que há um asfalto de boa qualidade, porque ele dura, 8, 10, 12 anos, dependendo do volume de tráfego que passa pelo local. E agora, eu iria fazer um grande avanço no recapeamento. Tanto que eu arrumei praticamente R$ 10 milhões em um empréstimo da Nossa Caixa Desenvolvimento e ia pôr mais R$ 1 milhão e pouco da Prefeitura, somando R$ 11 milhões. Fiz uma licitação há mais ou menos seis meses atrás. Esse dinheiro, somados aos 42 quilômetros dos corredores de ônibus, teria capacidade para recapear mais de 100 quilômetros de ruas. Mas, infelizmente, até hoje está na Justiça a disputa entre as empresas que participaram da licitação e vai cair isso no colo do prefeito Edinho, com o recurso já pronto para que, já no início do governo dele, ele possa fazer uma série de recapeamentos.    

Gazeta – Estão sendo construídas plataformas nos pontos de ônibus. Isso é uma intervenção indispensável?

Valdomiro – Isso faz parte dos corredores. Os corredores são recape específico, são 42 quilômetros, e nas paradas de ônibus, para que não aconteça mais esse negócio de fazer buracos, é construída uma plataforma de 30 centímetros de espessura e um comprimento para que possam parar dois ou três ônibus na sequência sem comprometer o asfalto. E além dos 42 quilômetros de corredores, nós vamos ter 100 quilômetros de calçadas novas. Serão 111 pontos de ônibus novos e semáforos todos novos nos corredores. Enfim, é um grande avanço esse negócio da mobilidade urbana.

Gazeta – O prefeito eleito, Edinho Araújo, disse que vai revisar todos os contratos da Prefeitura que estiverem ainda em execução. Isso preocupa o senhor?

Valdomiro – Não, não, de forma nenhuma. Ele pode revisar todos os contratos. A única preocupação que fica disso é que eu acho que não se deve paralisar as obras. E por que não? Porque obra cara é obra parada. Se ele der continuidade nas obras que já estão em andamento e nas novas, eu tenho a impressão que, em dois anos ou dois anos e pouco, ele consegue terminá-las. Se houver uma paralisação, às vezes, nem com os quatro anos do governo dele, ele vai conseguir fazer.

Gazeta – Como o prefeito eleito, que também é deputado federal, assume o comando do município neste domingo, Rio Preto deixa de ter um representante na Câmara Federal. Daqui a dois anos haverá nova eleição. O senhor tem pretensão de assumir esse espaço político?

Valdomiro – Pode ser até que aconteça de eu ser candidato a deputado. Hoje, eu vou dizer para você que eu sou candidatíssimo a ficar com meus filhos, com minha esposa e com a minha neta, porque eu estou em débito com eles. Foram oito anos com um pouco de ausência em relação à família. Mas eu vou continuar militando na política. Eu sou da executiva nacional do PSB, que é o meu partido.  Eu não vou deixar de militar na política, agora, candidatura, é muito cedo para pensar nisso.

Gazeta – Existe a possibilidade de o senhor assumir algum cargo no governo Alckmin?

Valdomiro – Eu, inclusive, cheguei a ser convidado, para assumir alguns cargos em São Paulo pelo nosso líder, Márcio França, mas eu sinceramente não quero. Eu quero agora, primeiro, descansar. Foram oito anos de prefeito e eu nunca trabalhei tanto na minha vida. Nunca me dediquei tanto a uma ação como essa de ser prefeito. Eu trabalhei muito fortemente. Então, na verdade, você fica querendo ter um respiro para você poder realinhar as coisas.

Gazeta – Após esse descanso, o senhor pensa em disputar novamente a Prefeitura de Rio Preto?

Valdomiro – Não, eu não penso em ser prefeito de novo, mas acho que é muito cedo para pensar em candidatura. Agora é hora de parar, refletir e avaliar tudo que nós fizemos.

Gazeta – O fato de o senhor não ter conseguido eleger como seu sucessor o deputado estadual e colega de partido Orlando Bolçone é uma frustração no final do governo?

Valdomiro – Lógico que eu gostaria que o Bolçone tivesse ganhado a eleição. Eu o apoiei fortemente. Acho que ele seria um bom prefeito, mas a gente tem que respeitar a vontade das pessoas. A vontade das pessoas foi de que voltasse o prefeito Edinho e eu torço para que dê certo o governo dele. O governo dele dando certo, vai estar dando certo também o meu, porque ele vai ter que dar continuidade a tudo isso que nós começamos.

Gazeta – E qual é a relação política do senhor com o prefeito eleito?

Valdomiro – Nós estamos em campos separados. Ele é do PMDB, eu sou do PSB, mas nós fizemos uma transição muito boa. Nós estamos em partidos separados, mas nós abrimos as portas da Prefeitura para que ele pudesse ter todos os números. Aliás, Rio Preto é um exemplo de administração, tanto que nós ganhamos prêmios na sequência desses oito anos. O maior deles eu recebi recentemente. Foi o prêmio Mérito Brasil de aplicação dos recursos públicos federais e boas práticas na aplicação do dinheiro público. O prêmio foi entregue a mim das mãos do presidente do Tribunal de Contas da União na presença do presidente Michel Temer.

Gazeta – A Prefeitura que o senhor pegou das mãos de Edinho em 2009 é diferente da que o senhor vai entregar para ele agora?

Valdomiro – Vou devolver uma prefeitura muito maior e espero que ele a deixe maior ainda. Rio Preto é uma cidade muito grande. No nosso governo, as últimas três avaliações da Firjan, nós fomos a segunda melhor cidade do Brasil em qualidade de vida. Na última avaliação, nós fomos, além de segunda melhor do país, a primeira colocada no estado de São Paulo para se viver. E nesse prêmio Mérito Brasil, que quem ganhou foi a cidade e não o prefeito, obviamente, nós fomos a melhor cidade da região Sudeste do Brasil. O fato de a gente ter sido escolhido deixa a gente muito feliz. No momento em que todo o país passa por uma crise, você receber um premio desses é uma coisa de Deus.

Gazeta – O senhor tem candidato para presidente da Câmara?

Valdomiro – Não tenho. Nunca tive, nem quando era prefeito. Na nossa coligação, vários vereadores foram eleitos. Quando eles vêm conversar comigo, eu tenho sugerido a eles que apõem o prefeito Edinho nas ações boas para a cidade. Eu digo a eles que não devem ficar na oposição, porque é importante a Câmara trabalhar junto ao Executivo, para que todos puxem para o mesmo lado, na mesma direção. Rio Preto deu certo nos nossos dois mandatos, porque nós tínhamos o apoio da Câmara.

Gazeta – O senhor participará da posse do prefeito eleito no domingo?

Valdomiro – Vou fazer a transmissão do cargo. Vou me restringir a isso.

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