Cidades
Velório e enterro de pilotos são marcados por emoção e tristeza
Familiares, amigos e colegas de profissão acompanharam os velórios e se despediram dos pilotos Antônio Viçoti, 67 anos, e Henrique Cardoso, 37, na manhã desta terça-feira (dia 2) no cemitério Jardim da Paz em Rio Preto
Em clima de grande comoção, familiares, amigos e colegas de profissão acompanharam os velórios dos pilotos Antônio Viçoti, 67 anos, e Henrique Cardoso, 37, na manhã desta terça-feira (dia 2) no cemitério Jardim da Paz, em Rio Preto. Os dois tripulantes estavam na aeronave que caiu na noite do último domingo (31) entre os municípios de Londrina e Cambé, no Paraná, e matou oito pessoas.
Vinicius Figueira Viçoti comentou sobre a paixão que seu pai sentia pela aviação. “Era a vida dele, voava há mais de 40 anos. Um piloto extremamente profissional, cuidadoso e metodista. Tive a oportunidade de ouvir as gravações da conversa entre a torre e meu pai momentos antes da queda e era nítido o autocontrole dele. Mesmo depois de declarar emergência. Ele tinha ciência que algo estava errado e mesmo assim manteve a tranquilidade para não apavorar os passageiros. Mas infelizmente ele não conseguiu pousar e nos deixou fazendo que o que mais amava na vida, que era voar” conta.
A tia de Henrique, a empresária Carmen Magno Regino, também falou da dedicação de esforço do sobrinho para ingressar na aviação.
“Ele tinha uma empresa e sem comunicar a família, vendeu tudo para investir na carreira de piloto. Fez todos os cursos e conseguiu o brevê sem ajuda de ninguém. Ele chegou onde estava graças a sua fé, esforço e dedicação”.
A paixão pelas aeronaves vinha desde a infância. “Quando o Henrique estava na quarta série, ele participou de um concurso de redação e a dele foi eleita a melhor. O tema era sobre ser piloto. No dia do acidente ele estava em Cuiabá, cidade onde moro, e almoçamos juntos. Eu ainda brinquei com ele dizendo que não gostava muito de aviões e sentia medo. De imediato ele respondeu que ele apaixonado por tudo aquilo e gostava muito de voar” conta a tia.
Rodrigo Cunha conheceu o Henrique no aeroclube de Rio Preto durante o curso de piloto privado e, no pequeno período em que conviveram juntos, disse admirar a dedicação do piloto.
“O pouco que eu conheci do Henrique, ele se mostrou uma pessoa extremamente religiosa, família e dedicado. Ele voava em Santarém e voltou para Rio Preto para morar com a família. Abandonou tudo naquela região para voltar, pois a família estava precisando da presença dele. Mesmo sabendo do atual cenário econômico, e que muitos pilotos na cidade parados, ele não pensou duas vezes e veio para ajudar a família” conta.
Cunha também conta que Henrique foi convidado para voar junto com Antônio. “Ele foi convidado para fazer o voo junto com o Viçoti. Como ele tinha todas as carteiras e estava apto a voar, aceitou o convite e os dois decolaram de Rio Preto na sexta-feira para Cuiabá. O avião estava com a manutenção toda em dia. Os motores estavam com menos de 30 horas voadas” explica Rodrigo.
Vinicius Figueira também comentou sobre as condições das manutenções do avião que seu pai voava.
“A aeronave fez alguns voos de ajustes aqui em Rio Preto antes de seguir para Cuiabá. Todas as manutenções e documentações estavam em dia. O avião foi modernizado e tinha instrumentos de ponta. Foi levantada a hipótese de pane seca (quando aeronave fica sem combustível), mas isso está totalmente descartada, bombeiros levaram mais de 3 horas para conter as chamas e antes de decolar de Cuiabá, foi feito o abastecimento completo dos tanques do avião”.
Paraná
Peritos do Serviço Regional de Investigação de Prevenção a Acidentes Aeronáuticos (Seripa) V estiveram no local do acidente em Cambé nesta segunda-feira (dia 1) para iniciar as apurações que levaram a queda do Embraer 820 Navajo. Foram coletados dados e destroços da aeronave para ajudar nos inquéritos.
Vale ressaltar que as investigações realizadas pela comissão não tem como função apontar culpados dos acidentes e sim, como única finalidade, a prevenção de acidentes aeronáuticos.
Cabe ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) descobrir os fatores que contribuíram para que ocorre o acidente e que não possa acontecer outra situação nas mesmas circunstâncias futuramente.
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