Política
Vereadores aprovam moções sobre o dia de santa católica, mas rejeitam temas bolsonaristas
Falas da ex-ministra Damares Alves e do presidente Jair Bolsonaro foram debatidas em plenário e defendidas pelos parlamentares
Das quatro moções de autoria do vereador João Paulo Rillo (PSOL) que estavam para votação na sessão da Câmara desta terça-feira (18), em Rio Preto, os vereadores rejeitaram duas e aprovaram duas. Os temas das propostas eram relacionados aos acontecimentos amplamente noticiados na última semana.
A primeira moção votada foi de aplausos a Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida (SP), durante a homília realizada no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, na missa à Padroeira do Brasil, no dia 12.
O clérigo defendeu que os brasileiros exerçam o direito ao voto e citou que atualmente há “muitos dragões”, ou seja, muitos males na sociedade. O arcebispo não citou nenhum político em seu discurso.
Rillo mostrou um vídeo com o discurso do religioso e ressaltou que não houve citação aos candidatos às eleições. “Foi uma fala que mostrou o posicionamento de Jesus Cristo, símbolo da Igreja e da luta contra as desigualdades sociais”, ressaltou.
Católico e defensor da Igreja no plenário, Jean Charles (MDB) foi um dos que votaram contrários à moção. “A homília teve cunho extremamente ideológico e, por isso, sou contrário aos aplausos”, defendeu o vereador.
O texto acabou aprovado por sete votos a favor, cinco contra e uma abstenção. Três vereadores não estavam no plenário no momento da votação.
A outra moção aprovada foi a de repúdio à confusão provocada por um grupo de apoiadores do candidato Jair Bolsonaro (PL), em frente ao Santuário. Pessoas vestidas de verde e amarelo hostilizaram pessoas vestidas de vermelho no dia das celebrações religiosas em homenagem à padroeira do Brasil.
Para o vereador Cabo Júlio Donizete (PSD), as imagens mostram uma reação de um grupo de pessoas ao discurso do arcebispo. “Toda ação gera uma reação. As pessoas não são obrigadas a ouvirem discurso político e ficarem quietas”, disse o parlamentar ao votar contra a moção.
Além de Cabo Júlio, outros cinco vereadores também foram contrários à proposta. No entanto, a moção acabou aprovada por sete votos a favor, com o voto do presidente da Câmara, Pedro Roberto (Patriota). Houve ainda uma abstenção e três ausências.
As moções que foram rejeitadas tratavam especificamente de falas de políticos ligados à direita. Uma delas foi a da ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que relatou supostos casos de violência e abuso contra crianças na Ilha do Marajó (PA), mas não apresentou provas e nem informou as autoridades competentes para que tomassem atitudes.
O placar da votação ficou em três votos favoráveis, 11 contrários, uma abstenção e três vereadores ausentes. Um dos votos contrários foi de Karina Caroline (Republicanos) que justificou dizendo que as propagandas são enganosas. “Me perdoem, mas voto contra porque estão exagerando”, justificou a vereadora.
A outra moção que também foi rejeitada era de repúdio à afirmação do candidato Bolsonaro sobre meninas venezuelanas na comunidade Morro da Cruz, em São Sebastião (DF), sobre ter “pintado um clima” com uma adolescente de 14 anos. Dez vereadores foram contrários e apenas um, o autor, foi a favor. Cinco dos parlamentares deixaram o plenário no momento da votação.
Em relação à ordem do dia, quatro propostas tiveram votação adiada. Entre as que foram aprovadas, está o projeto de lei complementar do Executivo que renomeia funções da Guarda Civil Municipal.
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