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Você sabia que o ferro é essencial para a prática da corrida?

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel

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A natureza ensina que o movimento é salutar para a vida, o movimento conduz a vida. O movimento produz renovação, reciclagem e desintoxicação. As águas se movem, os ventos fluem, as labaredas do fogo liberam calor e os animais correm em busca de alimentos e sua sobrevivência. Dessa forma segue o curso da vida, baseada no movimento, na dinâmica do constante deslocamento.

E o ser humano, como se comporta neste cenário? A realidade é a mesma: as pessoas precisam “correr” atrás dos seus objetivos, dos sonhos projetados, trabalhar em busca de seu sustento. Ainda que basicamente instintiva, esta necessidade de executar movimentos fez com que com as pessoas também apreciassem os movimentos, em busca de plasticidade corporal, condicionamento e melhor controle de seus reflexos.

Todos os tipos de movimentos são fundamentados por sua intensidade e também pelos limites necessários a manutenção de um certo equilíbrio.

O mesmo princípio vale para o movimento físico de um ser humano: quando uma pessoa pratica uma atividade aeróbica, a corrida por exemplo, está sujeita ao confronto entre seu limite físico e suas reservas de fôlego e de nutrientes.

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Ocorrendo um desequilíbrio significativo, podemos verificar que o corredor ou aquele atleta já condicionado começa a fadigar, tendo como um dos fatores um quadro de deficiência progressiva de ferro e das reservas de ferro no seu corpo.

O ferro é um mineral essencial à saúde e necessário a um bom desempenho físico, sobretudo em atividades como a corrida. Está envolvido na produção de proteínas que transportam oxigênio em nosso corpo, como a hemoglobina, presente nos glóbulos vermelhos de nosso sangue e a mioglobina, presente nos nossos músculos.

Em relação aos níveis e reservas de ferro e o desempenho físico numa corrida existem dois aspectos importantes a considerar.

Primeiramente entender que uma pessoa que apresenta deficiência de ferro não conseguirá ter fôlego nem resistência para manter uma atividade de corrida em bom nível.

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A segunda análise é que, dependendo da intensidade e periodicidade da corrida, tal como o padrão adotado em termos de alimentação e suplementação, sabemos que a corrida pode gradativamente causar e agravar a deficiência dos níveis e reservas do ferro.

Seja qual for o ponto de vista, devemos destacar que as pessoas com deficiência de ferro e que praticam corrida, tendem a se queixar de muita fadiga, intolerância às variações de velocidade, problemas na regulação da temperatura do corpo, queda de imunidade e muita dificuldade para se adaptar às situações de estresse.

Uma causa básica da deficiência de ferro pode ser uma alimentação inadequada, frente às demandas energéticas que a corrida impõe. Nem todos os alimentos são ricos em ferro e muitas vezes é necessária uma suplementação rigorosa.

Uma situação que pode comprometer os níveis e reservas do ferro é a existência de algum tipo de sangramento ou hemorragia, pode ser um fluxo menstrual acentuado nas mulheres, pode ser a formação de um hematoma dentro de uma cavidade do corpo ou mesmo um sangramento intestinal ou na urina.

Vamos raciocinar juntos: uma atividade física de grande volume e intensidade como a corrida provoca naturalmente um processo inflamatório em nosso corpo. Este processo inflamatório, por sua vez, pode causar a destruição de glóbulos vermelhos (a chamada hemólise) e irá também exigir maiores reversas de ferro para manter a oxigenação.

Sem uma oxigenação adequada, além da intolerância ao exercício, a pessoa pode começar a desenvolver manifestações cardiovasculares de uma insuficiência cardíaca de evolução progressiva. Outra avaliação fundamental é que, existindo esta destruição dos glóbulos vermelhos, aquela pessoa praticante de corrida passa a conviver com um quadro de anemia.

Assim, vai ficando cada vez mais inquestionável a necessidade de promover alguma modificação ou intervenção, antes que problemas de ordem maior comprometam a saúde deste atleta.

Diante da constatação de importante deficiência de ferro, estando associada ou não com anemia, as principais medidas a serem adotadas seriam: reduzir o volume, carga e intensidade da corrida; rever os hábitos alimentares; buscar ajuda para melhorar a função intestinal; atenção para possíveis hemorragias; e suplementação do ferro.

O principal propósito deste texto jamais será subestimar os valores e vantagens da prática esportiva para o bem-estar e longevidade de qualquer pessoa.

Quanto a corrida especificamente, os benefícios são incontáveis; no entanto, cabe alertar que este tipo de atividade física exige uma rigorosa preparação alimentar quanto às fontes de ferro, como também uma eventual necessidade de suplementação do nutriente, devido ao alto consumo energético.

Procurar ajuda especializada e evitar a automedicação seriam condutas prudentes para evitar ocorrência de anemia e risco de desenvolver insuficiência cardíaca.

Para saber mais sobre a saúde do coração, me acompanhe no Instagram: @edmoagabriel.

Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel​. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago. 

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