Esportes
Rio Preto: a cidade dos campeões
No aniversário de 174 anos, município celebra atletas que conquistam títulos no Brasil e no exterior e levam o nome da cidade pelo mundo
Nesta quinta-feira, 19 de março, São José do Rio Preto completa 174 anos. Apesar de contar com dois clubes tradicionais do futebol — o Rio Preto Esporte Clube, centenário, e o América Futebol Clube, que completou 80 anos em janeiro, a cidade do interior paulista, considerada uma das melhores do Brasil para se viver, continua revelando talentos em diferentes modalidades esportivas.
O Gazeta de Rio Preto conversou com atletas que vêm conquistando títulos e medalhas importantes e que carregam com orgulho o nome do município em competições nacionais e internacionais.
Joana Caroline: talento precoce no patins street
Aos 12 anos, a atleta de patins street Joana Caroline vive um momento de destaque na carreira. Ela conquistou o primeiro lugar na etapa de abertura do Circuito Paulista de Patins Street, realizada no Ginásio Fioravanti, em Guarulhos, estreando na categoria Junior Feminino Profissional e dando o primeiro passo rumo ao tricampeonato estadual, após os títulos conquistados em 2024 e 2025.
Em 2026, Joana também venceu o Proroller Contest, em janeiro, e garantiu o terceiro lugar no Winterclash, uma das competições mais tradicionais do patins street mundial, disputada na Holanda. Outro avanço na carreira foi a confirmação no time da marca Echo Skates, que passou a patrociná-la oficialmente nesta temporada.
O próximo desafio será nacional: nos dias 11 e 12 de abril, ela disputa em Brasília o 5º Campeonato Brasileiro de Patins (Street e Park), competição que vale vaga para o Campeonato Mundial, previsto para outubro, no Paraguai. Pelo calendário da federação, as próximas etapas do Circuito Paulista estão marcadas para 26 de julho e 15 de novembro, novamente em Guarulhos.
“Eu me sinto muito feliz e orgulhosa por representar São José do Rio Preto no patins. Mesmo sendo nova, viver tudo isso é muito especial para mim. O mais legal é saber que posso inspirar não só outras crianças, mas pessoas de qualquer idade. O patins é para todo mundo. Não precisa ser na minha modalidade. O mais importante é se permitir aprender, se desafiar e sentir a liberdade que o patins traz. Para mim, o patins vai muito além de competir. É um estilo de vida, sobre a sensação de estar ali evoluindo, se superando e se divertindo. E se eu consigo mostrar isso para as outras pessoas, já me sinto muito realizada”, afirmou.

(Foto: arquivo pessoal)
Rafael “Coxinha”: cinturão conquistado no Japão
Outro nome que leva Rio Preto para o cenário internacional é o lutador de MMA Rafael ‘Coxinha’ Barbosa. Natural da cidade, ele conquistou recentemente o cinturão peso leve do Pancrase, em Yokohama, no Japão, um dos eventos mais tradicionais da história do MMA mundial, criado há mais de 30 anos.
Coxinha derrotou o então campeão, o japonês Tatsuya Saika, em um ginásio localizado próximo ao Monte Fuji, tornando-se o primeiro brasileiro campeão peso leve da organização em mais de três décadas.
A trajetória do atleta começou em Rio Preto, no projeto social Maquininha do Futuro, onde iniciou a formação no esporte sob orientação de Bruno Moura. Hoje, aos 27 anos, ele mora em Los Angeles, onde realiza a preparação ao lado de atletas do cenário internacional. O lutador também já disputou o cinturão do LFA, evento considerado porta de entrada para o UFC.
Durante a carreira, enfrentou um momento delicado ao precisar passar por uma cirurgia de emergência após a descoberta de um aneurisma, situação que quase interrompeu sua trajetória no esporte.
“Ser uma referência no esporte é uma responsabilidade muito grande, mas também uma honra. Eu venho de São José do Rio Preto, um lugar com muito talento, mas que nem sempre tem a visibilidade que merece. Então, poder representar minha cidade no mais alto nível e mostrar que é possível chegar lá, independentemente de onde você vem, significa muito pra mim”, disse.
“Eu acredito que isso abre portas e muda a mentalidade de quem está começando. Quando um atleta mais novo vê alguém da própria cidade conquistando espaço, ele passa a acreditar mais no próprio sonho. Se eu consigo inspirar pelo menos uma pessoa a não desistir, a continuar treinando e acreditando, já valeu a pena.”, afirmou.
“Quero ser lembrado não só pelas vitórias, mas por mostrar que com disciplina, trabalho duro e fé, dá pra sair de Rio Preto e conquistar o mundo”, ressaltou.

Claudiney Batista: referência paralímpica mundial
O atletismo paralímpico também tem um representante de destaque na cidade: Claudiney Batista. Nascido em Bocaiúva (MG), ele se mudou ainda criança para Rio Preto e se considera riopretense de coração.
Aos 47 anos, o atleta soma quase duas décadas representando a cidade em competições no Brasil e no exterior. Em setembro de 2025, conquistou o tetracampeonato mundial no lançamento de disco F56 durante o Mundial de Atletismo Paralímpico, disputado em Nova Déli, na Índia.
Na final, Claudiney alcançou a marca de 45,67 metros, superando o indiano Yogesh Kathuniya e o grego Konstantinos Tzounis. Com o resultado, chegou a oito medalhas em Mundiais, sendo seis delas na prova do disco. Entre os principais resultados estão os ouros em Dubai (2019), Paris (2023) e Kobe (2024), além de prata em Doha (2015) e bronze em Lyon (2013).
“Nasci em Bocaiúva (MG), mas aos 7 anos me mudei com minha família para São José do Rio Preto. Por isso, me considero riopretense de coração. É um orgulho imenso, mas também uma responsabilidade enorme. Porque chega um momento em que você deixa de competir apenas por si mesmo e passa a representar sua família, sua cidade, seu país e, principalmente, os sonhos de muitas pessoas. Saber que uma criança pode estar me vendo e pensando: ‘Se ele chegou lá, eu também posso chegar um dia’”, afirmou.

(Foto: Instagram/ Divulgação)
Carol Gattaz: experiência olímpica e inspiração
No voleibol, um dos nomes mais conhecidos é o da central Carol Gattaz. Natural de Rio Preto, Caroline de Oliveira Saad Gattaz construiu uma carreira de destaque no esporte e foi vice-campeã olímpica nos Jogos de Tóquio 2020.
Aos 40 anos, tornou-se a medalhista olímpica mais velha do Brasil. Ao longo da carreira, acumulou títulos importantes, incluindo conquistas na Liga das Nações e em campeonatos mundiais, além de ser pentacampeã do Grand Prix.
“É um sentimento de muito orgulho e também de responsabilidade. Eu carrego São José do Rio Preto comigo na minha história, na minha formação e nos valores que aprendi ao longo do caminho. Ser reconhecida como uma referência no esporte, vindo da minha cidade, é muito especial, porque mostra que é possível sair do interior e alcançar grandes sonhos com dedicação, disciplina e perseverança. Acho que isso representa, para os novos atletas de Rio Preto, a prova de que eles também podem chegar longe. Não importa de onde você vem, mas sim o quanto você está disposto a trabalhar, evoluir e acreditar no seu processo. Se a minha trajetória puder inspirar pelo menos uma nova geração a sonhar maior e a entender que o esporte pode transformar vidas, então isso já tem um valor enorme para mim”, destacou.
Ao completar 174 anos, São José do Rio Preto celebra não apenas sua história, mas também os talentos que continuam surgindo e levando o nome da cidade para diferentes partes do mundo, reforçando o título que muitos já atribuem ao município: a cidade dos campeões.

(Foto: Daniel Mafra/ Instagram Carol Gattaz)
Thiago Alves: ex-top 100 do mundo!
O rio-pretense Thiago Alves é um dos principais nomes do tênis já revelados por São José do Rio Preto. Nascido em 22 de maio de 1982, iniciou no esporte ainda criança, aos quatro anos, no Palestra EC. Desde cedo, acumulou conquistas: venceu seu primeiro torneio estadual aos oito anos e, aos 14, já celebrava um título nacional.
Na adolescência, consolidou-se como promessa do tênis brasileiro ao conquistar o tradicional Banana Bowl, aos 16 anos, e o Sul-Americano no ano seguinte, quando também somou seus primeiros pontos no ranking da ATP. Ainda no circuito juvenil, venceu etapas da COSAT em países como Equador, Peru e Bolívia.
Como profissional, alcançou projeção internacional e chegou a figurar entre os 100 melhores do mundo, atingindo a 80ª colocação. Disputou quatro torneios de Grand Slam, com participações no US Open (2006 e 2008), Roland Garros e Wimbledon (2009). Um dos momentos marcantes da carreira foi o confronto contra Roger Federer, na segunda rodada do US Open de 2008.
Ao longo da trajetória, conquistou títulos importantes de nível Challenger, incluindo torneios em São Paulo, Guadalajara, Manta, Belo Horizonte e Quito, além de vitórias em duplas. Após encerrar a carreira profissional em agosto de 2014, passou a atuar como treinador, contribuindo para a formação de novos talentos e trabalhando com nomes como Thomaz Bellucci e Mateus Alves.
“Tenho bastante orgulho de ser rio-pretense, de ter representado tanto o nome da nossa cidade no tênis, de ter levado o nome da cidade para fora como sendo o primeiro tenista profissional de Rio Preto. Isso, para mim, sempre foi uma questão de muito orgulho. E, com certeza, isso acaba refletindo em outros jogadores, sabe que de Rio Preto saiu o número um do Brasil e o número 80 do mundo, com certeza, tudo isso ajuda muito no processo de inspirar os novos tenistas rio-pretenses”, destaca o atleta.
(Instituto Thiago Alves)
-
Política2 diasJustiça determina intervenção em escola com risco estrutural em Rio Preto
-
Cidades2 diasPolicial penal vítima de acidente em Rio Preto será sepultado na região
-
Cidades1 diaPolícia apura morte de bebê de 5 meses em Rio Preto
-
Cidades2 horasInfluenciadora de Rio Preto é presa sob suspeita de lavar R$ 100 milhões
