Política
Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 29 de maio
Jornalista Bia Menegildo traz as principais notícias do poder regional
Silêncio
O secretário de Saúde licenciado, Rubem Bottas, foi o segundo a prestar depoimento na CPI da Saúde, na quinta-feira (21). Ou melhor, a não prestar. Se valendo de um habeas corpus preventivo, ele permaneceu em silêncio na maior parte do tempo. Mas falou. Já no final da oitiva, ele decidiu acusar o relator Abner Tofanelli (PSB) de já ter concluído previamente o relatório da comissão, insinuando perseguição política e falta de imparcialidade.
Confusão
Abner rebateu imediatamente, afirmando que apenas elaborou apontamentos preliminares sobre temas que ainda precisariam ser esclarecidos pelo secretário. Após a fala de Bottas, João Paulo Rillo (PT) saiu em defesa de Abner: “se ele for falar, vai ter que responder aos questionamentos dos vereadores”, alertou. Neste momento, o advogado de Bottas interveio e orientou o cliente a permanecer em silêncio.
Ecos
As falas de Abner não passaram despercebidas. A acusação de falta de imparcialidade do relator da CPI virou alvo de estudos aprofundados. Há quem aponte que, em determinados momentos, o vereador deixou escapar que já tinha opinião formada sobre a trapalhada do contrato de R$ 11,9 milhões. A confusão se dá principalmente entre as palavras “roubo” e “rolo” e a situação pode até ir parar na Justiça para tentar derrubar a CPI.
Explicações
A assessora da Secretaria de Saúde, Cícera Nayara Miranda, prestou depoimento na CPI da Saúde, na quarta-feira (27). Afastada por força de um atestado médico por estar grávida, ela fez as declarações de forma virtual, mas acompanhada de um advogado. Extremamente preparada e com todas as respostas na ponta da língua, ela afirmou que a imprensa e as “narrativas distorcidas” em torno do contrato de R$ 11,9 milhões foram as culpadas pelo cancelamento.
O advogado
O advogado que acompanhou todo o depoimento dela é Renato Scochi. Para quem acompanhou as notícias da semana, a resposta é sim. Renato é o filho do vereador Edson Scochi, conhecido como Edson Branco (Podemos), eleito por Mirassol. O advogado, assim como o pai, esteve no centro da treta que aconteceu na cidade vizinha e que foi parar na Polícia Civil. As investigações estão em andamento.
Divergentes
A situação ganhou as redes sociais com versões conflitantes. Enquanto o vice-prefeito Beto Feres (MDB) afirma que o gabinete foi invadido pelo vereador e pelo filho, o parlamentar até confirma que foi ao local, mas diz que foi agredido pelo vice. No final da história, Edson Branco ficou com um hematoma no olho e Beto Feres saiu com um ferimento na boca. O advogado, pelo que se pode perceber na oitiva, não ficou com ferimentos aparentes.
Apurações
Todas as versões ainda estão em investigação. A Polícia Civil está conduzindo a apuração para determinar quem é autor e quem é a vítima na história. Por enquanto, a única certeza que se tem é que os políticos mirassolenses estão queimando a largada das eleições de 2028. Por lá, o atual prefeito Edson Ermenegildo (PSD) não vai disputar as eleições, uma vez que já está no segundo mandato consecutivo. A tendência é de aumento de tensão pelos próximos dois anos.

Voltando
Ao término da oitiva com Nayara, o vereador Renato Pupo (Avante), presidente da CPI, fez diversos apontamentos sobre contradições. Segundo o parlamentar, em determinado momento, a assessora falou que foi a Secretaria de Saúde de Rio Preto que procurou a Santa Casa de Casa Branca, mas também disse que foi a Santa Casa de Casa Branca que procurou a Secretaria de Saúde. Nayara não esclareceu, mas disse que permanece disponível para a CPI.
Boliche
Pupo esperava ouvir ainda a enfermeira concursada Camila de Carvalho Silva Ishizava, que foi quem fez a apresentação técnica do convênio para o Conselho Municipal de Saúde. No entanto, a mulher apresentou atestado médico alegando crise de ansiedade e o depoimento foi cancelado. “A CPI causou um verdadeiro strike na Secretaria”, brincou Pupo ao lembrar que Nayara estava de licença médica justificada e o secretário licenciado Bottas ficou calado.
A outra CPI
O fim de semana passado foi marcado por muita apreensão. De um lado, a CPI do Sítio, protocolada por Pedro Roberto (Republicanos), que ganhou a adesão de Pupo, Alexandre Montenegro (PL), Abner Tofanelli e João Paulo Rillo. Do outro lado, vereadores independentes e da base aliada. A expectativa era chegar em oito assinaturas até terça-feira (26), quando acabava o prazo regimental de adesão. Foi quase, mas de cabeça erguida.
O sexto e o sétimo elementos
Jean Dornelas (MDB) foi a sexta assinatura e Odélio Chaves (Podemos), a sétima. Dornelas fez ressalvas sobre investigar o patrimônio de familiares de políticos e falou sobre “abrir precedentes”. Odélio apenas assinou. Na tentativa de não deixar o pedido ser engavetado, Pedro usou a tribuna para reproduzir um corte de um debate eleitoral. Nas imagens, o então candidato Fábio Candido (PL) aparecia falando sobre a polêmica de não pagar IPTU.
Minimamente estranho
Na época, Fábio Candido afirmou que deixou de pagar os impostos por estar passando por problemas financeiros. O então candidato negou que tivesse bens penhorados e falou que a dívida estava quitada. Claro que todo o contexto deixou até mesmo os vereadores da base com aquela pulguinha atrás da orelha: “Na campanha era um pobre coitado que não tinha como pagar impostos e agora compra imóveis com dinheiro vivo?” questionou um vereador da base.
Mais estranhamento
Por mais que não tenham assinado o pedido de CPI do Sítio, vereadores da base não deixaram de comentar o assunto nos bastidores. Muitos preferiram se apegar ao fato de que o caso já está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. No entanto, outros preferiram dizer abrir mais uma investigação agora seria mais um desgaste. Por incrível que pareça, teve até vereador da base que falou sobre “um escândalo de cada vez”.
Pronunciamento
Diante da repercussão, o prefeito decidiu se pronunciar. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Fábio Candido apareceu sério e prestou esclarecimentos. Segundo ele, não existe denúncia, condenação ou qualquer decisão contra ele. “O que existe é uma apuração preliminar baseada em depoimentos sem provas”, afirmou. Pelo sim e pelo não, ele também recorreu ao Tribunal de Justiça, alegando foro privilegiado, para tentar escapar da apuração.
Seriedade
O clima anda tão tenso na Câmara que os vereadores já estão com saudades das “votações aleatórias”. A expressão foi usada para falar sobre a falta que Dr. Tedeschi (PL) está fazendo em plenário. “Por mais que houvesse um desgaste com aquelas moções para a Venezuela e para os Estados Unidos, a gente se divertia porque saía um pouco do assunto sério. Agora a gente só tem assunto sério para tratar. Tedeschi está fazendo falta”, afirmou um vereador da base.
Nada planejado
O governo continua tentando angariar apoiadores a todo custo. Recentemente foi a vez de Rogério Gardiano, presidente da Associação dos Moradores do Damha V. Foi dado a ele o direito de escolher uma Secretaria e ele optou pela de Planejamento. O pedido foi negado e Gardiano continuou como um opositor. Nesta quinta-feira (28), ele fez uma live com o deputado estadual Itamar Borges (MDB). Ambos não economizaram nas críticas.

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