Cidades
Potirendaba se despede das vítimas de acidente que comoveu a região
Velórios e sepultamentos acontecem nesta terça-feira (7); entre as vítimas está Marcos Svolkin, irmão de Giovani, morto com um tiro em frente ao Bar Resenha, em Rio Preto
Potirendaba vive um dia de luto nesta terça-feira (7/7), com os velórios e sepultamentos das três vítimas do grave acidente ocorrido na tarde de domingo (5), na estrada vicinal Luiz Carlos Brandolezzi, que liga o município a Bady Bassitt.
Marcos Svolkin da Silva, de 26 anos, começou a ser velado às 8h, no Velório Municipal de Potirendaba. O traslado para o Crematório Parque Jardim da Paz está previsto para as 17h.
No mesmo local também é velado, desde as 8h, Reynaldo Alexandrino Nascimento dos Santos, de 25 anos, funcionário da Bebidas Poty. O enterro dele está previsto para as 16h30, no Cemitério Municipal de Potirendaba.
Já o velório do Prof. Dr. Euclides Braga Malheiros, de 75 anos, teve início às 9h, nas Capelas Prever de Potirendaba. O sepultamento será às 15h, também no Cemitério Municipal.
Dr. Euclides deixa a esposa, Katia Sueli Renzetti Malheiros, e os filhos Maurício e Marcela. Professor, pesquisador e referência nas ciências agrárias e na estatística, deixa na memória de alunos, colegas e profissionais um legado de ética, conhecimento e dedicação à ciência e ao ensino. Ele estava internado no Hospital de Base de Rio Preto, mas não resistiu aos graves ferimentos. O óbito foi constatado às 19h48 do domingo, conforme boletim médico encaminhado à Polícia Civil.
O acidente já havia provocado as mortes de Marcos e do amigo Reynaldo, que conduzia o Ford/Ka no momento da colisão.
Marcos era empresário, trabalhava com película solar e estética automotiva e era irmão de Giovani Svolkin da Silva, serralheiro assassinado com um tiro durante uma briga generalizada em frente ao Bar Resenha, em Rio Preto, em outubro do ano passado.
Acidente fatal
Segundo o boletim de ocorrência obtido pela Gazeta de Rio Preto, equipes da Polícia Militar foram acionadas para atender uma colisão envolvendo dois veículos na vicinal Luiz Carlos Brandolezzi. Quando os policiais chegaram, equipes de resgate já prestavam atendimento às vítimas sobreviventes.
Durante o atendimento, uma integrante da equipe de enfermagem informou que duas pessoas já estavam mortas dentro do Ford/Ka, sendo que uma delas permanecia presa às ferragens. O Corpo de Bombeiros realizou o desencarceramento das vítimas, enquanto a perícia técnico-científica da Polícia Civil executou os trabalhos no local antes da liberação da área.
Euclides e o filho dele, de 44 anos, ocupantes de um Toyota/Yaris branco. Ambos foram socorridos inicialmente para um hospital da região e, devido à gravidade dos ferimentos, transferidos ao Hospital de Base.
Ainda conforme o registro policial, durante a conferência dos pertences de Marcos foram encontrados R$ 304,50 em dinheiro, documentos pessoais, cartões bancários e uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Os policiais também localizaram um invólucro contendo aproximadamente 40 gramas de uma substância com características de cocaína. Em uma bolsa que estava no veículo foram apreendidos dois cigarros com substância semelhante à maconha, outra porção da mesma droga e um triturador, conhecido como dichavador. Todo o material foi recolhido e encaminhado para análise da autoridade policial.
Os dois veículos envolvidos foram recolhidos ao pátio e permanecem à disposição da investigação.
O advogado criminalista Juan Siqueira, que representa a família de Marcos no processo contra o segurança Keven Ígor Silveira Novaes, acusado de matar Giovani, informou nas redes sociais que os dois amigos tiveram morte instantânea porque não usavam o cinto de segurança no momento do acidente. Siqueira também afirmou que os entorpecentes encontrados nos pertences de Marcos eram de uso próprio e que Reynaldo não estava embriagado.
O advogado também declarou que um terceiro veículo teria invadido a pista e atingido lateralmente o Ford/Ka. Segundo ele, o motorista fugiu sem prestar socorro, e o advogado busca informações que possam ajudar a identificar o suspeito.
Ele também pediu respeito e empatia com os familiares enlutados.
Entrevista emocionada
Pouco mais de dois meses antes do acidente, em 5 de maio, Marcos Svolkin concedeu entrevista à Gazeta de Rio Preto durante a reconstituição do assassinato do irmão, Giovani. Emocionado, afirmou que jamais conseguiu superar a perda.
“Eu tô com muita saudade dele. Faz falta, muita falta. Era o cara que era a minha referência na vida, que eu admirava em tudo, no esporte, no trabalho… Infelizmente, naquele dia eu morri junto, pra mim não tem mais sentido. […] Eu me arrependo de estar aqui, me arrependo de ter saído de casa naquele dia.”
Relembre o caso
Giovani Svolkin da Silva foi morto com um tiro durante uma briga generalizada em frente ao Bar Resenha, em outubro do ano passado, em Rio Preto.
Segundo denúncia do Ministério Público, o homicídio foi praticado por motivo torpe e fútil, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. A investigação aponta que a confusão começou após um desentendimento considerado banal dentro do estabelecimento, envolvendo ciúmes e provocações.
O promotor de Justiça Hérico William Alves Destéfani sustenta que houve intenção de matar e pediu que o acusado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, além da fixação de indenização mínima aos familiares de Giovani.
O Ministério Público também solicitou o desmembramento do processo para apurar, separadamente, possíveis crimes de porte ilegal de arma de fogo e lesões corporais envolvendo outros participantes da briga.
Na noite do crime, após o desentendimento dentro do bar, Keven Ígor, que já havia trabalhado como segurança no estabelecimento, deixava o local com a família quando foi atingido por uma voadora desferida por Marcos Svolkin. A agressão deu início a uma briga generalizada na rua, envolvendo os irmãos Marcos e Giovani, familiares e outras pessoas.
Durante a confusão, segundo a investigação, Keven entrou em um veículo, pegou uma arma de fogo e perseguiu Giovani, efetuando um disparo que atingiu a vítima. Giovani morreu antes da chegada do socorro.

(Giovani Svolkin, irmão de Marcos, morreu baleado em outubro do ano passado, em Rio Preto. Foto: arquivo pessoal/Facebook)
O acusado permaneceu foragido por cerca de 40 dias e foi preso pela Polícia Militar na casa do pai, em Planalto. Conforme a polícia, ele estava escondido entre o teto e o telhado do imóvel. Por meio do advogado Renato Marão, Keven negou ter atirado pelas costas e afirmou que agiu em legítima defesa para proteger os pais, que estavam sendo agredidos durante a briga.
A morte de Marcos ocorreu cerca de nove meses após o assassinato do irmão. Recentemente, a família também enfrentou a perda do pai dos irmãos, tornando a sequência de tragédias ainda mais dolorosa.
*Esta reportagem é de produção exclusiva da Gazeta de Rio Preto. É proibida a reprodução, total ou parcial, sem autorização expressa da autora ou sem a devida citação, nos termos da legislação de direitos autorais.
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