Política
Vereadores derrubam veto e mantêm aumento de 11% nos próprios salários
Procuradoria Geral do Município alega Constituição Federal proíbe aumento na mesma legislatura
Os vereadores de Rio Preto derrubaram veto do prefeito Edinho Araújo (MDB) por 12 votos contra 4 e mantiveram reajuste de 11% nos seus próprios salários para 2022, aprovado no início de março.
O projeto foi vetado a pedido da Procuradoria Geral do Municipal. Ela alega que a Constituição Federal não permite que os vereadores se autoconcedam aumentos salariais na legislatura em que estão atuando. A atual legislatura começou dia 1º de janeiro de 2019 e termina dia 31 de dezembro de 2024.
O vereador Odélio Chaves (PP) argumentou que o reajuste não é aumento. Apenas reposição das perdas inflacionárias de 2021. Ele foi acompanhado por outros 11 vereadores que têm o mesmo entendimento.
A dúvida é se reposição de perdas inflacionárias é ou não aumento salarial. Ela deve ser esclarecida pelo Tribunal de Justiça, segundo ele. A Prefeitura deve entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin).
A Procuradoria também alegou que existe uma decisão monocrática do ministro Luiz Fux, do STF, que diz que o reajuste é ilegal. Odélio argumenta que o caso ainda vai ser definido pelo plenário do Supremo e ainda não tem repercussão geral (para todos os casos).
Um dos argumentos do grupo que votou pela manutenção do aumento é que eles recebem menos do que vereadores de Mirassol e Catanduva. Eles usam parte dos salários para prestação de serviços com o próprio mandato.
Hoje, o vereador recebe R$ 5.095,00 brutos e com os descontos obrigatórios, o valor cai para aproximadamente R$ 4.600,00. Outro detalhe é que a inflação do ano passado foi de 10,06% e não 11%, como foi aprovado. Nominalmente, os números são diferentes.
O argumento para a reposição levemente maior é que em 2021 eles não receberam as perdas salariais.
Outro ponto que deve ser destacado é que a Câmara e Prefeitura fizeram um acordo pela manutenção do veto e dos salários com os valores atuais que foi publicado. O acordo não foi cumprido justamente pela base do prefeito na Câmara.
Quem liderou a derrubada do veto foi Odélio Chaves que, com a postura, se destaca como liderança informal da base e mostra influência que pode provocar ruídos na relação com o Executivo.
Pela manutenção do aumento
Robson Ricci – Republicanos
Rossini Diniz – PL
Anderson Branco – PL
Bruno Marinho – Patriota
Júlio Donizete – PSD
Karina Carolina – Republicanos
Odélio Chaves – PP
Paulo Pauléra – PP
Bruno Moura – PSDB
Luiz Celso Peixão – MDB
Cláudia de Giuli – MDB
Júnior Ruél – União Brasil
Contra o aumento
Jéssica Coletivas – Psol/PCdoB
Jorge Menezes – PSD
Renato Pupo – PSDB
Jean Charles – MDB
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