Política
‘Estou no pior momento da minha vida’, diz vereador de Rio Preto denunciado pelo MP
Anderson Branco (PL) foi denunciado pelo Ministério Público após uma publicação nas redes sociais considerada homofóbica e racista
O promotor Sérgio Acayaba de Toledo, do Ministério Público, denunciou o vereador Anderson Branco (PL) à Justiça após uma publicação feita por ele em julho do ano passado.
O inquérito foi concluído pela Polícia Civil, que fez o encaminhamento ao MP.
Branco, que tem vasto histórico por se envolver em assuntos polêmicos em torno de temas sobre a homossexualidade e a família tradicional brasileira, repercutiu nas redes sociais após fazer uma publicação considerada homofóbica e racista. No post, o vereador usou um banner que mostra a mão de uma pessoa branca segurando o braço e a mão negra com aparência diabólica, vestida com uma camisa com as cores da bandeira LGBTQIA+.
Se condenado, ele pode pegar de 2 a 5 anos de prisão, além do pagamento de multa.
Repercussão
Na época, o caso chegou a ser discutido pelo Conselho de Ética da Câmara, que absolveu o vereador da acusação de homofobia. A publicação de Branco gerou revolta entre as lideranças LGBTQIA+ e do Movimento Negro, além de diversos rio-pretenses.
O conservador chegou a ser defendido e apoiado pelo pastor e Deputado Federal Marco Feliciano (Republicanos-SP), que publicou um vídeo ao lado de Branco, reforçando que o vereador não deveria “arredar o pé” no que disse.
Resposta
Ao Gazeta, o vereador disse que está vivendo o pior momento de sua vida e que considera as acusações injustas. Branco também afirmou que está sofrendo uma perseguição generalizada por parte da Polícia Civil de Rio Preto, que estaria partindo de alguns delegados da antiga gestão. A perseguição estaria acontecendo após uma denúncia feita pelo vereador contra um delegado, que, segundo Branco, teria assediado sua esposa, que é policial civil.
Na época, o caso foi arquivado pela Corregedoria da Polícia Civil.
Confira, na íntegra, a resposta do vereador ao Gazeta de Rio Preto:
“Não houve crime nenhum, não cometi crime, apenas me expressei em defesa das crianças contra a Ideologia de Gênero. Se tivesse ofendido alguém ou cometido crime, a plataforma no Facebook e Instagram teria tirado o post e a minha repostagem que publiquei de terceiro. 5 milhões ou mais compartilharam também nas redes sociais no país na época, meu Facebook e Instagram não foi tirado do ar! Onde ofendi? A interpretação de cada um é livre, o inquérito da Polícia Civil foi totalmente perseguidor contra mim. Já tive e tenho problemas com a antiga administração da Polícia Civil e com alguns delegados que já é de conhecimento por muitos da população. Virou uma perseguição generalizada contra mim e minha família, quando fui na Delegacia Seccional para prestar esclarecimentos ao delegado, depois de 6 meses, ali já era meu indiciamento, me causou estranheza, foi descarado o inquérito, tive poucas chances, estava tudo pronto, no relatório final no inquérito me senti como criminoso. Isso já é muito claro, onde vai parar isso, contra mim pode tudo. Fiz alguns B.Os na Polícia Civil no 1º DP e no 3º DP, de invasão e ameaças até de morte pelas redes sociais. Um B.O um delegado arquivou de cara, um B.O por autoria desconhecida sendo que foi grave, teria que investigar, ao meu ver ouve prevaricação ai tá tudo certo né? Contra mim pode tudo….esse no 1º DP, o outro B.O também enrolou um tempão e chegou pedir meu celular e meu computador sendo que a vítima era eu….me causou estranhamento….logo depois arquivou….esse no 3º DP…resumindo contra mim tudo….quando é ao meu favor não investiga e possivelmente prevarica, esta gestão antiga, estão usando a instituição Polícia Civil ao bel prazer…sem contar os assédios morais continuados à minha esposa até hoje. A Justiça saberá de tudo, alguém tem que fazer alguma coisa, já passaram de todos os limites.”
Polícia Civil
O delegado Silas Santos, responsável pela Delegacia Seccional de Rio Preto, disse à reportagem que prefere não comentar sobre o caso. No entanto, informou que o Inquérito Policial foi encaminhado para o MP para análise e que o MP teve o mesmo entendimento do delegado Alexandre Del Nero Arid, que presidiu o inquérito. Quanto às acusações, Santos afirmou que a Corregedoria da Polícia Civil está disponível para apurar denúncias contra os atos dos policiais.
(Atualizada às 16h18).
