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Armas de um bom Médico
Prof. Dr. João Roberto Antonio – Professor Emérito de Dermatologia da Faculdade Estadual de Medicina (Famerp) e Chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital de Base de São José do Rio Preto
Ao comemoramos em 18 de Outubro o Dia do Médico, vale refletir sobre esta honrosa profissão. Lembro-me sempre de um conselho dado pelo meu saudoso pai, cuja ignorância médica contrastava com sua sábia filosofia de vida. No dia da minha formatura, como sinal de gratidão, entreguei-lhe o simbólico cartucho. Ele então fixou-me com seus olhos carregados de ternura e disse: “meu filho, faça a sua medicina bem feita, o resto virá naturalmente.”
Para mim o conselho tornou-se um lema de conduta e me ensinou a ver que, como médico, é preciso aproveitar as inúmeras oportunidades que a profissão nos dá para praticar o amor e a caridade. Nisto reside o segredo do bom médico. Aos conhecimentos científicos, que precisam ser aprimorados a todo o momento, une-se a maior e primeira arma do médico: o amor.
Frente aos doentes usamos nossa melhor receita:
– Se forem humildes, ame-os, pois são divinos;
– Se forem ricos, ame-os porque, no fundo, são solitários;
– Se forem pobres, ame-os, pois são muitos;
– Se forem jovens, ame-os pela fé e esperança que têm,
– Se forem formosos, ame-os quando doentes, por seu olhar de tristeza;
– Se forem feios, ame-os por sua paz de alma;
– Se forem velhos, ame-os pela sabedoria que partilham.
O amor, o primeiro mandamento de Deus, tem o dom de abrir os corações, de repelir as setas do ódio, do cansaço, das adversidades, e, consequentemente curar ou aliviar todos os males. A segunda arma do médico é a caridade, a solicitude do médico em atender a qualquer hora aquele que sofre. É levantar-se às altas horas da noite e ir, sob frio ou chuva, aliviar uma dor que desespera ou consolar um aflito que geme. É pronunciar uma palavra generosa que restitui a tranquilidade. É arriscar a vida em meio a epidemias. É infundir no espírito do doente a confiança que consolida a fé e faz renascer a esperança.
Assim compreendemos o quão espinhosa é a Medicina, embora a mais bela das profissões. Espinhosa, porque nos leva a todo o momento ao contado da dor; porque abre os segredos mais íntimos e as mais tristes misérias; porque nos faz depositários responsáveis da honra e da vida de nossos semelhantes.
Entretanto, é a mais bela, porque só o bem procura fazer, porque luta, sem trégua em prol da saúde do próximo, porque transmuda o desespero em esperança sorridente. Meus parabéns aos colegas médicos que exercem a profissão que mais aproxima o homem de Deus, pois é a ela que foi dado o dom da cura.
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