Política
Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 27 de agosto
O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política
Aeroporto de Cabul
Após a denúncia anônima de que 11 vereadores de Rio Preto promovem esquema de “rachadinha” com seus funcionários de gabinete, a Câmara se transformou numa Zona de Guerra. As desconfianças sobre quem fez a denúncia não têm limites e, a cada momento ou interlocutor, aparece uma nova teoria, um novo nome. Mas o dedo foi direcionado mesmo ao vereador Renato Pupo, PSDB.
Zona de Guerra
A sessão extraordinária desta quinta-feira, que aprovou a prorrogação do Programa de Pagamento Incentivado do Semae, PPI, até 17 de setembro, teve um clima que pode ser comparada com a tensão que dos moradores do Afeganistão vivem sob o Talibã.
O dia seguinte
Os vereadores Jorge Menezes, PSD, Júlio Donizete, PSD, Odélio Chaves, PP, Bruno Marinho, Patriota, e Luiz Celso Peixão, MDB, ocuparam a Tribuna para se defender das acusações. Os ânimos ficaram tão fora de controle que o presidente da Câmara precisou encerrar o debate. Na verdade, virou uma briga de rua.
Amigo traído?
O autor pode ser um ex-funcionário que se sentiu traído. Político tem medo de mulher traída. Uma das hipóteses é que seja um homem, ex-funcionário demitido sem motivo. Com esse perfil, a lista é grande. A denúncia tem fatos de legislaturas anteriores. O denunciante listou 11 vereadores e 34 assessores. Deu detalhes que só quem conhece a Casa pelo avesso, e tem acesso a todos os 34 assessores, sabe. Não é uma ave rara.
Odélio reage
“Este é o verdadeiro canalha. Um homem que se esconde nas trevas é verdadeiro canalha”, repetiu. Pediu desculpas aos fiéis da Igreja Quadrangular pelo envolvimento do seu nome e disse “eu não quero pecar aqui nessa Tribuna”. Disse “que me causa estranheza um delegado dizer que nem se lembrava que recebeu uma denúncia contra 11 vereadores”, referindo-se a Pupo e disse que estava lá para “deixar para toda a comunidade, meu pastor, minha família, sou pessoa de família, honesto, isso não ficará assim, eu gastarei todo o meu patrimônio, mas eu vou até fim”, concluindo que até “os imundos, os sujos, os bandidos têm ética”. Referindo-se a seus assessores disse “entramos pela porta da frente, e vamos sair pela porta da frente”. E pediu: “não se faz isso, e tenho filho estudado que recebeu mensagem que seu pai recebeu faz rachadinha” e perguntou “que mundo é esse onde as pessoas não tem decência”? Na quarta Odélio já dizia que o autor é um “traíra”.
Ameaça e confusão
Após sua fala, Odélio passou mal, teve que passar por atendimento médico. O jornalista Rodrigo Lima, do Diário da Região, que estava fazendo um vídeo e foi abordado pelo vereador Bruno Moura, PSDB, que o ameaçou, perguntou o que ele estava fazendo lá. Ouviu “estou trabalhando”. Foi necessário a intervenção do vereador Jean Charles Serbeto, MDB, para que o jornalista não fosse agredido.
Os 11
Jorge Menezes disse que não são os 11 vereadores que estão sendo atacados, mas toda a Câmara. E que a denúncia foi tramada dentro do Legislativo, numa sala fechada, para desestabilizar a base de apoio do prefeito. “Quem fez a denúncia conhece apenas os 11 gabinetes da base e nenhum da oposição”. Cabo Júlio Donizete disse que sabia que estava entrando num espaço com muitas divergências sem sentido, mas não esperava que o nível fosse esse. “É muito pior”, revelou. Peixão, não se pronunciou. Apenas segurou um cartaz com o nome de seus três assessores que estão sendo investigados.
“Não fui eu”
A desconfiança de que foi Renato Pupo provocou uma pressão tão grande, que ele precisou emitir uma nota negando e, ontem durante a sessão, disse que nunca faria uma denúncia anônima e lembrou ao Cabo Júlio que já prendeu PM e que não tem medo. Cabo Júlia havia dito que essa história não vai ficar assim. Pupo reafirmou que recebeu a denúncia em uma carta na Delegacia em que trabalha e encaminhou para o setor competente na Seccional.
Tucano se bica, sim
Feio mesmo foi a briga de Bruno Moura e Renato Pupo. Bruno disse qua ficou conhecendo o delegado de verdade quando ele renunciou à candidatura a prefeito e sugeriu que Pupo o usou para se reeleger vereador. “Não sou escada para ninguém”. A relação dos dois já era.
Fogo no circo
Entre tapas e beijos sabe-se que a Polícia Civil já visitou três assessores em suas devidas residências.
Feio
A coisa fica ainda mais próxima de Pupo quando o delegado responsável pelo caso é filho do presidente do diretório municipal do PSDB. O delegado Celso Gonçalves é filho de Manoel Gonçalves. De quebra, Manoel é secretário Municipal de Habitação. Outro fato que provoca desconfiança dos investigados é que nenhum dos dois vereadores tucanos estão na lista. Além de Pupo, o partido elegeu o vereador Bruno Moura.
Doria, “vagabundo”
Cabo Júlio chamou Doria de “vagabundo” após a demissão do Coronel Aleksander Toaldo, de Sorocaba, por convocar atos de 7 de setembro. Grupos radicais falam em invadir o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, STF. Ele crê que luta pela liberdade de expressão. O Tenente Coronel Jean Charles, que conhece e sabe que o regulamento interno da corporação permite e proíbe, foi comedido: “a punição de Dória foi exagerada”, relatou com sua tradicional calma.
Truco, seis
A última eleição terminou não faz 8 meses e a campanha para deputado já começou. Circula um vídeo do vereador Cabo Júlio Donizete em um campeonato de truco em uma praça com todos os envolvidos aglomerados e sem máscara. Incluindo quem fazia o vídeo e promoveu o campeonato. Cabo Júlio Donizete pede para o organizador falar o nome de quem ajudou. O vereador manifestou a intenção de ser candidato a deputado estadual pelo PSD no ano que vem.
Odélio e o revolver
A maior surpresa na vinda em Rio Preto da deputada federal Carla Zambelli, PSL, não foi a presença do vereador Odélio Chaves, Bruno Moura e Cabo Júlio. Ela ficou para o vereador, advogado e pastor Odélio Chave, assim chamado por seus pares. Em uma foto ao lado da deputada, ele esquece a cruz como marketing político e faz pose como quem empunha uma arma de fogo. Ao estilo Jair Bolsonaro e seus apoiadores armamentistas. É preciso saber se os fiéis aprovam a atitude do pastor.
Cabo de guerra
O término do contrato entre a Prefeitura e as duas empresas concessionárias do Transporte Coletivo em novembro vai ser um cabo de guerra entre a Executivo e a oposição na Câmara, incluindo-se nesse grupo o presidente da Casa, Pedro Roberto, Patriota. O secretário Amaury Hernandes deixou vazar que o ideal é prorrogar o contrato por mais dez anos, sem licitação. A oposição diz que sem licitação, não será uma renovação. Mas sim, um presente. Ouvi de um vereador que a Circular junta dinheiro com rastelo diariamente. Mas sabemos que existem empresas de transporte coletivo quebrando por causa dos custos fixos e, principalmente das variáveis como combustível, pneus, impostos, etc. O maior deles, a pandemia. De outro lado, o usuário perdeu muito mais.
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