Política
De vereador mais votado a investigado pela PF
Mês de outubro que começou com festa após votação expressiva termina com PF na Câmara de Rio Preto e presidente Fábio Marcondes incomunicável
Vinte e cinco dias depois de se tornar o vereador mais votado de Rio Preto, com 8.095 votos, o presidente da Câmara de Rio Preto, Fábio Marcondes (PR), vive o pior momento de sua carreira política e vê escoar pelos dedos a liderança que exercia sobre o grupo governista na Casa, assim como a possibilidade de ser reeleito comandante do Legislativo. Enquanto agentes da Polícia Federal apreendiam computadores e documentos no gabinete da Presidência da Câmara na manhã de quinta-feira (dia 27), antes mesmo da chegada dos funcionários da Casa, Marcondes abria a porta de sua casa no condomínio residencial Dhama 4 para outros dois agentes da PF que cumpririam ordens idêntica às dos colegas no Legislativo.
O vereador e ex-candidato, cujo o jingle de campanha tomou a cidade durante todo o mês de passado, é investigado por corrupção eleitoral, abuso de poder econômico e compra de votos. A acusação é de que sua campanha teria custado mais que o triplo do limite definido pela nova legislação eleitoral, que era de R$ 99.472,64 para a disputa ao cargo de vereador.
O objetivo dos agentes era encontrar documentos ou arquivos digitais que comprovem os crimes atribuídos a Marcondes, o que só será possível dizer após o término da análise do material recolhido – quatro malotes cheios de papéis e três computadores. A tarefa teve início na quinta-feira mesmo e não há previsão para conclusão. A operação de ontem ocorreu após autorização judicial por meio de despacho do juiz da 125ª Zona Eleitoral, José Manuel Ferreira Filho.
A estrutura montada por Marcondes para campanha chamou a atenção de aliados e adversários pela grandiosidade e foi um dos principais assuntos nos bastidores políticos nos últimos dois meses. Além de distribuir uma revista em papel couchê envernizado (um dos mais caros do mercado gráfico) com tiragem declarada de 30 mil cópias, ao custo de R$ 25 mil, o vereador também dispensou a estrutura televisiva oferecida pela coligação para a gravação das inserções usadas na campanha da TV e no rádio, diferentemente dos demais candidatos do seu partido.
Marcondes contratou a própria produtora para gravar suas inserções e, como presidente do partido, controlou o número de vezes e o tempo ocupado pelos candidatos durante a programação das emissoras. A maioria das inserções de Marcondes foi aberta pela produtora de TV Vanessa Guzzo, irmã da cantora e Atriz Beth Guzzo, e encerrada com falas do candidato em locações externas (fora de estúdio). Marcondes também liderou em número de aparições nos horários de maior audiência.
Procurada, a assessoria de imprensa da Câmara de Rio Preto não se manifestou até fechamento desta edição a ação da Polícia Federal. Marcondes não respondeu às mensagens deixadas em sua caixa postal. A última manifestação pública do vereador sobre o assunto foi por meio de um vídeo no Facebook onde apoiou a atuação da Polícia Federal e alegou ser inocente.
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