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Especialistas brasileiros vão à Colômbia apurar queda de avião da Chapecoense

Corpo de Deva Pascovicci será velado em Rio Preto. Antes liberar os corpos aos familiares, a direção da Chapecoense quer fazer um velório coletivo na Arena Condá, em Chapeco

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O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), do Comando da Aeronáutica, vai enviar dois investigadores a Medellín para colaborar nas investigações do acidente com o avião da empresa Lamia. Os especialistas brasileiros embarcarão em um dos três aviões C-130 Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) que vão fazer o traslado dos corpos das vítimas para o Brasil. O acidente foi na terça-feira (dia 29), quando o avião se preparava para pousar em Medellín. O avião modelo British Aerospace 146, com prefixo CP-2933, transportava a delegação da Chapecoense que disputaria a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o clube colombiano Atlético Nacional.

No mesmo dia da queda, as duas caixas-pretas foram recuperadas em perfeito estado, o que permitirá conhecer os parâmetros de voo, os possíveis incidentes técnicos, as conversas entre os pilotos e a torre de controle e os diálogos dentro da cabine até o momento do acidente. As causas ainda são desconhecidas, mas a principal suspeita é que a aeronave possa ter sofrido uma ‘pane seca’ que, na linguagem aeronáutica, significa falta de combustível.

Esta hipótese é reforçada por áudios divulgados dias após o acidente. Em uma das gravações, um piloto da companhia aérea Avianca Colômbia, que também estava em aproximação para pouso em Medellín, afirma que momentos antes da queda o comandante Lamia declarou emergência por falta de combustível.

Na quarta-feira (dia 30) uma estação de rádio local teve acesso à conversa entre a torre de controle e o avião da Lamia, na qual o comandante pede prioridade para pouso devido à falta de combustível. Logo após declarar emergência, o piloto afirma ter uma pane elétrica e pede que a controladora do aeroporto passe as coordenadas de direção da pista. Momentos depois, a aeronave some do radar.

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O avião bateu contra um morro em um vale chamado El Gordo, próximo ao município de La Unión, no noroeste da Colômbia. Do local do impacto até a pista do aeroporto são menos de 30 quilômetros em linha reta.

Havia 77 pessoas a bordo, sendo 72 passageiros e nove tripulantes: 45 eram da delegação da Chapecoense, 20 jornalistas e três convidados.  Seis pessoas sobreviveram ao acidente. São eles: os jogadores Neto, Alan Ruschel e goleiro Follmann; o jornalista Rafael Henzel e os tripulantes Ximena Suárez e Erwin Tumiri, os dois últimos receberam alta médica no dia seguinte a queda.

Sobreviventes

Os quatro sobreviventes brasileiros que estão hospitalizados em Medellín não apresentam risco de morte. A situação deles é considerada crítica, porém estabilizada. A maior preocupação dos médicos é com relação ao perigo de infecção, já que os ferimentos apresentavam alto risco de contaminação.

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O goleiro Marcos Danilo Padilha chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Antes liberar os corpos aos familiares, a direção da Chapecoense quer fazer um velório coletivo na Arena Condá, em Chapeco, mas a família de Deva deve trazer o corpo direto a Rio Preto para o velório.

Além de Deva Pascovicci, o coordenador de transmissões externas da Fox Sports Lilácio Pereira Júnior, 48 anos, também está entre as vítimas da tragédia. O corpo dele será enterrado em Mirassol.

A trajetória do vozerio de trovão

Devair Pascoalão nasceu em 28 de setembro de 1965, na Fazenda Fortalezas, em Monte Aprazível, cidade onde passou toda a infância. Ficou nacionalmente conhecido como Deva Pascovicci, nome que usava como radialista e narrador esportivo. Teve o primeiro contato com o rádio ainda menino, quando uma emissora foi construída do lado da casa dele.

Começou a trabalhar aos 12 anos, na rádio difusora de Monte Aprazível. Desde essa época, usava um amplificador criado por ele mesmo para brincar de narrar jogos no campo de futebol da cidade.

Aos 14 anos, veio com os pais morar em Rio Preto e arrumou emprego como operador de rádio na emissora Brasil Novo. Nessa época começou a manifestar a vontade de ser narrador esportivo. Após passar, já como locutor, por rádios de Rondonópolis, Prudente e Cuiabá, Deva voltou para a região, em 1986, quando foi contratado pela rádio Antena, de Jales. Nessa época criou o colunismo social de rádio. Ele ia até a casa das pessoas da alta sociedade para transmitir bailes, festas e carnavais.

Em Jales, mergulhou de vez no universo esportivo narrando jogos de basquete da equipe local trabalhando em duas rádios ao mesmo tempo, uma em AM a outra FM. Em 1992 conseguiu patrocínios para transmitir o pré-olímpico de Portland, nos EUA, quando acompanhou, como radialista, a seleção brasileira de basquete. Foi nessa época que a narração dele repercutiu no Brasil e nos Estados Unidos resultando em convites para trabalhar em emissoras de TV. Em 1993 foi para a TV Manchete e de lá para a SportTV, onde trabalhou por dez anos. Em 2003 voltou para o rádio, trabalhando na CBN até 2015, quando recebeu o convite da Fox Sports, canal no qual trabalhou até a noite do acidente em Medellin.

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