Cidades
Golpes do falso advogado e de prêmio deixam cinco vítimas em Rio Preto
Somados, os prejuízos chegam a quase R$ 60 mil
Cinco moradores de Rio Preto registraram ocorrências de estelionato envolvendo golpes aplicados por telefone e WhatsApp. As fraudes, relatadas à Polícia Civil entre terça-feira (3) e quarta-feira (4), provocaram prejuízo informado de aproximadamente R$ 56 mil. Entre as vítimas estão idosos, trabalhadores e pessoas que aguardavam informações sobre processos judiciais.
Um dos golpes mais recorrentes foi o do falso advogado. Em dois casos, os criminosos utilizaram informações sobre ações judiciais para convencer as vítimas de que havia valores a receber e que seria necessário realizar procedimentos bancários para liberar o dinheiro.
Uma administradora de 60 anos, moradora do Residencial Jardins, recebeu uma mensagem de WhatsApp com foto e identificação visual semelhantes às de seu verdadeiro advogado, que atua em uma ação contra uma agência bancária. O interlocutor afirmou que o processo havia sido julgado favoravelmente e pediu os dados bancários para liberar o suposto pagamento.
Na sequência, a mulher recebeu uma ligação de outro homem, que se apresentou como promotor de Justiça e confirmou informações sobre o processo. Orientada a acessar o aplicativo bancário e copiar um código, ela seguiu as instruções. Depois de desconfiar da abordagem, procurou o advogado verdadeiro e descobriu que não havia decisão favorável nem liberação de valores.
Ao verificar a conta, constatou uma transferência via Pix de R$ 2.931. O dinheiro saiu de uma conta jurídica e foi destinado a uma empresa identificada, por intermédio de uma instituição de pagamentos.
Outra vítima, uma operadora de 40 anos, moradora do bairro São Deocleciano, também foi abordada com a promessa de recebimento de valores de uma ação judicial. No caso dela, o processo era contra o plano de saúde, para a realização de procedimentos cirúrgicos.
O golpista afirmou que a ação havia sido julgada procedente e que seria necessário fazer uma validação junto ao Banco Central e à Receita Federal para evitar a cobrança de impostos. A mulher recebeu links e foi orientada a inserir senhas e dados bancários.
Depois, começou a receber alertas do banco sobre movimentações atípicas. Ao consultar os extratos, identificou ao menos cinco operações que não reconheceu, incluindo transferências via Pix, uso de limite de crédito e cheque especial. Entre os valores identificados estão R$ 2.515, R$ 1.968, R$ 1 mil, R$ 327 e R$ 998, totalizando R$ 6.808. A vítima contestou as operações junto à instituição financeira.
Falso funcionário de banco
Um idoso de 78 anos, morador do Jardim Canaã, perdeu R$ 15 mil após receber uma mensagem de WhatsApp de um homem que se apresentou como funcionário de uma agência bancária onde a vítima tem conta. O caso aconteceu em 30 de outubro, mas foi registrado na terça-feira (3).
O criminoso alegou que terceiros estariam tentando acessar a conta bancária da vítima e que seriam necessários procedimentos urgentes para proteger o dinheiro. Acreditando estar falando com um representante da instituição, o idoso forneceu dados e informações de autenticação.
Depois de seguir as orientações, percebeu que havia sido realizada uma transferência via Pix de R$ 15 mil. Ele procurou o banco, que registrou a contestação e abriu uma análise interna, com previsão de resposta em aproximadamente 15 a 20 dias. A vítima também relatou problemas no celular e a perda de parte das conversas mantidas com o suspeito.
Empréstimo e transferências
No bairro Terras de São José, uma empregada doméstica de 48 anos e seu marido, um pedreiro de 46, foram vítimas de um golpe em que um homem se passou pelo advogado que ela havia contratado.
A mulher aguardava contato do profissional quando recebeu uma ligação de um desconhecido que utilizou a identidade dele. Durante uma chamada de vídeo, o criminoso orientou procedimentos no aplicativo bancário e afirmou que seriam necessárias movimentações financeiras para liberar valores relacionados ao processo e ao Imposto de Renda.
Sem perceber que se tratava de uma fraude, a vítima contratou um empréstimo pessoal de R$ 1.300, a ser pago em seis parcelas de R$ 292,17. Também realizou uma transferência via Pix de R$ 25 mil para uma pessoa física e outra de R$ 700 para uma empresa.
Segundo o boletim de ocorrência, o prejuízo informado pela mulher foi de aproximadamente R$ 31.136. O criminoso ainda tentou orientar movimentações na conta do marido, mas o casal desconfiou e entrou em contato com o verdadeiro advogado. A confirmação de que se tratava de um golpe interrompeu novas transferências.
Falso prêmio de R$ 44 mil
Uma empregada doméstica de 47 anos, moradora do Parque Estoril, perdeu R$ 204 após receber uma chamada de vídeo de um homem que utilizava identificação relacionada ao Cartão de Todos.
O interlocutor afirmou que ela havia sido contemplada com um prêmio de R$ 44 mil por manter os pagamentos do cartão em dia. Para dar credibilidade à história, apresentou-se como alguém ligado a um programa de televisão e indicou perfis em redes sociais.
A vítima recebeu um link e foi orientada a acessar o aplicativo bancário para realizar procedimentos necessários à liberação do prêmio. Ao seguir as instruções, acabou fazendo um Pix de R$ 204 para uma empresa.
O criminoso tentou convencê-la a utilizar outra conta bancária para receber uma segunda parcela do suposto prêmio, mas familiares desconfiaram da situação e interromperam o contato.
Investigação
Os cinco casos foram registrados como ocorrências de estelionato ou fraude eletrônica e deverão ser apurados pela Polícia Civil. Os relatos têm em comum o uso de informações pessoais, a falsa identidade de profissionais ou representantes de instituições e a pressão para que as vítimas realizem procedimentos bancários.
Os prejuízos informados nos boletins somam aproximadamente R$ 56 mil. O valor considera as quantias relatadas pelas vítimas, incluindo o prejuízo estimado no caso em que houve contratação de empréstimo. A recuperação dos recursos depende da análise das instituições financeiras e das investigações policiais.
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