Cidades
Você troca o dia pela noite?
Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel
Atividade física, obviamente, implica em gasto de energia, maior demanda metabólica e risco iminente de lesões em estruturas como músculos e articulações. Dessa forma, buscar o equilíbrio entre a prática esportiva e o ritmo circadiano é fundamental para atingir os melhores resultados. Realizar treinamentos físicos e, ao mesmo tempo, “brigar” contra o ritmo biológico do seu corpo não é uma estratégia interessante para quem busca emagrecimento, ganho de massa muscular, produtividade física e mental, além de uma qualidade de vida plena.
Uma situação comum que ilustra a necessidade desse equilíbrio ocorre com as mulheres no período menstrual. Existem diferentes modelos de ciclo menstrual, muitas variações hormonais, uma explosão de sintomas, como irritabilidade e insônia e, em meio a tudo isso, essas mulheres praticam atividades físicas com alta intensidade e exigência física. Outra situação muito importante diz respeito às pessoas que trocam o dia pela noite em virtude do seu trabalho. Profissionais de saúde fazem plantões noturnos, alimentam-se mal na madrugada, vivenciam situações de estresse e, ao amanhecer, seguem para a academia, buscando um bom desempenho físico.
A correlação entre o sono e os resultados otimizados da atividade física tem sido apontada como crucial por muitos especialistas. Na última década, um importante conceito foi estabelecido pela professora Ana Adan, da Universidade de Barcelona, para categorizar as pessoas quanto à programação do sono e das atividades físicas. Trata-se do conceito de cronotipo, dividido em três categorias. O cronotipo diurno é o da pessoa que dorme e acorda mais cedo, e sua maior produtividade para atividades físicas ocorre nas primeiras horas da manhã. O cronotipo noturno precisa estender o seu descanso até o início da manhã e apresenta hábitos irregulares de sono, descanso de baixa eficiência e costuma ingerir mais cafeína e/ou remédios para dormir. Por fim, existe o cronotipo intermediário, com maior flexibilidade de horários para a realização de atividades diárias e rotineiras.
Em algumas situações especiais, como na prática de atividades físicas de endurance (natação, corrida e ciclismo), alguns especialistas, como o professor Youngstedt, da Universidade da Carolina do Sul, defendem que acordar muito cedo não é uma boa estratégia para a otimização dos resultados.
Escolhas erradas em relação ao melhor horário para a prática esportiva, de acordo com o cronotipo de cada pessoa, podem impactar negativamente o nosso metabolismo cerebral. Em nosso cérebro, existe um grupo de células conhecidas como micróglia, responsáveis pela transmissão e pelo processamento das informações, além de desempenharem um papel relevante na defesa do tecido cerebral. Muitos pesquisadores têm demonstrado que a desregulação do ritmo biológico pode causar sobrecarga da micróglia, de tal forma que essas células começam a produzir uma quantidade relevante de substâncias inflamatórias. Nessa situação, a capacidade do cérebro de regular as atividades orgânicas, como é necessário durante e após os treinos físicos, fica muito prejudicada.
Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago.
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