Cidades
Júri de casal acusado de matar personal será em setembro em Rio Preto
Sidileide e Joel respondem por homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio; crime chocou a cidade e região em 2020
A Justiça de Rio Preto agendou para o dia 30 de setembro o julgamento de Sidileide Normanha da Paixão Santos e Joel Fernandes Santos, acusados de matar brutalmente a personal trainer Andressa Serantoni, em agosto de 2020. O casal, que está preso desde o crime, será submetido a júri popular.
Ambos respondem por homicídio triplamente qualificado, com agravantes de motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Eles também são acusados de tentativa de homicídio contra um vizinho que tentou ajudar Andressa e acabou ferido durante o ataque.
Crime bárbaro
O assassinato ocorreu na tarde de 12 de agosto de 2020, no bairro Anchieta, em Rio Preto. Segundo testemunhas, Sidileide alimentava ciúmes e ressentimento contra a vizinha, descrita como jovem e bonita. Na data do crime, uma discussão teve início após Andressa questionar o casal sobre o fato de estar sendo filmada.
A situação escalou rapidamente. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Sidileide segurou Andressa à força e chamou Joel, que chegou ao local portando duas facas — uma delas entregue à esposa. O casal desferiu diversos golpes na vítima, que morreu ainda no local, com ferimentos graves por todo o corpo.
Enquanto Andressa era brutalmente atacada e quase degolada, os filhos do casal estavam trancados dentro da casa. Policiais do 9º Baep encontraram as crianças assustadas. Testemunhas contaram à polícia que os menores não tinham uma rotina comum como outras crianças, e que raramente eram vistos fora da residência.
Andressa tinha 28 anos e deixou a família, o noivo, amigos e alunos. No dia em que foi morta, havia ido até a casa da mãe para alimentar seu cão. Sua irmã presenciou o crime, observando da grade do portão para dentro do imóvel, mas não conseguiu socorrê-la — também foi ameaçada e poderia ter sido assassinada.
Andressa foi atingida com mais de 30 facadas nas regiões do peito e pescoço, e não resistiu aos ferimentos. Ela morreu ainda na calçada.
Laudos psiquiátricos e decisão judicial
Exames realizados pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) indicaram que Sidileide sofre de transtorno psicótico e transtorno delirante orgânico, com recomendação de internação compulsória por dois anos. Já Joel foi diagnosticado com folie à deux, um tipo de delírio compartilhado com outra pessoa, o que pode ter limitado sua capacidade de julgamento à época do crime.
Apesar dos diagnósticos, o juiz Luís Guilherme Pião decidiu que ambos devem ser julgados pelo tribunal do júri. No caso de Joel, o magistrado entendeu que ele tem plena condição de responder criminalmente. Quanto a Sidileide, a ausência de registros médicos anteriores ao homicídio levou a Justiça a também submetê-la ao julgamento popular.
Joel já tinha passagem anterior pela Justiça. Em 2015, foi denunciado por tentativa de homicídio contra um vizinho no bairro Maria Lúcia. Na ocasião, feriu a vítima com um facão após se irritar com o barulho vindo da casa ao lado. A vítima conseguiu escapar.

(Os assassinos de Andressa: Joel Fernandes e Sidileide Normanha)
