Cidades
Investigação contra “Deolane de Rio Preto” começou após morte de apostador
Influenciadora é alvo de apuração sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro; grupo teria movimentado quase R$ 100 milhões
A investigação que culminou na Operação Destino Oculto, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (25/5), teve início após a morte de um morador de Rio Preto que perdeu dinheiro em apostas online conhecidas como “Jogo do Tigrinho”. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos no condomínio de alto padrão Damha VI e em endereços de Olímpia, onde familiares da investigada moram.
A operação teve como principal alvo uma influenciadora digital de Rio Preto. Segundo o delegado Fernando Augusto Nunes Tedde, chefe da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Rio Preto, o suicídio do apostador foi o ponto de partida para uma apuração que se estendeu por cerca de seis meses e que hoje investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à exploração de jogos de azar online.
“A investigação começou a partir do suicídio de uma pessoa que perdeu dinheiro no jogo do Tigrinho. A partir daí, foram reunidos elementos que levaram ao aprofundamento das apurações”, afirmou o delegado.
Sem comentar detalhes da investigação que resultou na prisão da mulher, Tedde afirmou que as informações divulgadas até o momento indicam semelhanças com outros casos envolvendo a promoção de plataformas de apostas online.
“Não tenho conhecimento sobre a investigação que levou à prisão da Deolane (Bezerra), mas, pela divulgação, parece muito semelhante à atividade da influenciadora de São José do Rio Preto. A investigada teria participação na atração de pessoas para jogos de azar online. Também há outras pessoas destinadas à movimentação dessas contas, algumas em nome de empresas, da própria investigada e de familiares”, explicou.
A “Deolane de Rio Preto” também teria ligação com uma organização criminosa.
De acordo com a Polícia Civil, três pessoas são investigadas diretamente no caso. O delegado afirmou ainda que a plataforma envolvida, o “Tigrinho”, já é conhecida pelas autoridades e que as investigações apontam para uma estrutura mais ampla.
“Eu acredito que essa investigada entrou em um esquema que já existia. O esquema parece ser muito antigo. Estamos reunindo elementos para chegar a novos integrantes. Alguns já estão identificados, e a investigação está sendo aprofundada”, disse.
Segundo a polícia, há suspeitas de que o grupo investigado tenha movimentado quase R$ 100 milhões por meio de contas bancárias pessoais, empresas, familiares e intermediadores financeiros, em uma tentativa de ocultar a origem e o destino dos recursos.
Por determinação judicial, foram bloqueados aproximadamente R$ 86 milhões em contas vinculadas aos investigados. Durante a operação, policiais apreenderam cinco veículos de luxo, dinheiro em espécie, em reais e dólares, documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais considerados relevantes para a investigação.
Também foi cumprido mandado de busca em um endereço ligado ao contador da investigada, apontado pelas apurações como pessoa relacionada à estrutura empresarial e patrimonial sob análise.
Os principais alvos não foram encontrados em Rio Preto durante o cumprimento dos mandados.
O delegado informou que o inquérito tramita sob sigilo judicial. Segundo ele, a divulgação dos nomes de pessoas que ainda não foram presas poderia comprometer o andamento das investigações.
“Não há interesse em divulgar os nomes porque essas pessoas não foram presas. Isso atrapalha a investigação”, afirmou.
O caso que deu origem à apuração ocorreu em 17 de setembro do ano passado. Um homem de 39 anos, identificado como Agnaldo, morreu após perder cerca de R$ 1.800 em apostas realizadas em um aplicativo conhecido como “Jogo do Tigrinho”. Segundo o registro policial, ele aguardava a esposa em um salão de beleza quando começou a jogar pelo celular. Após as perdas financeiras, entrou em desespero e atentou contra a própria vida. Socorrido e encaminhado a um hospital, não resistiu.
A Polícia Civil registrou a ocorrência e, a partir da investigação do caso, passou a reunir elementos que resultaram na operação realizada nesta semana.
Procure ajuda
Especialistas alertam que as apostas online podem provocar graves consequências financeiras e emocionais, incluindo endividamento, ansiedade, depressão e outros impactos à saúde mental. Dados de pesquisas nacionais apontam que milhões de brasileiros apresentam comportamento de risco relacionado aos jogos de apostas digitais.
Se você ou alguém próximo estiver enfrentando sofrimento emocional ou pensamentos de autolesão, procure ajuda especializada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.
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