Saúde
Só 5% dos casos de câncer de mama são hereditários, alerta oncologista
Teste genético ganhou espaço nos últimos anos, mas maioria dos tumores surge por combinação de fatores, explica especialista de Rio Preto
Receber um diagnóstico de câncer de mama costuma trazer uma pergunta quase automática: isso pode ser hereditário? Com o avanço da medicina, os testes genéticos passaram a fazer parte da rotina dos consultórios. Mas especialistas alertam que descobrir uma mutação genética não significa uma sentença definitiva.
Segundo dados do National Cancer Institute (NCI), mulheres com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem apresentar risco superior a 60% de desenvolver câncer de mama ao longo da vida. Na população feminina geral, esse risco gira em torno de 13%. Mesmo assim, a maior parte dos casos não está ligada à herança genética.
Estima-se que apenas entre 5% e 10% dos tumores de mama tenham relação direta com síndromes genéticas hereditárias. A maioria surge de forma esporádica, sem mutação familiar identificada.
“A genética aumenta o risco, mas não determina sozinha o aparecimento do câncer”, explica o oncologista Sérgio Carvalho, de Rio Preto, especialista em câncer de mama.
Segundo o médico cirurgião oncológico, com mais de 35 anos de experiência em cirurgias de mama diz que: idade, hormônios, envelhecimento celular, obesidade, sedentarismo, álcool, tabagismo e fatores ambientais estão entre os principais fatores associados ao desenvolvimento do câncer de mama. “Muitas pacientes chegam assustadas achando que qualquer caso de câncer de mama exige investigação genética. Não é assim. Existe indicação correta para esse tipo de exame”, afirma o oncologista de Rio Preto.
A investigação costuma ser indicada quando existem sinais de alerta, como câncer de mama em idade jovem, tumores bilaterais, vários casos da doença na família, câncer de ovário entre parentes, câncer de mama em homens ou associação com tumores de próstata agressiva e pâncreas.
“Nesses cenários, o teste pode ajudar não apenas no tratamento da paciente, mas também no acompanhamento preventivo da família”, diz Sérgio Carvalho.
A identificação da predisposição hereditária ajuda a definir rastreamento precoce, exames específicos e estratégias preventivas. “O mais importante é entender que predisposição não significa destino”, afirma.
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