Cidades
Apontado como ‘sintonia final’ do PCC na região vai a júri popular
Réu deverá ser julgado com roupas civis após pedido da defesa
O Tribunal do Júri de Rio Preto realiza nesta quinta-feira (18/6), a partir das 13h30, o julgamento C.R.A.S., o “Muita Treta”, acusado de matar Bruno Rodrigues de Oliveira, conhecido como “HellBoy”. O crime ocorreu em 2024, no bairro João Paulo II, e ganhou destaque durante as investigações pela suposta ligação com o tráfico de drogas e pela posição que o réu ocuparia dentro de uma facção criminosa com atuação na região.
Bruno tinha 23 anos quando foi assassinado na tarde de 14 de fevereiro de 2024. Conforme o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados após denúncias de disparos de arma de fogo na Rua Roque Romano. Ao chegarem ao endereço, encontraram a vítima já sem sinais vitais, com um ferimento grave na testa.
A investigação apontou que o jovem morreu ainda no local. Laudos periciais e demais provas reunidas pela Polícia Civil passaram a integrar o inquérito que resultou na denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Segundo a acusação, o homicídio teria sido motivado por divergências relacionadas ao comércio de drogas. A apuração indicou que a vítima estaria negociando entorpecentes para usuários ligados a outra área de atuação do tráfico, situação que teria provocado conflitos e culminado no assassinato.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou o acusado como suspeito da execução. Conforme consta nos autos, ele seria conhecido pelo apelido de “Muita Treta” e ocuparia a função de “Sintonia Final da 017”, referência à região de Rio Preto, dentro da estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A expressão “Sintonia Final” é utilizada em investigações sobre a facção para designar postos de liderança e coordenação dentro da organização criminosa. Segundo autoridades de segurança pública, a estrutura é associada aos níveis mais elevados de comando do grupo.
C. foi preso em 7 de março de 2024. Inicialmente detido por meio de prisão temporária, ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça no mês seguinte. Na decisão, o magistrado destacou a gravidade dos fatos investigados e os elementos reunidos durante a apuração.
O Ministério Público denunciou o réu por homicídio qualificado por motivo torpe e porte ilegal de arma de fogo. Após a fase de instrução processual, a Justiça decidiu submetê-lo ao Tribunal do Júri. A defesa recorreu da decisão de pronúncia, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve o julgamento popular.
A acusação será conduzida pelo promotor de Justiça Horival Marques de Freitas Júnior. Já a defesa ficará a cargo do advogado Vitor Hugo de Souza Nogueira.
Nos dias que antecederam a sessão, a defesa protocolou pedido para que o acusado participe do julgamento utilizando roupas civis. O argumento é que a apresentação com uniforme prisional poderia influenciar a percepção dos jurados e comprometer a plenitude de defesa. O requerimento cita entendimentos do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Justiça de São Paulo favoráveis à participação de réus presos sem trajes carcerários durante sessões do Tribunal do Júri.
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