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Vamos falar sobre suicídio na adolescência?
Artigo escrito pela psicóloga, Mariana Silva Galbiati
Estamos no mês da conscientização da prevenção contra o suicídio, conhecido como Setembro Amarelo. Esse tema, também engloba jovens e adolescentes? Sim. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é responsável por 800 mil mortes anualmente. Na faixa etária de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte.
Nos últimos 10 anos, as taxas de tentativas de suicídio somadas ao próprio suicídio tem aumentado entre jovens e adolescentes.
A tentativa de autoagressão ou automutilação é uma das principais causas de emergência psiquiátrica em hospitais gerais. Muitas vezes é um comportamento para se punir, ou comunicar alguma dor emocional. Geralmente são cortes ou ferimentos na pele (barriga, braço e pernas), com facas, vidro, gilete ou outros objetos cortantes, impedimentos de cicatrização de feridas, atos como se morder, se queimar ou se furar propositalmente com objetos pontiagudos.
E essa autoagressão, para o jovem que comete o ato, é como enfrentar uma dor física para conseguir superar a dor emocional e psicológica. Muitos dos adolescentes referem que após se cortarem conseguem se acalmar, mesmo que momentaneamente.
É grande o número de pessoas que tentam suicídio e que possuem um histórico de autoagressão, portanto podemos afirmar que ambos estão fortemente relacionados.
O jovem que vê o suicídio como um alívio ou solução para seus problemas merece maior atenção, principalmente nos casos em que está sofrendo pressão de estressores ambientais, conflitos internos, se sentindo só, ou com pensamento de que ele é o problema, ou o fardo para os demais. Além disso, baixa autoestima, dificuldade de expressar sentimentos e emoções, o tornam vulnerável para comportamentos inadequados.
Na maioria dos casos de suicídio, o jovem, naquele momento do ato está enfrentando algum transtorno mental ou do humor. Pacientes com transtorno bipolar apresentam maiores riscos de tentativas de suicídio do que a população que não apresenta algum tipo de transtorno.
Os jovens passam por mudanças comportamentais e de humor, que podem gerar angústia, confusão, assim como relações conturbadas com seus pais e grupos sociais com quem convivem. Essas mudanças refletem na queda do rendimento escolar, no isolamento social, em conversas sobre sentido da vida, em distorções da realidade em que estão inseridos, e isso ocorre por não ser apenas um mal-estar passageiro e sim uma dor emocional que não conseguem exprimir, e por vezes torna-se insuportável. As mudanças de comportamento e as ameaças de suicídio precisam ser analisadas com seriedade, é importante ouvir aquele adolescente e entender qual é o seu problema e quais as razões que o levaram a pensar que o suicídio seria a solução de seu sofrimento.
Hoje, há ainda muitos pensamentos distorcidos diante dessa realidade, como: “quem quer se matar não avisa”, ou “o suicídio é covardia”. Não! O suicida não quer morrer, e sim apenas parar de sofrer, e ele acredita que o suicídio seja a solução para sua dor.
Infelizmente, às vezes esses atos acontecem, sem que as pessoas possam dar algum sinal, mas muitas vezes ocorre que nós não percebemos os sinais, não o interpretamos de maneira correta para que possamos tomar a melhor atitude, porém isso não é motivo para um pai, mãe, amigo ou professor se sentir culpado, temos nossa limitação, e é muito difícil e doloroso lidar com essa ideia de que aquela pessoa poderia em algum momento cometer um suicídio.
É importante atenção nesse momento! O adolescente precisa de ajuda, faz-se necessário acompanhamento com profissionais da saúde como psicólogos e psiquiatras para ajudá-lo a trabalhar suas habilidades socioemocionais, regular as emoções, melhorar seus relacionamentos, lidar com estresse e assim superar suas dificuldades. É de grande importância também, que a família o compreenda e ofereça acolhimento emocional.
Mariana Silva Galbiati, Psicóloga.
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