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Coração e drogas

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel

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Homens e mulheres, em proporção praticamente igual, consomem drogas ilícitas, em conjunto com cigarro e bebidas alcoólicas, mesmo tendo plena consciência dos riscos.

As drogas ilícitas produzem efeitos orgânicos sobretudo cardiovasculares, como arritmias cardíacas, hipertensão arterial, hipertrofia do coração, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Estas drogas são compostas de substâncias, cujo mecanismo de ação mimetiza uma descarga de adrenalina.

Numa descarga adrenérgica, os mais relevantes sintomas e sinais são taquicardia, sudorese fria, náuseas, dor de estômago, vômitos, tonturas e palidez cutânea. A descarga adrenérgica desencadeada pelas drogas ilícitas é resultado do intenso espasmo de veias e artérias, reduzindo abruptamente o fluxo sanguíneo e oxigenação de órgãos e tecidos.

Como já salientado, o coração é órgão alvo dos efeitos produzidos pelas drogas ilícitas. A morte súbita é a mais extrema ocorrência relacionada. Implica na parada do coração mediante vasoespasmo difuso das artérias coronárias, as quais são responsáveis pela oxigenação do miocárdio.

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As drogas ilícitas também promovem mudanças psíquicas e comportamentais, como ansiedade excessiva, depressão, falhas de memória, dificuldade de concentração e irritabilidade.

Assim, o consumo de drogas ilícitas desencadeia efeitos cardiovasculares que simulam uma descarga adrenérgica e, por outro lado, promove alterações comportamentais que geram descarga adrenérgica de forma direta por meio da liberação dos hormônios de estresse. Trata-se de um processo contínuo e vicioso, que pode ter como desfecho a morte súbita.

Existem estratégias farmacológicas e não farmacológicas disponíveis, para auxiliar pessoas dependentes de drogas. O trabalho conjunto de psiquiatras, clínicos e cardiologistas exerce papel fundamental na orientação acerca dos mais apropriados medicamentos que podem ser empregados, visando eliminar este vício e suas complicações neurológicas e cardiovasculares. Terapias de grupo, sem necessidade imediata do uso de medicamentos, também podem colaborar sobremaneira nesta árdua batalha.

A conscientização acerca do risco cardiovascular acentuado, atribuído ao consumo de drogas ilícitas, é um fato certamente consumado na sociedade moderna. No entanto, o primeiro passo para vencer este vício é o poder da iniciativa, o livre-arbítrio que direciona para mudar o paradigma de vida. Desfazer-se de um estado cômodo de conforto, de um falso prazer de socialização, exige soberania da razão sobre a tentação. Saber que o consumo de drogas pode culminar com a morte cardíaca súbita e, mesmo assim insistir nesta conduta, demonstra irresponsabilidade, total desapego a vida e descaso com seus entes queridos.

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Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago.

 

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