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Edinho diz que Temer tem de provar inocência

Sobre sua atuação no Ministério dos Portos por indicação do ex-presidente, o prefeito afirma não ter ‘nenhum desvio, nenhum malfeito’

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O prefeito de Rio Preto Edinho Araújo (MDB) lamentou a prisão do ex-presidente da República Michel Temer (MDB), em São Paulo, na manhã de quinta-feira, dia 21, pela força-tarefa da Operação Lava Jato do Rio de Janeiro. Durante coletiva à imprensa para anunciar investimentos no sistema de tratamento e distribuição de água na cidade, Edinho foi questionado sobre o assunto.

“Lamento o ocorrido e espero que ele prove sua inocência. Vivemos em um Estado Democrático de Direito”, disse o prefeito. Temer e Edinho têm longa história política. Os dois foram por anos colegas de bancada no Congresso Federal, além de militarem no mesmo partido, o MDB, antigo PMDB.

Em 2017, primeiro ano do novo governo de Edinho à frente da Prefeitura, o então presidente Michel Temer, que afirma ser amigo pessoal do prefeito, esteve em Rio Preto. Na ocasião prometeu que daria agilidade no avanço da obra de duplicação da BR-153 e que a entregaria junto de Edinho no fim do mandato presidencial, em dezembro do ano passado. Fato que não ocorreu.

No entanto, o ex-presidente autorizou repasses de recursos federais de R$ 100 milhões em 2017, R$ 70 milhões em 2018 e havia a previsão de R$ 60 milhões no Orçamento Geral da União para 2019 para concluir a duplicação.

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Edinho já foi Ministro dos Portos por cerca de 10 meses, em 2015, durante o mandato de Dilma Rousseff (PT). Na época, ele foi indicado ao cargo por Temer. Em março do ano passado, a Polícia Federal esteve no prédio onde mora Edinho em Rio Preto. A PF disse à época que o prefeito foi intimado a depor na Operação Skala, que investiga se o ex-presidente Temer, por meio de decreto, beneficiou empresas do setor portuário em troca de suposto recebimento de propina.

Questionado pela Gazeta de Rio Preto se Temer pode vir a ser obrigado a prestar depoimento no que ficou conhecido como “inquérito dos portos” e se isso o preocuparia, Edinho disse que “não tem nenhum desvio, nenhum malfeito”. Sobre se sua imagem ficaria abalada por ter forte ligação com ex-presidente, ainda mais depois de ter sido indicado por ele para ocupar o Ministério dos Portos, Edinho afirmou que fala por si. “Respondo pelos meus atos. O presidente Michel Temer ajudou muito Rio Preto, o apoio que deu a BR-153 e o Instituto Federal. Nós não podemos nos esquecer de que ele foi extremamente útil nas demandas que levamos até ele desde quando éramos parlamentares. Com a aprovação do orçamento e depois a liberação de recursos”. Questionado se colocaria a mão no fogo pelo amigo de partido, Edinho disse que “Michel Temer é meu amigo e um homem honrado”.

Sobre a prisão

O ex-presidente Michel Temer foi preso em São Paulo pela força-tarefa da Lava Jato do Rio de Janeiro. Os agentes também prenderam o ex-ministro Moreira Franco no Rio e o coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer. A PF cumpriu, ao todo, 10 mandados de prisão.

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O ex-presidente falou por telefone ao jornalista Kennedy Alencar, da CBN, no momento em que havia sido preso. Ele afirmou que a prisão “é uma barbaridade”. A prisão teve como base a delação de José Antunes Sobrinho, dono da Engevix.

O empresário disse à PF que pagou R$ 1 milhão em propina, a pedido do coronel João Baptista Lima Filho (amigo de Temer), do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento do presidente Michel Temer.

A Engevix fechou um contrato em um projeto da usina de Angra 3. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Engevix foi subcontratada porque as empresas que haviam vencido a licitação não tinham “pessoal e expertise suficientes para a realização dos serviços’. Os vencedores eram a AF Consult do Brasil e a Argeplan, empresa do coronel Lima. “No curso do contrato, conforme apurado, o coronel Lima solicitou ao sócio da empresa Engevix o pagamento de propina, em benefício de Michel Temer”, diz nota do MPF.

A força-tarefa da Lava Jato diz que a propina foi paga no final de 2014 com transferências totalizando R$ 1,09 milhão da empresa Alumi Publicidades para a empresa PDA Projeto e Direção Arquitetônica, controlada pelo coronel Lima. As empresas fizeram contratos fictícios para justificar as operações financeiras. As investigações apontam que os pagamentos feitos à empresa AF Consult do Brasil causaram o desvio de R$ 10,8 milhões, ao se levar em conta que a empresa não tinha capacidade técnica para cumprir o contrato. A ação desta quinta é um desdobramento das operações Radioatividade, Pripyat e Irmandade (Com informações da Agência Brasil).

 

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