Política
Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 30 de junho
Jornalista Bia Menegildo traz as principais notícias do poder regional
O beijoqueiro
O deputado estadual Itamar Borges (MDB) continua em uma escalada para tentar conquistar o eleitor rio-pretense. Na última sexta-feira (23), ele participou da cerimônia de inauguração da UBS do bairro Fraternidade II, ao lado do prefeito Edinho Araújo (MDB). Itamar fez questão de cumprimentar um por um dos presentes, sem distinção de raça, cor, sexo, idade e cargo. Como sempre, o deputado distribuiu muitos beijos.
Inconveniente
Um manifestante, o mesmo que foi conduzido para fora da Câmara pelos agentes da Guarda Civil Municipal (GCM), foi até o evento e, munido de um megafone, fez muita gente ficar preocupada e rir ao mesmo tempo. Em uma manifestação atrasada, o homem gritava para que os políticos saíssem do bairro. Depois de dizer que “a Zona Norte não precisava daqueles corruptos”, alguém o alertou e, em uma tímida fala, o manifestante se corrigiu: “acabo de ser informado que aqui é Zona Sul, mas é bairro de pobre”.
Incomodados
O evento não teve imprevistos. Porém, quem ouviu atentamente aos discursos fez caras e bocas durante as falas. Bruno Moura (Patriota), como não poderia ser diferente, pegou o microfone e atacou o deputado estadual Valdomiro Lopes (PSB) com frases como “deputado de portão” e “só fica criticando e não faz nada pela cidade”. Moura, querendo ou não, desmereceu o ex-prefeito médico na frente de colegas da área da Saúde. Foi possível ouvir, em uníssono, um “vixi” do público.
“Até tu, Brutus!”
Outro que aproveitou o microfone disponível para desabafar foi o vereador Celso Peixão (MDB). Depois de elogiar Edinho, o parlamentar entrou no clima e disparou. Partidário do prefeito, Peixão foi um pouco mais discreto, mas não deixou de atacar. “A gente sabe bem de onde está vindo esta manifestação”, disse no palco. Questionado posteriormente, o vereador não disse nomes. “É claro que partiu de um partido com pré-candidato a prefeito e a gente sabe bem quem é”, declarou Peixão.
Com a palavra, o prefeito
Edinho era um dos principais alvos do manifestante eufórico. A verdade é que o homem proferiu o nome do prefeito com adjetivos pesados, que beiraram a ofensa. Entre as críticas infundadas, estava até uma acusação de que o chefe do Executivo seria o culpado pelo reajuste no salário dos vereadores. No discurso, Edinho não deixou barato. O prefeito pouco falou do homenageado, Dr. Manoel Carlos Libano dos Santos, que deu nome à UBS, mas rasgou o verbo falando de respeito à democracia.
O veto na corda bamba
Em entrevista, Edinho não descartou a possibilidade de vetar, em partes, os reajustes dos salários de prefeito, vice-prefeito e secretários. O emedebista falou sobre o que ele chamou de “índices fora da realidade do país” e disse que estava ouvindo membros da equipe sobre atitudes possíveis de serem tomadas. Edinho garantiu que uma delas seria vetar o reajuste escalonado, mas deixou um mistério no ar e não confirmou qual seria a decisão final.
Por outro lado
Nos bastidores, a conversa é bem diferente. Apesar do prefeito criticar o reajuste e dizer que ainda está pensando, o secretário de Governo, Jair Moretti, teria reunido alguns vereadores e falado sobre uma “correção inflacionária”. Na reunião informal, foram mostrados dados que comprovam que os índices adotados ainda estariam abaixo da inflação registrada no período em que é possível perceber uma defasagem salarial de cargos eletivos e de confiança. Um forte trabalho de convencimento para que ninguém durma com a consciência pesada.
Na esquerda
Por mais que o vereador João Paulo Rillo (PSOL) não tenha descartado concorrer ao cargo de prefeito nas próximas eleições, aparentemente está tudo parado na esquerda. Rillo já disse publicamente que não tem mais interesse em concorrer para vereador, mas não afirmou que quer entrar na briga para prefeito. Ele também já deixou claro que é “homem de partido” e que acatará as decisões da legenda. O grande problema de Rillo tem sido a federação do PT.
O cenário
PT, PV e PCdoB se juntaram em uma federação que acabou ganhando o PSOL de penduricalho. Quando se pega o cenário de Rio Preto, isoladamente, a debandada do PT para o PSOL deixou somente um dos partidos fortalecido e, pior, rachou a esquerda de uma forma que, muitos dizem, ser irreparável. Disputar a eleição majoritária em uma cidade com mais de 200 mil eleitores em um partido que não é o mesmo do presidente da República, é uma missão quase impossível.
Dificuldades para agregar
A esquerda não agrega votos em Rio Preto. Existe uma parte da população que é engajada com a história dos filiados e que se tornou eleitor fiel. Muitos rio-pretenses acham que os mandatos de vereador do PT e do PSOL são um tipo de “oposição necessária”. No entanto, o conservadorismo interiorano é algo enraizado. Por mais que gostem dos vereadores da esquerda, um prefeito de esquerda é completamente impensável para alguns.
No futuro
Rillo não é inocente e deve saber que, se concorrer a prefeito, tem enorme chance de ficar sem mandato por, pelo menos, dois anos. O período pode ser crucial para cair no esquecimento e não conseguir emplacar para deputado no futuro. Apesar de tudo isso, parece que a esquerda continua inerte. As três legendas da federação e o PSOL parecem não se preocupar em criar laços com outros partidos como, por exemplo, o PDT. Está tudo parado por lá, por enquanto.
Muita calma nessa hora
A dificuldade de projeção de Itamar Borges como candidato a prefeito de Rio Preto deu abertura para uma teoria que está correndo de boca em boca. Com baixa pontuação em pesquisas eleitorais extraoficiais, o deputado estadual poderia recuar na disputa. Dizem que há uma chance de ele deixar de se lançar candidato a prefeito e acabar por apoiar algum candidato que hoje é tido como concorrente. Poderia ser a coronel Helena Reis, do Republicanos, ou o Fábio Marcondes, do PL.
Aos números
Apesar das pesquisas não serem oficiais, os números apontam para uma disparada do deputado estadual Valdomiro Lopes como o queridinho da população. O ex-prefeito teria passado de 23 para 24 pontos nos últimos levantamentos. Os dados têm deixado um clima de desânimo dentro do MDB. Há quem diga que as novas pesquisas devem mostrar para qual lado Edinho deve pender. Apoiar coronel Helena não estaria completamente descartado ainda.
O carro na frente dos bois
Por incrível que pareça, mesmo depois de votar a favor das medidas impopulares, como o aumento de cadeiras e de salários, tem vereador com a certeza de que será reeleito e já está até se movimentando para ser o futuro presidente da Câmara. Independentemente de nomes, a articulação prévia desconsidera que antes de pensar em entrar em uma disputa interna, é necessário conseguir votos da população na próxima eleição. Não tem como ser presidente do Legislativo sem um mandato.
Lotou
A Câmara de Rio Preto ficou lotada, na noite desta quinta-feira (29), na entrega do título de Cidadão Honorário Rio-pretense para Itamar Borges e o ex-deputado federal Geninho Zuliani (União Brasil). Prevendo que as galerias iriam ficar abarrotadas de gente, um telão foi instalado do lado de fora do prédio. Sobrou lugar do lado de fora, enquanto se acotovelaram do lado de dentro.
Ele falou
As duas homenagens foram propostas há tempos pelo vereador Francisco Júnior (União Brasil). A de Itamar estava engavetada desde 2020 e a de Geninho foi aprovada no ano passado. Enquanto a cerimônia era realizada, os bastidores estavam fervendo de gente e de conversa. Entre os risos mais contidos, surgiu a ironia de que Júnior, pela primeira vez em três mandatos, estava usando a tribuna.
Atentos
Era a noite de Júnior brilhar. E brilhou a ponto de incomodar. Quando o presidente da casa, Paulo Pauléra (Progressistas), foi fazer uso da palavra, convidou Júnior para assumir a presidência. Foi visível o momento em que Anderson Branco (PL) redobrou a atenção e ficou com o olhar fixo para a mesa. O vice-presidente da Câmara estava no plenário, cercado pelos emedebistas Jean Dornelas e Celso Peixão.
Presenças
Entre os presentes, estavam também o deputado federal e presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, o prefeito, o vice-prefeito Orlando Bolçone (União Brasil), o presidente da Acirp Kelvin Kaiser, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária Beto Perosa, o juiz da Vara da Infância e Juventude Evandro Pelarin, muitos secretários municipais e até ex-vereadores e ex-candidatos.
After
Depois da cerimônia recheada de engravatados, foi a hora de servir o jantar na garagem do prédio. Dizem que foram distribuídos ao menos dez barris de chope. Como acompanhamento, havia minisanduíches, salgadinhos fritos, ceviche e caldo de mandioca com carne. Um banquete para quem foi ali conversar e rever amigos. Itamar e Edinho saíram abraçando um por um. Já o Geninho não foi visto por ali.
