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CPI da Zona mira imóveis abandonados e furtos recorrentes no Jardim Paraíso

Moradores relataram roubos constantes, insegurança e avanço da degradação urbana

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Divulgação/TV Câmara
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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Câmara de Rio Preto para investigar problemas na região do Jardim Paraíso, conhecida como “Zona do Meretrício”, direcionou nesta semana os trabalhos para uma das principais reclamações dos moradores: o abandono de imóveis que, segundo denúncias, têm servido de abrigo para usuários de drogas, pessoas em situação de rua e criminosos envolvidos em furtos na região.

Entre quarta-feira (10) e quinta-feira (11), a comissão ouviu moradores e o coordenador da Defesa Civil, Ivair da Silva. Os depoimentos apontaram um cenário de insegurança crescente, marcado principalmente pelo furto de fios de cobre, invasões de imóveis e deterioração de áreas residenciais e comerciais.

Durante reunião realizada na quinta-feira, os vereadores Alexandre Montenegro (PL), presidente da CPI, e Pedro Roberto (Republicanos), relator, questionaram a Defesa Civil sobre as providências adotadas diante de denúncias envolvendo imóveis abandonados e sem manutenção.

Segundo Ivair da Silva, o órgão atua orientando os proprietários a manterem seus imóveis conservados, limpos e sem riscos estruturais, mas cabe às secretarias competentes executar medidas administrativas e fiscalizatórias.

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“A Defesa Civil orienta os proprietários e encaminha as situações identificadas para os órgãos responsáveis tomarem as providências cabíveis”, explicou.

O coordenador reforçou que a população deve comunicar casos de imóveis com risco estrutural, mato alto, invasões ou qualquer situação que coloque vizinhos em perigo. Ele também destacou que os proprietários podem ser penalizados caso não cumpram suas obrigações de manutenção.

Moradores relatam rotina de furtos

Na primeira audiência da CPI, realizada na quarta-feira, comerciantes e moradores relataram prejuízos frequentes causados por furtos e pela sensação de abandono da região.

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Uma comerciante do Jardim Mugnaini, identificada com nome fictício para preservar sua identidade, afirmou que perdeu a conta de quantas vezes teve o estabelecimento alvo de criminosos.

“Não há uma casa ou loja em toda a região que não foi roubada. Não temos paz. Arrumamos os fios e, no outro dia, tentam roubar novamente”, declarou.

Ela também chamou atenção para a existência de estabelecimentos de compra de materiais recicláveis que funcionariam ininterruptamente na região, facilitando a comercialização de fios furtados.

Já uma moradora do Jardim Itapema relatou viver ao lado de um imóvel abandonado que, segundo ela, é utilizado como ponto de tráfico de drogas.

“Para abrir o portão e entrar em casa preciso olhar para os lados várias vezes. Se demoro a fechar a entrada, sei que alguém vai tentar pegar alguma coisa”, afirmou.

Segundo a moradora, o abandono de imóveis desencadeou um ciclo de degradação no bairro. O esvaziamento residencial e comercial teria favorecido a criminalidade, enquanto a falta de manutenção das áreas públicas contribui para o aumento da sensação de insegurança.

Próximos passos

A CPI foi criada para investigar denúncias relacionadas à exploração sexual, tráfico de drogas, furtos e outros crimes que afetam a região do Jardim Paraíso. O objetivo é elaborar um relatório com propostas de ações para enfrentar os problemas apontados pelos moradores.

Entre os próximos depoimentos previstos está o do secretário interino de Saúde, Mauro Alves, que deverá apresentar informações sobre as condições sanitárias da região, incluindo reclamações sobre proliferação de mosquitos e escorpiões em imóveis abandonados.

“O Poder Público é omisso nas suas responsabilidades com estes moradores que sequer estão sendo acolhidos em suas reclamações”, afirmou o presidente da CPI, vereador Alexandre Montenegro.

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