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Erisipela, a doença que motivou a internação de Jair Bolsonaro

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel

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Independente da sua preferência política ou partidária, a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro por erisipela representa uma oportunidade para conhecermos melhor este quadro infeccioso que acomete o sistema circulatório. Por ser uma doença sem a notoriedade da trombose venosa profunda, da embolia pulmonar ou do aneurisma de aorta, a erisipela ocupa um espaço ainda discreto na mídia, sendo alvo de poucos debates e discussões.

A erisipela constitui uma doença que preferencialmente acomete pacientes imunodeprimidos, diabéticos ou com feridas nos pés. As fissuras, as lesões de pele, as rachaduras e as micoses interdigitais representam a principal porta de entrada para o processo bacteriano, que demonstra preferência pela colonização do sistema circulatório, em especial dos vasos linfáticos, responsáveis pela drenagem do excesso de líquido intersticial.

O trajeto percorrido pelos vasos linfáticos nos membros inferiores termina nos gânglios inguinais. Portanto, o quadro clínico da erisipela envolve a presença de febre e aumento dos linfonodos na região inguinal. Além disso, a vermelhidão nas pernas, o inchaço e a dor no membro constituem manifestações clínicas sugestivas do quadro infeccioso. Como todo processo inflamatório e infeccioso, observamos na gênese do quadro clínico, a presença de sintomas, tais como mal-estar, calafrios, dor de cabeça, dor nas articulações e fraqueza.

Em muitos casos, o inchaço nas pernas, decorrente do quadro infeccioso dos vasos linfáticos, sugere o diagnóstico diferencial com a trombose venosa profunda, que pode ser confirmado ou descartado após a realização do doppler vascular. Em sua história natural, a trombose venosa profunda não é acompanhada por quadro febril e por linfonodomegalia inguinal, o que por si só já diferencia a trombose do quadro infeccioso bacteriano. Apesar disso, descartar eventos trombóticos é sempre importante para reduzir o risco de embolia pulmonar.

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O diagnóstico da erisipela é clínico e envolve a análise em conjunto da história, do exame físico e dos sintomas relatados por cada paciente. Em casos avançados, observa-se a presença de formações bolhosas nas pernas, conhecido como “erisipela bolhosa”, uma evolução que pode exigir internação hospitalar e tratamento com antibioticoterapia endovenosa.

A destruição dos vasos linfáticos, como consequência do processo infeccioso e inflamatório, pode resultar em edema nos membros inferiores, com características compatíveis com linfedema, o que prejudica a qualidade de vida dos pacientes e pode interferir na plena recuperação do membro acometido. Para maiores informações, acesse o site www.drsthefanovascular.com.br.

Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel. Doutor em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, especialista nas áreas de Cirurgia Vascular, Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular e coordenador do curso de Medicina da União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago).

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