Cidades
Etec e Fatec de Rio Preto não aderem greve estadual
Trabalhadores reivindicam reajuste salarial que reponha a inflação
A Faculdade de Tecnologia e a Escola Técnica Philadelpho Manoel Gouveia Neto, de Rio Preto, não aderiram a greve estadual e continuam funcionando normalmente. O Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza não atendeu as ligações da reportagem.
Nesta terça-feira (8/8), professores e funcionários das escolas técnicas estaduais (Etecs) e faculdades de tecnologia (Fatecs) do estado de São Paulo entraram em greve por tempo indeterminado. Pelo menos 90 unidades, de 310, aderiram ao movimento em todo o estado, informou o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps).
A unidade instalada em Rio Preto não atendeu a ligação da reportagem.
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial que reponha a inflação, definição de data para pagamento do bônus da educação e definição das discussões sobre a carreira. Em 13 de julho, os trabalhadores fizeram paralisação de um dia como alerta.
“Estamos entrando em greve porque nossa pauta não foi atendida nos itens econômicos mais importantes. O reajuste salarial ficou muito aquém daquilo que deveria, que seria pelo menos repor a inflação do período. O bônus não tem ainda uma data correta para o pagamento, e a questão da carreira, que era para fechar a discussão em junho e ir para o governo estadual, ainda não tem data. E já estamos tentando esse diálogo desde janeiro”, disse a secretária-geral do Sinteps, Neusa Santana Alves.
Segundo Neusa Alves, quando o governo estadual anunciou que reajustaria o salário para a segurança em até 34%, a categoria acreditou que seu reajuste seria a partir de 15%, mas o aumento oferecido foi de 6%. “Quando ele [governo] falou que iria verificar o valor para os outros setores, nós imaginávamos que não seria uma coisa tão boa, mas que seria minimamente a inflação do período. A insatisfação é geral”.
Neusa destacou que o descontentamento ocorre também porque, durante o período da pandemia de covid-19, todos os servidores cederam os seus benefícios, como sexta parte e quinquênios, entre outros e que não foram repostos, como se acreditava que aconteceria. “Na verdade, não foi não houve compromisso nem do governo anterior, nem do atual. Tudo isso acabou acarretando mais ainda a questão do arrocho salarial de todos.”
De acordo com o sindicato, a realização do ato no campus da Fatec tem o objetivo de demonstrar indignação com a decisão do governo estadual de “ceder” as instalações do prédio a uma universidade privada. Além de reforçar os quatro eixos da greve (reajuste, bônus, carreira e defesa das escolas do centro), o ato também dará visibilidade à luta contra a entrega do prédio histórico, que conta com o apoio das entidades estudantis.
O governo estadual foi questionado sobre o tema, mas ainda não se posicionou.
Por meio de nota, recebida nesta quarta-feira (9), o Centro Paula Souza informou que o bônus da educação será pago em outubro, podendo ser antecipada para setembro, e que os reajustes salariais aplicados aos servidores foram acima da inflação. Confira o posicionamento na íntegra:
“O Centro Paula Souza (CPS) trabalha para valorizar os servidores da instituição. A Bonificação por Resultados (BR), referente ao ano de 2022, por exemplo, já foi publicada no Diário Oficial do Estado e será paga até outubro, podendo ser antecipada para setembro.
A atual gestão, já em seu primeiro ano de governo, concedeu um reajuste acima da inflação para os servidores públicos.
O estudo para o novo Plano de Carreiras dos servidores do CPS está em andamento e contava, até o dia 23 de junho, com a participação de representantes do sindicato, que optaram por se desligar do grupo de trabalho. A proposta do novo plano de carreira será encaminhada às instâncias responsáveis pela sua análise até setembro, e as contribuições do Centro Paula Souza serão avaliadas.
O investimento nas Etecs e Fatecs para ampliar as oportunidades de acesso à formação profissional gratuita em São Paulo é compromisso da atual gestão.
A instituição adotará todas as medidas necessárias para garantir que os estudantes não sejam prejudicados.
De acordo com levantamento parcial, realizado até as 14 horas de ontem (8), 18% dos professores de Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e das Faculdades de Tecnologia do Estado (Fatecs) com aulas no período da manhã aderiram à paralisação. É importante destacar que em apenas 6 das 228 Etecs, o equivalente a menos de 3%, houve paralisação total, fazendo com que esses estudantes não tivessem atividades no período matutino. Nenhuma Fatec interrompeu as atividades pedagógicas.”
(Com informações de Agência Brasil)
Reportagem atualizada em 09/08/2023, às 13h22
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