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“Super Enzo” emociona o Mirassol ao entrar em campo no Maião

Menino de 8 anos com doença rara, de Mirassol, realizou o sonho de viver a experiência de um dia de jogo

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Arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto
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O último sábado (23/5) ficará para sempre na memória de Enzo, de 8 anos, de Mirassol. Conhecido carinhosamente pela família como “Super Enzo”, o menino realizou um sonho que parecia simples para muitas crianças, mas que para ele representava uma conquista gigantesca: entrar em campo no Estádio José Maria de Campos Maia, o Maião, antes de uma partida do Mirassol Futebol Clube.

Diagnosticado com Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 1, uma doença degenerativa rara que compromete os movimentos do corpo, Enzo sempre acompanhou os jogos do Mirassol pela televisão. Apaixonado por futebol, ele vibrava a cada partida assistida de casa, mas os pais, receosos com a quantidade de pessoas, o barulho e toda a movimentação de um estádio, nunca haviam conseguido proporcionar essa experiência ao filho.

“Era um sonho nosso levar o Enzo para assistir a um jogo, como tantos pais fazem com seus filhos. Toda criança vai ao estádio e nós também queríamos que ele tivesse essa experiência. Não só essa, mas tantas outras que ainda queremos mostrar para ele”, conta a mãe, a enfermeira Luana Mara Braga, de 31 anos.

A realização do sonho começou graças à conexão da família com o clube. O pai de Enzo, Anderson Dias da Silva, de 36 anos, professor de beach tênis, dá aulas para algumas esposas de jogadores do Mirassol. Ao saberem da história do menino, as esposas dos atletas Chaylon, Iury Lara e Alisson decidiram preparar uma surpresa.

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Elas providenciaram a roupa de mascote e conseguiram autorização para que Enzo entrasse em campo antes da partida.

“Foi uma surpresa muito emocionante. Quando recebemos a notícia, fomos correndo contar para ele. O Enzo entende tudo o que falamos. Ele ficou muito feliz e demonstrou isso do jeito dele”, lembra a mãe.

A ansiedade tomou conta da casa nos dias que antecederam o jogo. Na manhã de sábado, Enzo acordou cedo e passou horas aguardando o momento tão esperado.

“Ele estava ansioso. Nós nos comunicamos muito pelas expressões corporais e faciais dele e dava para perceber a felicidade que estava sentindo”, relata Luana. Apesar da alegria, os pais ainda carregavam um receio.

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“O nosso medo era a reação dele. Não sabíamos se ele poderia se assustar com a quantidade de pessoas, os torcedores, as câmeras, as fotos. Ele não está acostumado com esse tipo de ambiente.”

Mas o comportamento de Enzo surpreendeu a todos.

“Ele foi maravilhoso. Foi um super mocinho. Se comportou muito bem, aproveitou cada momento. O tempo todo parecia feliz, sorridente. Depois conversamos com ele e ele expressou que tinha gostado muito e que aproveitou tudo.”

Durante toda a experiência, Anderson permaneceu ao lado do filho.

“O Anderson deu muita segurança para ele. Ficou o tempo todo explicando o que estava acontecendo e ajudando ele a se sentir tranquilo.”

Além da emoção de entrar em campo, a família destaca o acolhimento recebido. “Foi maravilhoso. Todos os profissionais do Mirassol nos conduziram do início ao fim. A acessibilidade foi nota 10. Nós nos sentimos muito acolhidos e o Enzo principalmente. Todo mundo falava com ele.”

Para os pais, o tratamento recebido teve um significado ainda maior.

“Nós, que somos pais atípicos de uma criança com necessidades especiais, sempre temos medo da forma como vão tratar nosso filho. Mas eles fizeram de tudo para dar certo, para acolher a gente. Isso nos deixa muito felizes.”

A gratidão da família se estende às esposas dos jogadores que ajudaram a tornar o sonho possível e também a todos os profissionais envolvidos na partida. “Agradecemos muito às meninas que fizeram esse sonho virar realidade, mas também a toda a equipe do Mirassol, jogadores, equipe de filmagem, árbitros e todos os profissionais que participaram desse momento.”

Como lembrança de um dia inesquecível, Enzo ainda recebeu uma camiseta autografada pelos atletas.

O nascimento do “Super Enzo”

A história de Enzo já havia emocionado leitores da Gazeta de Rio Preto em setembro de 2023. Na época, sua enfermeira, Lorena Cruz, encontrou uma forma especial de ajudá-lo a compreender sua condição de saúde.

Ela criou uma história em quadrinhos na qual o menino se transformava em um super-herói: o “Super Enzo”.

Mesmo sem conseguir falar, ele compreendeu a mensagem. Quase três anos depois, o pequeno herói voltou a emocionar. Desta vez, não nas páginas de uma história em quadrinhos, mas diante de milhares de pessoas, ao entrar em campo no Maião e mostrar que sonhos também podem ser realizados com coragem, amor e inclusão.

*A cópia, reprodução, alteração ou republicação deste texto está proibida sem autorização prévia e por escrito da autora, exceto para os familiares de Enzo.

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