Cidades
Gaeco investiga golpe de R$ 2,5 milhões no Mercado Livre em Rio Preto
Mandados foram cumpridos em condomínios de alto padrão e em empresa da cidade
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou na manhã desta terça-feira (26/5) a “Operação Frete Grátis” para investigar um esquema de fraudes que teria causado prejuízo superior a R$ 2,5 milhões ao Mercado Livre. Em Rio Preto, três mandados de busca e apreensão foram cumpridos, sendo dois em endereços localizados em condomínios de alto padrão e um na sede da empresa de um dos investigados.
A operação conta com o apoio do 9º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e também teve diligências realizadas em Tanabi, Mirassol e Bálsamo. Ao todo, foram expedidos dez mandados de busca: cinco em Tanabi, um em uma empresa de Bálsamo, um em uma empresa de Mirassol e três em Rio Preto.
De acordo com o Ministério Público, os investigados estão divididos em dois núcleos, um atuando na região de Tanabi e outro na região de Rio Preto. No entanto, as investigações apontam que ambos utilizavam os mesmos métodos fraudulentos, o que levanta a suspeita de que façam parte de uma única organização criminosa. Um dos objetivos da operação é justamente identificar se existe ligação entre os grupos e apontar quem são os principais beneficiários do esquema.
As apurações identificaram duas modalidades de fraude. Na primeira, os investigados anunciavam produtos na plataforma do Mercado Livre, incluindo móveis como armários, estantes, cômodas e gabinetes de banheiro. Com o auxílio de colaboradores da própria empresa, que teriam sido aliciados, os suspeitos conseguiam alterar informações sobre peso e dimensões das mercadorias, reduzindo drasticamente o valor do frete.
Segundo o GAECO, o mecanismo funcionava como se um armário de cozinha fosse cadastrado com o peso e as dimensões de uma caixa de fósforos. Dessa forma, o sistema do Mercado Envios, responsável pela logística das vendas, calculava o frete com base em medidas muito inferiores às reais, gerando vantagem indevida aos vendedores e permitindo a oferta de produtos por preços mais competitivos. O procedimento teria sido repetido milhares de vezes.
A segunda fraude identificada envolvia supostos processos de devolução de mercadorias. Conforme a investigação, o Mercado Livre era induzido a pagar pelo transporte de produtos que deveriam ser recolhidos nas residências de consumidores insatisfeitos. No entanto, o recolhimento efetivamente não ocorria, apesar dos custos serem lançados à empresa.
Participam da Operação Frete Grátis oito promotores de Justiça, dez servidores do Ministério Público, 13 equipes operacionais e 62 policiais militares do 9º BAEP.
As provas físicas e digitais apreendidas durante as buscas serão analisadas para aprofundar as investigações.
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