Política
Ex-chanceler Aloysio Nunes deixa trajetória tucana para se filiar ao PSB
Ex-senador e ex-ministro das Relações Exteriores formaliza ingresso na legenda nesta sexta-feira (26), em São Paulo, após quase três décadas no PSDB
O ex-senador e ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira oficializará nesta sexta-feira (26) sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), encerrando um ciclo iniciado com sua saída do PSDB, em 2024, após 27 anos de militância na legenda. O ato de filiação será realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e contará com a presença de dirigentes nacionais e estaduais do partido.
Aloysio, que atualmente dirige o escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em Bruxelas, afirmou que a decisão representa um retorno às suas convicções políticas.
“Política para mim é uma vocação profunda. Sou de esquerda e o PSB é um partido de orientação social-democrata”, declarou à CNN Brasil.
Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP) e com pós-graduação em Ciência Política e Economia Política pela Universidade de Paris, Aloysio construiu uma das principais trajetórias do PSDB nas últimas décadas. Foi deputado estadual, deputado federal, vice-governador de São Paulo, secretário de Estado, senador e ministro das Relações Exteriores durante o governo de Michel Temer (MDB), entre 2017 e 2018.
Em 2014, foi candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada por Aécio Neves (PSDB), derrotada no segundo turno pela então presidente Dilma Rousseff (PT). Na época, Aloysio figurava entre os principais críticos dos governos petistas e foi um dos defensores do processo de impeachment de Dilma, aprovado pelo Congresso Nacional em 2016.
Nos anos seguintes, no entanto, o ex-ministro passou a rever parte de sua posição em relação ao impeachment. Após a divulgação das mensagens da Operação Lava Jato, em 2019, afirmou ter ficado “profundamente chocado” com as revelações envolvendo integrantes da força-tarefa de Curitiba e declarou que houve manipulação política durante o processo.
A saída do PSDB foi anunciada em junho de 2024. Embora não tenha ingressado imediatamente em outra legenda, Aloysio já demonstrava insatisfação com os rumos do partido e manteve proximidade com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que também deixou o PSDB para se filiar ao PSB em 2022.
A chegada de Aloysio fortalece o quadro político do PSB em São Paulo em um momento de reorganização partidária de olho nas eleições de 2026. A legenda é presidida nacionalmente por Carlos Siqueira e integra a base de apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tendo Geraldo Alckmin como principal liderança nacional.
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