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A saúde cardiovascular e a escolha da melhor dieta

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel

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O empirismo permitiu que, ao longo dos séculos, o homem tivesse a percepção acerca dos alimentos mais saudáveis para sua saúde cardiovascular. A capacidade de observação e correlação entre quantidade e qualidade dos alimentos e os diferentes desfechos cardiovasculares, foi determinante na diferenciação entre pessoas saudáveis e longevas e aquelas que sucumbiam, muitas vezes de forma precoce, aos adventos potencialmente fatais, como infarto do coração e derrame cerebral.

Quando as evidências científicas consolidaram seu papel na identificação de fatores de risco cardiovascular e na influência dos hábitos alimentares na saúde cardiovascular, pode-se desenvolver estilos de vida fundamentados em alguns modelos de dieta. Estes modelos consideravam não somente os alimentos em si, mas também fatores geográficos, climáticos e culturais. Pode parecer simples, mas esta adequação de um modelo de dieta alimentar com princípios de uma religião, condições socioeconômicas, extremos de temperatura e objetivos individuais, foi tornando cada vez difícil responder a uma questão crucial – qual seria o melhor modelo de dieta para uma saúde cardiovascular plena?

O amparo dado por muitos estudos populacionais, ao longo das últimas décadas, tal como a diversidade de novas descobertas quanto as propriedades e benefícios dos alimentos, estabeleceram uma direção lógica que deveria ser seguida por todos aqueles que almejam longevidade cardiovascular. No entanto, em meio a esta profusão de evidências, houve e ainda continuam permeando nossas vidas, alguns modismos alimentares e atitudes radicais que colocam em risco nossa saúde e podem acarretar sequelas irreversíveis.

Em 2020, um importante estudo realizado pelo grupo de pesquisadores OPERA (Obesity Program of Education, Research and Assessment), na Itália, apresentou relevantes informações sobre quais propriedades dos alimentos que deveriam ser mais valorizadas, para seleção de um modelo de dieta compatível com a saúde cardiovascular. Os principais aspectos apontados por este estudo foram:

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 – Excesso de carboidratos

 – Ingestão de gorduras saturadas

 – Ingestão de açúcares refinados

 – Ingestão de fibras

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 Desta forma, tendo como base esta contextualização das propriedades dos alimentos e nutrientes, os principais modelos de dieta alimentar, para preservação da saúde cardiovascular, seriam:

Dieta mediterrânea

Esta dieta considera aumento do consumo de frutas, especialmente as frutas vermelhas (ricas em antocianinas), vegetais, grãos, cereais e peixes. Seus benefícios são muito significativos, principalmente na redução das taxas de obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. Este modelo de dieta se destaca pela restrição do consumo de carnes vermelhas, gorduras saturadas e açúcares refinados. O Colégio Americano de Cardiologia e a Sociedade Europeia de Cardiologia defendem fortemente a implementação desta dieta, como forma de prevenção primária e secundária dos eventos cardiovasculares.

Dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension)

Este tipo de dieta impacta sobretudo no melhor controle dos níveis de pressão arterial e, consequentemente, na redução de eventos fatais como o infarto do coração e derrame cerebral. Basicamente, esta dieta tem como propósito principal a redução do consumo de sal nas refeições. Paralelamente, esta dieta segue praticamente todos os princípios da dieta mediterrânea.

Dieta Vegetariana

Este tipo de dieta constantemente é motivo de debates e questionamentos. Os principais estudos não apontam este modelo como algo que deveria ser universalizado; ao contrário, o mais prudente seria realmente individualizar a aplicabilidade deste modelo e ponderar sobre as carências nutricionais resultantes. No entanto, não se pode questionar o valor clínico deste tipo de dieta, como apresentado em um estudo realizado na Universidade de Oxford, na Inglaterra, mostrando redução de até 30% dos eventos cardiovasculares nas pessoas que adotam este padrão alimentar. Assim, tanto vegetarianos como os veganos deveriam buscar orientação acerca da necessidade de suplementar alguns nutrientes, para que seja viável manter este padrão alimentar por um tempo prolongado. 

Dieta cetogenica

Este modelo consiste em uma combinação de um teor de gorduras elevado (60-80%), com cerca de 10-20% de proteínas e 5-10% de carboidratos. Como resultado, nosso fígado produz metabólitos conhecidos como cetonas, as quais poderiam contribuir para redução das taxas de obesidade, eventos cardiovasculares e alguns agravos neurológicos como a epilepsia. Os principais estudos demonstram que ocorre efetivamente perda de peso e algumas modificações favoráveis no perfil lipídico de colesterol e triglicérides nas primeiras semanas, mas estes efeitos podem não durar por um tempo prolongado e inviabilizar a escolha por este modelo alimentar.

Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago.

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