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A voz marcante que se calou: O último adeus a Deva Pascovicci

Sob forte comoção, familiares, amigos e colegas de trabalho se despediram do comentarista esportivo na tarde deste domingo (dia 4) em Monte Aprazível

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” Preeeeeeeeeepaaaare-se!!!”

Provavelmente seria com este jargão que o narrador Deva Pascovicci iniciaria sua narração da primeira partida da final da Copa Sul-Americana entre Chapecoense e Atlético Nacional, em Medellín na Colômbia. Mas, a potente voz se calou junto com outras 70 que estavam a bordo do avião da LaMia que bateu em um morro quando se preparava para pousar na capital colombiana. Neste domingo (4), sob forte comoção amigos familiares e colegas de trabalho se despediram pela última vez do Pavarotti do rádio esportivo.

O velório em Rio Preto começou ainda na madruga no Cemitério Jardim da Paz, logo depois das homenagens feitas na Assembléia Legislativa.

Pouco depois do meio dia, o corpo de Pascovicci foi levado até o cemitério municipal de Monte Aprazível, cidade natal do narrador esportivo. Escoltado por viaturas do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, o cortejo fúnebre foi acompanhado por fãs e admiradores. Alguns carros reproduziam as emocionantes narrações de jogos feitas por Deva ao longo de sua carreira, como a vibrante defesa do goleiro da Chapecoense Danilo, no último minuto de jogo contra o San Lorenzo, que garantiu a classificação da Chape.

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Pouco depois das três da tarde, foi o momento do último adeus. Familiares, amigos e colega de trabalho se despediram pela última vez de Devair Pascoalon, debaixo de uma pequena pancada de chuva, tornando o clima ainda mais melancólico. Parecia que até mesmo o céu não conseguia mais conter as lágrimas.

Momentos após o sepultamento, a chuva cessou.  

Trajetória

Devair Pascoalon nasceu em 28 de setembro de 1965, na Fazenda Fortalezas, em Monte Aprazível, cidade onde passou toda a infância. Ficou nacionalmente conhecido como Deva Pascovicci, nome que usava como radialista e narrador esportivo. Teve o primeiro contato com o rádio ainda menino, quando uma emissora foi construída do lado da casa dele.

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Começou a trabalhar aos 12 anos, na rádio difusora de Monte Aprazível. Desde essa época, usava um amplificador criado por ele mesmo para brincar de narrar jogos no campo de futebol da cidade.

Aos 14 anos, veio com os pais morar em Rio Preto e arrumou emprego como operador de rádio na emissora Brasil Novo. Nessa época começou a manifestar a vontade de ser narrador esportivo. Após passar, já como locutor, por rádios de Rondonópolis, Prudente e Cuiabá, Deva voltou para a região, em 1986, quando foi contratado pela rádio Antena, de Jales. Nessa época criou o colunismo social de rádio. Ele ia até a casa das pessoas da alta sociedade para transmitir bailes, festas e carnavais.

Em Jales, mergulhou de vez no universo esportivo narrando jogos de basquete da equipe local trabalhando em duas rádios ao mesmo tempo, uma em AM a outra FM. Em 1992 conseguiu patrocínios para transmitir o pré-olímpico de Portland, nos EUA, quando acompanhou, como radialista, a seleção brasileira de basquete. Foi nessa época que a narração dele repercutiu no Brasil e nos Estados Unidos resultando em convites para trabalhar em emissoras de TV.

Em 1993 foi para a TV Manchete e de lá para a SportTV, onde trabalhou por dez anos. Em 2003 voltou para o rádio, trabalhando na CBN até 2015, quando recebeu o convite da Fox Sports, canal no qual trabalhou até a noite do acidente em Medellin.

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