Cidades
Em busca de paz e dignidade eles reconstruíram a vida em Rio Preto
Refugiados buscaram em Rio Preto a oportunidade de refazerem suas vidas e são gratos pelo acolhimento recebido
“A vida era boa na Síria, até que começou a guerra. Tínhamos casa e trabalho. Eu não queria deixar o meu país, mas depois de mais de dois anos dentro da guerra, as pessoas saiam de casa e você não sabia de iriam voltar”, explica Michel Farsoun, que há nove anos está em Rio Preto com a sua família.
O Brasil foi escolhido porque tinha fronteiras abertas aos imigrantes e Rio Preto porque um dos irmãos de Michel já conhecia a cidade. Ele, seus pais e os seis irmãos deixaram a Síria. “O povo brasileiro é muito bom. Eu gosto mais das pessoas do Brasil que da Europa, porque aqui elas te chamam para o churrasco, conversam, na Europa não é assim. Aqui o povo é igual na Síria.”
O primeiro grande desafio por aqui foi o idioma, o segundo foi refazer a vida, embora a família de Michel seja grata pelas ajudas que recebeu. “Um dia o padre Oscar (Donizete Clemente) ligou oferecendo ajuda, mas não queríamos dinheiro e cesta básica, queríamos trabalhar. Pedimos para colocar uma mesa do lado de fora da igreja e vender os nossos produtos, e ele autorizou”.
Depois as vendas começaram também na igreja Menino Jesus de Praga e, há dois anos e meio abriram o Empório Árabe, sem deixar as vendas após as missas.
Michel conta que o calor daqui, às vezes lhe causa tontura e falta de ar. O excesso de burocracia e os muitos custos para conseguir manter um negócio, são fatores que ele gostaria que melhorassem. Já o atendimento da saúde, com exames, ele acredita que podia ser mais rápido, mas ainda assim é melhor do que no país dele.
Aqui conseguimos comprar comida
“Eu decidi sair da Venezuela pela situação do meu país, que já dura mais de 10 anos. A gente escolhe sair na aventura, para tentar um país desconhecido. Graças a Deus deu tudo certo. Quando eu cheguei foi muito diferente, a gente aprende um novo idioma, uma nova cultura. É tudo muito bonito, organizado, com saúde e educação. E a gente consegue comprar comida, o que não conseguíamos lá”, conta Elisbeth Herrera que está em Rio Preto há três anos.
A cidade foi escolhida porque o irmão dela já morava aqui, depois de passar por Boa Vista e Manaus. “Os mórmons nos ajudaram. Era um trabalho de interiorização dentro do Brasil. Eles trouxeram meu irmão e depois viemos, também com a ajuda da igreja, porque por nossos meios não daria.”
Para Elis Rio Preto, e seu povo, são acolhedores. “Meu primeiro trabalho foi em uma padaria. Fazia 15 dias que tinha chegado e não falava o idioma. Eles acreditaram em mim e fiquei lá dois anos, mas hoje sou cuidadora de idosos.”
Ela usa os serviços públicos da cidade e os considera bons. “Os ônibus são meu meio de transporte para o trabalho. Quando deixei o meu país, nem transporte tinha, você precisava caminhar para chegar ao serviço”.
Elis veio como marido e a filha, enfrentando uma jornada difícil. “Fome, dormir na rua com uma criança no peito, mas tínhamos esperança de que aqui seria melhor. Damos graças a Deus por estar aqui e fazer que nossa vida seja melhor”, finaliza.
Ajude um Refugiado
A Rede Refúgio atua em Rio Preto e região há dois anos e já atendeu 160 famílias, a maioria vinda da Venezuela e Haiti. São oferecidas aulas de português, apoio para obtenção ou renovação de documentos, ajuda emergencial (roupas, móveis), apoio jurídico, social e psicológico.
“Nossa missão é abraçar refugiados e imigrantes, baseado no valor cristão da sacralidade da vida humana e dos direitos humanos de acolhimento e igualdade entre os povos, com ações que promovam integração socioeconômica, autonomia e empoderamento”, pontua Silas Barbero, coordenador da Rede Refúgio.
Quem quiser colaborar com o trabalho pode ser um professor voluntário de português, ou de alguma outra língua estrangeira. Para saber mais basta acessar o Instagram @rederefugiobr
-
Cidades2 diasDeic recupera 2º carro furtado e negociado por “Gordão” em Rio Preto
-
Cidades24 horasMotorista morre após caminhonete atingir árvore em Rio Preto
-
Cidades19 horasPrefeitura reduz expediente na segunda-feira (29) por jogo do Brasil na Copa
-
Cidades2 diasCondenado por estuprar a própria filha é preso em Rio Preto
