Redes Sociais

Política

Fábio Candido reage à crise e acusa oposição de tentar “travar” Rio Preto

Confira a entrevista exclusiva ao jornal Gazeta de Rio Preto

Publicado há

em

Divulgação/SMCS
Ads

O prefeito de Rio Preto, Fábio Candido (PL), concedeu, nesta quinta-feira (14), entrevista exclusiva ao jornal Gazeta de Rio Preto em meio ao momento de maior desgaste político da gestão desde o início do mandato. A crise envolvendo o convênio de R$ 11,9 milhões firmado entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Santa Casa de Casa Branca, posteriormente cancelado pela Prefeitura, abriu uma série de questionamentos administrativos e políticos que agora são investigados por uma CPI na Câmara Municipal.

Ao longo da entrevista, o prefeito comentou temas centrais do governo, como as 24 mudanças realizadas no primeiro escalão em apenas 17 meses, a relação com vereadores, o aumento da planta genérica do município, os investimentos no Carnaval 2026 e o pedido de comissão processante apresentado por integrantes ligados ao PSOL.

Fábio Candido também falou sobre o afastamento do secretário licenciado de Saúde, Rubem Bottas, mas evitou afirmar se ele retornará ao cargo após a conclusão da sindicância aberta pela administração municipal.

Sobre o convênio da Saúde, o prefeito defendeu que o objetivo da Prefeitura era reduzir a fila de exames no município, mas não detalhou por que o contrato foi mantido mesmo após apontamentos da Procuradoria-Geral do Município (PGM). Também não respondeu de forma direta quem autorizou o pagamento antecipado de R$ 4,7 milhões à Santa Casa de Casa Branca antes do início dos atendimentos previstos.

Ads

Em relação às críticas da oposição e ao avanço das investigações na Câmara, Candido associou parte dos questionamentos ao ambiente de polarização política e afirmou que fará sua defesa com base em documentos e informações oficiais.

O prefeito ainda comentou os questionamentos envolvendo a compra de imóveis por ele e familiares, negou irregularidades e afirmou que todo o patrimônio possui origem lícita e declaração regular.

A seguir, a entrevista completa:

Como o senhor avalia as 24 mudanças no primeiro escalão em apenas 17 meses?

Ads

Gestão pública exige resultado, ritmo e alinhamento. Quando eu entendo que alguma área precisa acelerar ou mudar de direção, eu faço as alterações necessárias. Eu gostaria de ter acertado 100%? Com certeza, mas prefiro ser criticado por fazer mudanças do que manter estruturas que não estejam entregando aquilo que a população espera.

O secretário de Saúde, Rubem Bottas, está afastado. Ele volta ao governo ao final da sindicância?

Existe uma sindicância em andamento e eu respeito os processos administrativos. O mais importante agora é garantir transparência e eficiência na Secretaria de Saúde. Qualquer decisão será tomada com responsabilidade e baseada nos fatos apurados.

Como o senhor avalia a base aliada de vereadores na Câmara hoje?

Eu tenho uma relação institucional de respeito com a Câmara Municipal. Sobre a base, eu prefiro falar em vereadores que ajudam a cidade a avançar. Felizmente temos uma maioria importante que apoia o crescimento da cidade. Evidentemente existem divergências políticas, o que é natural na democracia, mas a maioria dos vereadores entende a responsabilidade de ajudar a cidade a avançar.

Qual é a sua opinião sobre os vereadores Rillo, Montenegro, Pupo e Pedro Roberto?

Eu sempre respeitei a Câmara Municipal e o papel de cada vereador. Agora, é evidente que existe hoje um grupo político muito alinhado à esquerda e ao ambiente de radicalização ideológica que o Brasil vive. Infelizmente, algumas pessoas parecem mais preocupadas em criar crise política e tentar estagnar  Rio Preto do que ajudar a cidade a avançar. Também me entristece ver pessoas que foram eleitas com apoio da direita e do eleitor conservador se aproximando justamente daqueles grupos que sempre combateram nossos valores. Mas eu não fui eleito para ficar brigando com vereador. Fui eleito para trabalhar e entregar resultado para a população.

Como o senhor recebeu a negativa de Alcalá em participar do secretariado?

Avaliamos juntos essa possibilidade. Política também é construída por decisões pessoais e estratégicas. O Alcalá é um vereador jovem e muito competente. Ele está trilhando a carreira política com muita vontade de fazer a diferença e isso é muito saudável.

Como o senhor justifica a compra de imóveis por você e seus familiares, grande parte deles paga em dinheiro vivo?

Primeiramente, é importante separar narrativa política, construída pela oposição, da verdadeira realidade. Eu respondo pelos meus atos e afirmo: não existe patrimônio oculto, não existe recurso ilícito e não existe enriquecimento ilegal. Toda aquisição patrimonial da minha esposa e minha tem origem lícita, documentação e pode ser comprovada. Eu trabalhei a vida inteira, sou aposentado como coronel da Polícia Militar e como professor. Além da aposentadoria também tenho meus vencimentos como prefeito, tudo devidamente declarado no meu imposto de renda A evolução do meu patrimônio é reflexo apenas dos meus rendimentos legais e da vida simples e financeiramente organizada  que sempre tivemos.

Nos bastidores, há muitos comentários sobre seu afastamento de Fábio Marcondes. Isso procede?

Não procede. O Marcondes continua sendo vice-prefeito e secretário de Obras. É um secretário atuante e participativo. Está sempre no gabinete participando de reuniões e decisões importantes.

A sobra do empréstimo de R$ 477 milhões, que pode chegar a R$ 650 milhões, está em boas mãos na Secretaria de Obras?

Está em mãos técnicas e responsáveis. Estamos falando de investimentos importantes para mobilidade, infraestrutura e desenvolvimento urbano. Tudo isso possui fiscalização, controle e acompanhamento.

Gastos vultosos, como os do Carnaval 2026, serão mantidos em futuros eventos?

Muita gente questiona investimento em eventos. Como prefeito, eu também tenho essa responsabilidade de analisar cada investimento com muito cuidado. Mas o Carnaval não é só festa. É movimentação econômica, geração de emprego, fortalecimento do comércio, dos hotéis, bares, restaurantes e do setor de serviços. O Carnavirou de 2026 reuniu cerca de 148 mil pessoas e atraiu visitantes de centenas de cidades, movimentando a economia de Rio Preto e gerando renda para muita gente. Na prática, isso significa que cada R$ 1 aplicado no Carnaval de Rio Preto este ano gerou R$ R$ 19,75 em movimentação econômica, com um multiplicador de 19,75 vezes o valor investido, refletindo o forte efeito do evento sobre setores como comércio, alimentação, hospedagem, transporte e serviços.

Além disso, o evento deixou um legado social importante. Foram arrecadadas 100 toneladas de alimentos que agora estão sendo distribuídas para famílias em situação de vulnerabilidade e instituições assistenciais da cidade. Então eu acredito muito nisso: evento bem organizado, com responsabilidade e transparência, não é gasto vazio. É investimento na economia, no turismo, na cultura e também na solidariedade.

A revisão da planta genérica era necessária. Entretanto, o senhor não acha que pesou a mão nas cobranças?

Era uma discussão que a cidade vinha adiando há muitos anos. Nenhum prefeito gosta de enfrentar esse tipo de debate, mas havia uma distorção enorme em Rio Preto. Evidentemente ajustes sempre podem ser feitos para evitar injustiças.

Qual é o seu maior arrependimento como prefeito?

Talvez ter acreditado que a política pudesse funcionar de forma mais transparente e menos agressiva. Eu não vim da velha política. Passei a vida inteira na Polícia Militar, como professor e servidor público. Sempre aprendi a trabalhar com disciplina, honestidade e responsabilidade. Quando entrei na Prefeitura, encontrei um ambiente político muito diferente daquilo que a população imagina. Existe muita vaidade, muito interesse e muita gente incomodada porque nossa gestão não aceita determinados tipos de prática que infelizmente a política tradicional acostumou ao longo dos anos. Eu nunca vou me deixar levar pela politicagem. Se estou apanhando tanto hoje, é justamente porque não faço parte desse “sistema” antigo. Aos poucos as coisas vão se ajustando e eu tenho certeza de que Rio Preto será muito melhor do que já foi.

Sobre o convênio com a Santa Casa de Casa Branca: por que, mesmo com todos os apontamentos da PGM, a secretaria insistiu e assinou o contrato?

A prioridade da administração sempre foi enfrentar um problema histórico da saúde pública, especialmente a longa fila de espera por exames, que afeta milhares de pessoas há anos. Todo o processo administrativo estava sendo conduzido dentro dos trâmites técnicos e legais, com análise contínua dos órgãos competentes.

No momento em que surgiram apontamentos que recomendaram maior cautela, adotei imediatamente as medidas necessárias, incluindo a suspensão do contrato e o início das tratativas para restituição dos recursos públicos. A própria administração tomou a iniciativa de rever o procedimento, o que demonstra compromisso com a transparência, a responsabilidade administrativa e a proteção do dinheiro público.

Por que foram adiantados R$ 4,7 milhões, se o contrato seria pago por demanda?

A Secretaria de Saúde me trouxe a informação de que se tratava de uma previsão contratual operacional ligada à estrutura necessária para iniciar os atendimentos. Mesmo assim, quando surgiram dúvidas e questionamentos, nós suspendemos o processo e passamos a tratar da devolução dos recursos.

O PSOL apresentou um pedido de comissão processante que pode levar à sua cassação. Carnaval, compra de imóveis e contrato de Casa Branca serão temas. Como será sua defesa?

Minha expectativa é a de que não há razão alguma, não há o que chamamos no direito “justa causa” para esse requerimento prosperar, mesmo porque não há fato algum delineado na suposta acusação que já não tenha sido objeto de providências tomadas por mim, ou porque já foram arquivados após análise do Ministério Público ou porque sequer há indícios mínimos para que sejam objeto de investigação. Caso prospere, minha defesa será feita com tranquilidade, documentos e verdade. Eu tenho consciência da forma como conduzi minha vida e minha gestão até aqui. Agora, também acho importante que a população entenda o contexto político disso tudo. O pedido foi apresentado por um suplente de vereador do PSOL, que está sendo processado por mim em duas ações, sendo que em uma delas até já tenho uma liminar favorável. Ele é alinhado a grupos do PT que há muito tempo tentam desgastar governos e lideranças identificadas com a direita. Eu respeito a democracia, respeito a oposição e respeito as instituições, mas não posso fingir que não existe uma motivação política e ideológica muito forte por trás desse movimento.

Infelizmente, parece que algumas pessoas estão mais preocupadas em criar crise, estagnar a cidade e antecipar disputa eleitoral do que ajudar Rio Preto a avançar. Enquanto alguns vivem de conflito político, nós seguimos trabalhando, entregando obras, melhorando serviços e tentando resolver problemas históricos da cidade. Eu tenho serenidade porque sei que não cometi irregularidade e porque acredito que a população sabe diferenciar narrativa política de realidade.

O que pretende que sua gestão deixe como legado?

Eu quero deixar um legado de honestidade, de coragem e de transformação. Nasci em Rio Preto, fui criado aqui, meus pais construíram a vida deles aqui e foi aqui que eu aprendi valores que carrego até hoje, como trabalho, respeito e honra. Meu filho está crescendo nessa cidade e eu penso muito sobre o exemplo que quero deixar para ele. Quando tudo isso passar, eu quero poder olhar para minha família e dizer que enfrentei tudo sem baixar a cabeça e sem abrir mão daquilo que acredito.

“Mais do que obras e projetos, eu quero deixar uma cidade mais humana, mais transparente, mais segura e mais preparada para o futuro. Quero que as pessoas sintam orgulho de Rio Preto e tenham confiança de que existe uma gestão séria, que respeita o dinheiro público e que não está aqui para enriquecer ou fazer parte da velha política. Talvez esse seja o maior legado que eu possa deixar: mostrar que é possível governar com honestidade, falando a verdade e trabalhando pensando nas próximas gerações.”

Para finalizar, quais são suas propostas para reverter a baixa popularidade do seu governo?

Com trabalho, metas, diálogo e entrega. Eu não fui eleito para governar pensando em pesquisa ou em engajamento em redes sociais. Fui eleito para enfrentar problemas históricos da cidade. Estamos avançando em projetos importantes de mobilidade, saúde, tecnologia, infraestrutura e modernização da gestão pública. Temos metas claras e uma visão de futuro para Rio Preto. Aos poucos, a população vai perceber que nosso governo está construindo uma cidade mais organizada, mais moderna e mais preparada para crescer. Meu foco continua sendo resultado para o rio-pretense.

 

 

 

AS MAIS LIDAS