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Mary reencontra família após mobilizar moradores em Rio Preto

Mobilização de moradores, vizinhos e amigos transformou uma noite de preocupação em uma história emocionante de acolhimento, carinho e amor pelos pets

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arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto
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Uma cachorrinha perdida, uma vizinhança mobilizada e um reencontro cheio de emoção. A história vivida nos últimos dias no Jardim Redentor, em Rio Preto, mostrou como pequenos gestos de solidariedade podem transformar completamente a vida de um animal (e também das pessoas envolvidas).

Marie (de pronúncia francesa Marrí), chamada carinhosamente de Mary pela família, desapareceu após escapar de casa durante a visita de familiares. Bastaram cerca de 15 minutos de distração para que ela saísse pelas ruas da cidade e deixasse seus pais (tutores) desesperados.

Foi por volta das 20h30 da última segunda-feira (26/5) que o destino da cachorrinha cruzou com o da engenheira especialista em Neurociência Flávia Gomes Siqueira, de 34 anos. Flávia voltava de uma corrida promovida semanalmente por um grupo esportivo na avenida José Munia quando avistou a pequena cachorrinha andando sozinha.

“Ela estava cansadinha, aflita, parecia procurar alguém. Também estava com sede. Aquilo me cortou o coração”, relembrou.

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Sem conseguir ignorar a situação, Flávia decidiu parar e tentar ajudar. Logo outras pessoas se aproximaram e passaram a participar da busca pelos donos. “Eu e algumas senhoras começamos a interfonar nos prédios próximos perguntando se alguém conhecia ela. Ninguém sabia de onde ela tinha vindo”, contou.

A partir dali, começou uma verdadeira corrente do bem.

A vizinha Tamires foi uma das primeiras pessoas a ajudar. Além de levar água para Marie, ela abriu as portas de casa para acolher a cachorrinha durante a noite.

“Ela foi essencial. Trouxe água, ajudou em tudo e ainda apresentou a Meg para a Mary”, disse Flávia.

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Meg é a cachorrinha de Tamires, também adotada das ruas. Segundo Flávia, o encontro entre as duas pets foi imediato e cheio de delicadeza.

“A Meg ficou curiosa, quis cheirar, entender quem era aquela nova amiguinha. No começo teve um ciuminho natural, mas passou rápido. Depois elas ficaram super tranquilas juntas”, contou, sorrindo.

(Tamires e Meg/ arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto)

A cena acabou emocionando ainda mais os moradores do condomínio Waldemar Victorasso. Enquanto uma vizinha emprestava cobertores, outra levava caminha, e moradores ajudavam compartilhando fotos nas redes sociais.

“A comunidade foi incrível. Teve gente oferecendo ajuda para divulgar, gente preocupada com ela, perguntando se precisava de alguma coisa. Foi muito bonito ver tantas pessoas se mobilizando por um animalzinho”, afirmou Flávia.

Mesmo acolhida e segura, Marie demonstrava sentir falta da família.

“Ela ficou quietinha, mais amuada em alguns momentos. Eu tinha medo dela sofrer, adoecer ou achar que tinha sido abandonada. A gente acaba criando um carinho muito rápido”, contou.

Flávia revelou que sempre teve uma ligação afetiva muito forte com os animais. Ela já teve um cachorro chamado Olliver, que morreu há algum tempo e permanece como uma lembrança especial em sua vida.

“Hoje o Olliver é meu anjinho. Acho que por já ter vivido esse amor tão grande por um pet, eu entendo o quanto eles fazem parte da família”, disse. Enquanto isso, do outro lado da cidade, os tutores de Marie também faziam buscas desesperadas.

(Flávia e Olliver, seu anjinho/ arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto)

A ajuda decisiva veio de um amigo de Flávia, Eric, que teve uma ideia considerada fundamental para localizar os donos. “Ele foi muito inteligente. Pegou a localização de onde ela tinha sido encontrada e começou a pesquisar pet shops da região. Entrou em contato com vários lugares pedindo ajuda para divulgar”, explicou.

A estratégia funcionou. Pouco tempo depois, a filha do dono de Marie conseguiu localizar Flávia pelas divulgações feitas na internet.

“Ela me ligou muito emocionada. Depois o próprio dono falou comigo. Eles estavam desesperados procurando a Mary”, contou. Mesmo emocionada, Flávia decidiu tomar todos os cuidados antes de entregar a cachorrinha.

“Eu pedi fotos, carteira de vacinação, provas mesmo. Minha preocupação era garantir que ela voltasse para a família certa”, explicou.

O reencontro aconteceu no hall do prédio onde Flávia mora e virou o momento mais marcante de toda a história. Antes mesmo da chegada da família, ela colocou o celular no viva-voz para que Marie pudesse ouvir a voz do dono.

“Foi impressionante. Ela estava quietinha até então. Mas quando ouviu a voz dele, mudou completamente”, relembrou. Minutos depois, ao descer pelo elevador e perceber a aproximação da família, Marie começou a correr e pular de alegria.

“Ela saiu toda saltitante. Foi uma festa. A melhor parte de toda essa história”, contou Flávia.

Para ela, mais do que ajudar uma cachorrinha perdida, a experiência deixou uma reflexão sobre empatia e comunidade.

“São seres muito vulneráveis. Nós temos consciência, temos voz, podemos agir. Ajudar deveria ser algo natural. Essa história me trouxe esperança nas pessoas, no acolhimento e no amor ao próximo — inclusive aos pets”, afirmou.

Marie finalmente voltou para casa e está feliz com a família, seus brinquedinhos e os novos amigos que ganhou no condomínio Waldemar Victorasso.

(Arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto)

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