Cultura
Sesc Rio Preto apresenta show com composições de Carolina Maria de Jesus
A escritora que transformou sua vivência como moradora na favela em São Paulo em arte, trouxe também à música seu olhar perspicaz sobre a pobreza, o racismo, a moradia precária
Em formato digital, o álbum Bitita – As composições de Carolina Maria de Jesus chegou às plataformas de streaming e ao Sesc Digital.
Em Rio Preto, o show de lançamento será no próximo sábado, 11 de março, a partir das 20h. Nos palcos, estarão os intérpretes Nega Duda, Girlei Miranda, Mestre Nico e Sthe Araujo nos vocais, e Xeina Barros, Maurício Badé, Cauê Silva e Sthe Araujo nas percussões.
A reedição de “Quarto de Despejo” – o nome do disco foi o mesmo do livro que um ano antes fez de Carolina uma escritora conhecida – foi idealizada no contexto da curadoria da exposição Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros, realizada originalmente pelo Instituto Moreira Salles com itinerância no Sesc Sorocaba e atualmente aberta ao público até o dia 12.
Carolina Maria de Jesus
Nascida em 1914 na cidade de Sacramento no estado de Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus viu suas composições musicais serem lançadas em disco pela gravadora RCA Vitor em 1961. Na época, os arranjos foram feitos pelo maestro Francisco Moraes, a direção artística por Júlio Nagib e contou com a participação do grupo Titulares do Ritmo, além da voz da própria Carolina.
Agora, o Selo Sesc convidou Sthe Araujo para fazer a direção artística e a produção musical de Bitita – As composições de Carolina Maria de Jesus, recuperando a força das letras da escritora, e dando protagonismo ao batuque.
A historiadora Rosa Couto descreveu o trabalho de Sthe neste projeto da seguinte forma:
“Quando instrumentos melódicos e harmônicos são convidados à baila, isso se dá no intuito de engrandecer e reforçar o sentido percussivo da fala, da letra, do jogo poético e do drible de Carolina, com a contribuição de músicos de peso. Bitita faz reverberar a voz de Carolina, mas não apenas isso. Dentro dessa releitura experimental, ecoam múltiplas vozes negras passadas, presentes e futuras.”
A percussão no álbum é tocada por cinco percussionistas (Xeina Barros, Maurício Badé, Cauê Silva e a própria Sthe Araujo), explorando o máximo de suas vertentes de timbres, vozes, ritmos e intensidades.
As vozes que dão corpo ao disco são dos intérpretes Nega Duda, Girlei Miranda, Mestre Nico e Sthe Araujo. O primeiro passo do percurso de Bitita foi o lançamento do single Moamba. Com as vozes de Nega Duda e Sthe Araujo, a composição de Carolina Maria de Jesus conta sobre as mazelas da pobreza com versos como “Eu não tenho casa / Nem comida pra comer / Ai, meu Deus, trabalho tanto / E vivo nesse miserê”.
A escritora que transformou sua vivência como moradora na favela do Canindé em São Paulo em arte trouxe também à música seu olhar perspicaz sobre a pobreza, o racismo, a moradia precária. Ela criou crônicas de um cotidiano que é reconhecido até os dias atuais em inúmeras cidades brasileiras.
A exposição, o lançamento do álbum digital e os shows reforçam a importância dessa figura tão significativa para a história da população negra no Brasil. Escritora de sua própria história, Carolina Maria de Jesus é uma legítima intérprete do país. Alguém que não só entendeu de modo crítico os problemas do Brasil, como inclusive os viveu em seu próprio corpo. E é através de seu legado, sobretudo em palavras escritas, que tantos outros artistas interpretam e reinterpretam suas obras, tentando superar os desafios enraizados neste território.
Serviço
Dia 11/3, sábado, às 20h
Sesc Rio Preto| Teatro (236 lugares)
Avenida Francisco das Chagas Oliveira, 1333, Chácara Municipal – São José do Rio Preto-SP.
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