Redes Sociais

Saúde

Três famílias autorizam doações de órgãos e 14 pessoas serão salvas

A extração de órgãos de um jovem de 23 anos, uma adolescente de 12 e uma mulher de 25 anos, mobilizou quase 60 profissionais médicos nesta sexta-feira (dia 3) no Hospital de Base, em Rio Preto.

Publicado há

em

Ads

Jéssica Mota dos Santos de 25 anos foi internada em estado grave após ser atingida por um automóvel na rodovia Assis Chateaubriand quando voltava para sua casa, o motorista fugiu sem prestar socorro.  Um jovem de 23 anos, que a pedido da família não teve o nome divulgado, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e foi levado as pressas ao hospital. E um quadro de encefalite fez com que uma adolescente de 12 anos ficasse internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) por alguns dias. Todos citados acima não resistiram e tiveram morte cerebral entre quinta (dia 2) e sexta-feira (3). Mas mesmo em um momento de dor extrema, que é a partida de um ente querido, familiares ainda sim pensaram no próximo e tomaram uma decisão nobre, de autorizar a doação dos órgãos. Diante deste gesto, 14 pessoas, que aguardavam na fila do transplante, receberão uma nova chance e levaram uma parte da viva daqueles que se foram cedo demais.

O Hospital de Base (HB) faz em média um transplante por semana, mas nesta sexta-feira, três transplantes sequenciais que mobilizaram uma equipe médica de aproximadamente 60 profissionais.

O médico João Fernando Picollo integrante do grupo de Organização de Procura de Ossos (OPO) fala sobre a complexidade dos transplantes sequencias.

“Três transplantes seguidos não são tão comuns em nossa região e isso demanda bastante complexidade, pois temos que alocar todas a equipes presentes, organizar toda a logística do transporte, se vamos usar aeronaves, se será voo fretado ou comercial, se vamos por terra e também tem toda a parte laboratorial, é algo que exige muito planejamento” explica.

Ads

Picollo também diz sobre a corrida contra o tempo. “Logo após o diagnóstico de morte encefálica, vamos para parte da autorização da família para doação. Quando autorizada começamos a fazer uma série de avaliações através de exames de sangue, raio x, ecocardiograma,  tudo o que for necessário. Com posse de todos esses dados enviamos as informações para a central de transplante e esta irá localizar um paciente compatível. Esta é uma corrida contra o tempo porque a pessoa morreu e a partir daí tudo começa a piorar, pulmões, coração, fígado rins. Se houver demora para a extração, os órgãos  não  poderão ser reutilizados” explica.

Da adolescente de 12 anos foi extraído um fígado, que foi encaminhado para o Hospital Bandeirantes, em São Paulo. Os dois rins e as córneas também foram captados. Já o rapaz de 23 anos  doou os dois rins.

Sonhos interrompidos

O motorista Edson Vieira do Santos, 37 anos, conta que a irmã Jéssica Mota dos Santos, 25, era uma pessoa cheia de vida. “Ela não parava um segundo. Tinha vários planos e pretendia abrir o próprio salão de manicure até o final deste ano. Sempre sorridente” lembra.

Ads

O acidente que vitimou a jovem ainda não foi esclarecido, na noite do último domingo (5) Jéssica retornava de Rio Preto para Guapiaçu quando a motocicleta dela foi atingida por um carro que transitava no mesmo sentido da Assis Chateaubriand (SP-425).

“No local só tinha a marca da freada, o motorista que atingiu minha irmã fugiu sem prestar socorro. Bateu e deixou ela lá caída e foi embora. Dificilmente vamos descobrir quem matou minha irmã” desabafa.

A manicure foi socorrida e encaminhada em estado grave ao Hospital de Base no mesmo dia do acidente. “Na segunda-feira os médicos nos disseram que ela tinha menos de 1% de chance de sobrevivência. E na noite de quinta, a equipe médica entrou em contato dizendo que precisava falar conosco e explicou que ela teve morte cerebral e perguntou se gostaríamos de doar os órgãos de minha irmã”.

Edson voltou para casa após receber a triste notícia da partida repentina da irmã e expôs a possibilidade da doação. “Estive neste hospital por quase uma semana e vi a luta de várias pessoas. Acompanhei várias histórias. Então, toda minha família e eu, decidimos ajudar o próximo. Foi algo que amenizou nossa dor, vidas serão salvas graças a minha irmã. Só em saber que ainda existe um pedacinho da Jéssica vivo em alguma pessoa, conforta e ameniza nosso sofrimento”.

Jéssica doou os pulmões que foram levados para São Paulo, o fígado que será transplantado no Hospital de Base de Rio Preto para um paciente que está fila de espera. Também foram extraídas as córneas, que permanecem armazenadas e dois ossos, fêmur e tíbia, que serão levados para o Banco de Ossos em Marília.

Os ossos ficam armazenados por três meses e depois são triturados e utilizados em enxertos. “O importante é deixar claro para população que a apenas os fêmur e a tíbia (ossos da perna) são extraídos e no lugar é colocada uma prótese. Não existe deformidade alguma. Uma única doação óssea poderá ajudar mais de 100 pessoas” explica o coordenador João Fernandes Picollo.

 

Deixe um comentário

Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

AS MAIS LIDAS