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Vara da Infância e Juventude apura denúncias contra creche em Rio Preto

Juiz Evandro Pelarin disse que caso serve como paradigma para alertar os pais

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Reprodução/ arquivo pessoal
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A Vara da Infância e Juventude de Rio Preto vai apurar as denúncias feitas contra uma creche particular no bairro Solo Sagrado. A pasta teve conhecimento dos fatos após o caso ganhar destaque na imprensa regional.

A denúncia envolve uma criança de apenas dois anos de idade, com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que estaria sendo mantida afastada dos outros alunos, sem alimentação adequada, sem higiene e submetida a condições consideradas abusivas.

Segundo a denunciante, uma ex-funcionária que colocou um bilhete dentro da mamadeira da vítima para avisar a mãe, a unidade é insalubre, com falhas no armazenamento de alimentos, falta de ventilação, uso de colchões velhos e sujos e estrutura comprometida. Bebês também estariam sendo colocados no chão.

O juiz da Vara da Infância e Juventude, Evandro Pelarin, afirmou que vai apurar as ocorrências no local e verificar se havia autorização do município para funcionamento. As denúncias indicam que não.

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“Vamos verificar se havia cobrança dos pais, quais profissionais estão trabalhando no local e quem são eles, quantas crianças havia no local. Depois desses dados, vamos tomar as medidas cabíveis. Não é possível prever quais serão aplicadas ao caso, porque precisamos apurar primeiro. De toda forma, já estamos tratando esse caso como paradigma para alertar os pais para que verifiquem onde estão deixando seus filhos, se o local tem autorização de funcionamento do poder público, entre outras informações”, alertou o magistrado.

“Ainda é preciso esclarecer que as creches municipais funcionam nas férias, em escala reduzida, para crianças que estão matriculadas na rede municipal”, recomendou.

Entenda o caso

Um bilhete escondido dentro de uma mamadeira foi o ponto de partida para a denúncia de supostos maus-tratos em uma creche particular localizada no bairro Solo Sagrado, em Rio Preto. A mensagem teria sido colocada por uma ex-funcionária da unidade com o objetivo de alertar a mãe de uma criança de dois anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível 2, sobre situações que estariam ocorrendo no local. A Polícia Civil investiga o caso.

O aviso só veio à tona após a ex-colaboradora procurar a mãe da vítima pelas redes sociais, já que o bilhete não havia sido percebido inicialmente. Na conversa, a ex-funcionária enviou fotos e vídeos que, segundo a família, mostram a criança dormindo excessivamente suada. A mãe relatou ainda que o menino estaria com fezes no corpo no momento do registro.

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(arquivo pessoal)

Segundo o relato feito pela ex-funcionária, a criança era mantida isolada das demais, em um ambiente sem ventilação adequada e exposta a calor intenso. Ela também teria denunciado condições precárias na creche, como falhas no armazenamento de alimentos, higiene inadequada, estrutura comprometida e o uso de colchões velhos e sujos, além de bebês que dormiriam no chão.

Mudanças significativas no comportamento da criança, que teria apresentado reações agressivas incomuns, mesmo estando em tratamento e com medicação regular, teriam sido percebidas pela mãe. Para ela, os sinais seriam reflexo de negligência no ambiente escolar.

Outras três mães também procuraram a delegacia no sábado (13/12) para registrar denúncias semelhantes relacionadas à unidade.

Em resposta às acusações, a direção da creche divulgou uma nota oficial nas redes sociais negando qualquer prática de maus-tratos e afirmando que as alegações são falsas. A instituição declarou que permanece à disposição das autoridades para esclarecimentos.

Nota da creche na íntegra:

“A direção da creche infantil vem, por meio desta, esclarecer informações recentemente divulgadas a respeito de uma suposta denúncia de maus-tratos contra crianças, as quais não condizem com a verdade.

Ressaltamos que as alegações veiculadas são inverídicas e carecem de qualquer fundamento fático ou comprovação. Trata-se de uma tentativa clara de distorção da realidade, surgida em meio a um contexto de disputa judicial, no qual foi ingressada uma ação judicial contra os antigos proprietários, que se encontra em andamento.

É importante destacar que a creche sempre pautou sua atuação pelo respeito, zelo e cuidado integral com as crianças, mantendo um ambiente seguro, acolhedor e adequado ao desenvolvimento infantil. Jamais houve qualquer prática de maus-tratos, sendo essa afirmação totalmente infundada.

Ademais, reforçamos que todos os pais e responsáveis sempre tiveram acompanhamento diário, com acesso livre às dependências da escola, podendo acompanhar de perto a rotina, o bem-estar e o desenvolvimento de seus filhos, o que demonstra a transparência e a confiança que sempre nortearam a relação entre a instituição e as famílias.

A creche permanece à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos adicionais e reafirma seu compromisso com a verdade, a ética e a proteção integral das crianças, repudiando veementemente a disseminação de informações falsas que possam causar prejuízos à instituição e às famílias atendidas.

Por fim, confiamos que os fatos serão devidamente esclarecidos, prevalecendo a verdade e a justiça. Todas as medidas judiciais já estão em andamento.”

(A reprodução, cópia ou qualquer alteração no texto desta reportagem está proibida pela autora). 

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