Cidades
Deic desmonta quadrilha que aplicava golpes em produtores rurais em todo o país
Investigação feita pela Polícia Civil de Rio Preto durou oito meses
A Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Rio Preto desmanchou uma organização criminosa que aplicava golpes em produtores rurais de todo o país. As investigações duraram oito meses. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 22.
De acordo com a Polícia Civil, a Divisão foi procurada em março deste ano por um empresário do ramo de vendas de produtos agropecuários, em Rio Preto. O empresário comunicava que o nome de sua empresa vinha sendo utilizado por criminosos para a prática de cobranças indevidas, tanto de pessoas que pertencem à sua carteira de clientes quanto de outras que não.
Ação criminosa
Todas as vítimas são produtores rurais, ou tem relação com atividade agropecuária, ou seja, são exatamente o tipo de consumidor que o segmento comercial desenvolvido pela empresa atende. Os criminosos fazem contato telefônico com as vítimas, apresentando-se como funcionários de cartórios, ou por vezes como advogados. Nesse contato as vítimas são notificadas sobre a existência de dívidas não quitadas junto à empresa, oriundas da aquisição de produtos agropecuários.
Também são informadas de que os títulos pertinentes a referidas dívidas estão na iminência de serem executados e/ou protestados. O criminoso que faz esse contato fornece números telefônicos para que a vítima entre em contato com a empresa, com o objetivo de negociar o débito e evitar o protesto.
Obviamente os telefones não pertencem à empresa, mas estão nas mãos de outros integrantes da organização criminosa que se fazem passar por funcionários. O criminoso que recepciona o telefonema da vítima conduz uma negociação e, entabulando um acordo, passa orientações sobre como realizar o pagamento.
Normalmente são fornecidos Boletos falsos em nome da Empresa; outras vezes são transmitidos dados bancários para que a vítima realize depósito, transferência bancária, PIX, etc.
Investigação
Ao todo, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos, sendo: 5 na capital (São Paulo); 1 em Campinas; 1 em Rio Preto; 1 em Bálsamo. Os investigadores identificaram 19 integrantes da organização criminosa, inclusive uma mulher de 42 anos que é tida como a mentora intelectual do golpe e líder da organização.
Durante a operação a polícia chegou a 3 locais que funcionavam como “Call Centers Do Crime”, onde os criminosos se reuniam diariamente com finalidade exclusiva de aplicar o golpe. Foram apreendidas incontáveis listas com nomes e dados cadastrais de produtores rurais, vítimas em potencial, de todos os estados do país. Além de telefones celulares utilizados no crime e anotações.
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