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Idoso de 80 anos vai a júri popular por tentativa de homicídio contra advogado

O julgamento foi marcado para o primeiro semestre do ano que vem

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Foi marcado para o primeiro semestre do ano que vem o júri popular de um idoso de 80 anos, pronunciado por tentativa de homicídio contra um advogado. Em razão da idade avançada, a Justiça permitiu que o réu aguarde julgamento em prisão domiciliar.

O crime aconteceu em dezembro de 2018 no bairro Vila Imperial.

Segundo informações do processo, o aposentado Wilson Maldonado atuava como agiota e foi até o escritório do advogado E.V.T. cobrar uma suposta dívida. Ele foi recebido pelo profissional e, durante um desentendimento, sacou um revólver calibre 32 e exigiu que o advogado emitisse um cheque de R$ 40 mil.

Mantendo a vítima sob a mira da arma, o idoso ainda pegou um frasco de gasolina e jogou no corpo do advogado, ameaçando atear fogo. Durante um instante de distração do aposentado, e temendo ser morto de fato, o advogado entrou em luta com Maldonado e a arma disparou.

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O advogado alega que o idoso apertou o gatilho. O aposentado afirma que o revólver disparou acidentalmente. O tiro pegou na parede.

Maldonado fugiu e foi localizado por policiais militares na casa dele. Um dos agentes que participou da abordagem disse que o homem cheirava gasolina. Ele indicou para os pms onde havia jogado a arma, que foi recuperada e apreendida.

Na delegacia, o aposentado afirmou que emprestava cheques com juros de 3% ao mês e que o advogado lhe devia R$ 140 mil. Que faliu em razão da inadimplência dele e de outros clientes. Sobre a gasolina, que pretendia atear fogo nos processos os quais o advogado foi contratado por ele para atuar.

Já o advogado afirmou em juízo que pagou tudo o que devia, mas continuava refém dos juros abusivos praticados pelo agiota, que estendia as ameaças aos filhos dele.

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O aposentado foi denunciado por tentativa de homicídio triplamente qualificada: por motivo fútil, com emprego de fogo e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

O júri popular foi marcado para o dia 10 de maio.

 

Indenização

Em junho, o advogado ingressou com ação de danos morais no valor de R$ 150 mil.

“Não há como negar que o enredo narrado causou perturbação nas relações psíquicas, na tranquilidade, nos sentimentos e nos afetos do autor. Depois do episódio, diante do temor gerado, o escritório do requerente passou a manter suas portas e portões fechados, pois não só ele, mas os demais membros do escritório passaram a trabalhar com medo. Também clientes rescindiram contrato de prestação de serviços advocatícios que mantinham com o requerente e não foram poucos os constrangimentos no meio jurídico, sendo objeto de comentários por colegas advogados, juízes e promotores com quem tem intenso contato. Além disso, o requerente foi obrigado a conviver por meses com o cheiro de gasolina no seu ambiente de trabalho”, escreveu o advogado Luís Alcântara D’orazio Pimentel, contratado para defender a vítima.

Em contestação, o idoso negou ser agiota e acusou o advogado de não repassar os valores devidos de ações as quais era procurador.  Afirmou ainda que o profissional chegou a repassar para ele cheques de terceiros que, quando eram compensados, não tinham fundos.

O advogado juntou ao processo três boletins de ocorrência de pessoas que alegaram sofrer ameaças do idoso em razão de empréstimos.

A ação corre na 3ª Vara Cível.

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