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Você sofre com hematomas? Entenda melhor o que são e possíveis causas

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel

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pensamos em um sangramento, a primeira imagem que vem à mente é daquele líquido vermelho extravasando de algum lugar, quadro de mal-estar, palidez e iminência de morte. Na verdade, este cenário mais crítico seria aquilo que conhecemos como hemorragia profusa, quando realmente a pessoa está perdendo muito sangue em decorrência de um acidente, uma perfuração ou rompimento de um grande vaso sanguíneo.

Existem situações nas quais também ocorre um sangramento, mas este fica restrito a um determinado local, como se estivesse encapsulado. Nestes casos, consideramos que existe um hematoma, ou seja, um acúmulo de sangue dentro de um local mais fechado, dentro de um compartimento.

Os hematomas representam áreas de sangramento contido, de magnitude geralmente pequena e que poderão ou não se expandir ao longo do tempo.

Acredito que todos nós, ao fazermos uma retrospectiva da infância, iremos recordar de momentos de lazer e esportes, nos quais tivemos alguns infortúnios como queda da bicicleta, uma “bolada” na barriga, uma briga na escola, sendo que todas estas ocorrências resultaram em hematomas pelo corpo.

Este tipo de hematoma associado com as situações do cotidiano costumam ser os mais simples e os mais benignos, ainda que dolorosos por alguns dias.

Aquelas pessoas que precisam utilizar medicamentos como antiagregantes (aspirina) e anticoagulantes, estão mais sujeitas a ocorrência de hematomas pelo corpo. Estes medicamentos podem causar desequilíbrio em nossa capacidade orgânica de coagulação, ou seja, nossa capacidade própria de estancar um sangramento.

Nestes casos, a orientação primordial seria suspender estes medicamentos em caso de múltiplos hematomas ou em caso de muito desconforto pela existência destes hematomas. Considerando a importância destes medicamentos para uma ampla gama de finalidades terapêuticas, a suspensão dos mesmos não se aplicaria em caso de hematomas discretos e isolados.

Existe uma tendência de pensarmos que os hematomas, por serem sangramentos mais compartimentalizados, estariam restritos a nossa pele. Isto pode acontecer talvez pelo fato de um hematoma ser muito mais perceptível na pele do que em qualquer outro lugar.

No entanto, os hematomas podem se formar nos diferentes órgãos de nosso corpo ou mesmo em alguns espaços mais fechados. Para ficar mais fácil entender como ocorre a formação de um hematoma dentro da estrutura de um órgão, vamos recorrer ao conceito de contusão. Num acidente de carro ou de moto, o impacto do tórax ou do abdome contra as estruturas rígidas do móvel, ou seja, literalmente a pancada que o corpo recebe, pode resultar numa lesão de pulmão, de coração, de fígado, que se caracteriza não pela dilaceração do órgão, mas, sim, pelo rompimento de pequenos vasos sanguíneos e formação de um hematoma. Logo, podemos ter um hematoma pulmonar, cardíaco ou hepático, da mesma forma que um hematoma na pele do braço ou das coxas.

Por fim, não poderia deixar de enfatizar que a presença de hematomas pelo corpo de uma pessoa pode denunciar a ocorrência de algum tipo de agressão, de violência doméstica, de misoginia.

Especialmente mulheres e crianças, quando se apresentam publicamente com hematomas em face e no corpo, esses são possíveis sinais de alerta quanto a ocorrência de agressões físicas. Este seria o lado tenebroso dos hematomas, o lado não biológico em si.

Os acidentes podem ser imponderáveis, mas a violência não é imponderável. Os hematomas podem ser testemunhas e sequelas do imponderável e também do que é real, ainda que esteja mascarado.

Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago. 

 

 

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