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Traficantes presos pela PF viviam em condomínios de luxo em Rio Preto

Rede do tráfico foi descoberta após apreensão de R$ 12 milhões em espécie e mais de 200 kg de cocaína

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Polícia Federal
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O delegado da Polícia Federal de Rio Preto, Dr. Alexandre Gonçalves, afirmou que os traficantes presos na Operação Hetera, deflagrada nesta terça-feira (2/9), usavam identidades falsas e viviam em condomínios de luxo na cidade, apresentando-se como empresários de sucesso.

A ação, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo cumpriu cincos mandados de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão nas cidades de São José do Rio Preto, Curitiba, Itajaí, Itapema, Tijucas, Ponta Porã e Brasília. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara da Justiça Estadual de Rio Preto.

Segundo o delegado, a organização começou a ser investigada em 2022, após uma apreensão de 217 kg de cocaína e quase 12 milhões de reais em espécie — incluindo dólares — escondidos no fundo de um caminhão, em Presidente Prudente (SP). Antes disso, o grupo atuava em Santa Catarina e no Paraná.
“O grupo migrou para Rio Preto tentando fugir da responsabilidade penal em Santa Catarina. Transferiram toda a base operacional para cá para atuar no tráfico da região, se escondendo em uma cidade grande. Rio Preto tem mais de 500 mil habitantes”, explicou Gonçalves.

O líder é Lindomar Reges Furtado, considerado um dos maiores traficantes de cocaína do Brasil, atualmente preso no sistema penitenciário federal e capturado após tentar fazer procedimentos cirúrgicos para evitar sua identificação.
Ainda segundo o delegado, os criminosos se instalaram na cidade em 2020 e passaram a adquirir bens de luxo e imóveis em nomes de terceiros, utilizando identidades falsas.

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“Eles compravam mansões, terrenos, sítios e outros bens de alto padrão. Os laranjas eram comerciantes locais ou funcionários que não tinham condições financeiras de adquirir esses imóveis”, detalhou.

Entre os patrimônios mais recentes do grupo estava uma boate de alto padrão, que estava em construção e seria lançada como casa de prostituição de luxo. A Polícia Federal conseguiu impedir a realização do empreendimento, que seria mais uma fonte de lucro para a organização.

O promotor do Gaeco, Dr. Tiago Fonseca, explicou que a rede criminosa era extensa e bem estruturada.

“Eles contavam até com um piloto de avião, que buscava propriedades rurais na região para pousos e decolagens durante o transporte de drogas. Os integrantes moravam em imóveis de alto padrão, possuíam caminhões e outros bens adquiridos com a lavagem de dinheiro, mantendo uma aparência bem-sucedida com a família para justificar a quantidade de bens.”

Cartilha

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“Uma das características dessa organização, que se alia a rivais do PCC, é a existência de uma verdadeira ‘cartilha’. A gente deduz dezenas de pessoas envolvidas em camadas, cada uma com funções específicas: da organização e distribuição das drogas à lavagem de dinheiro e outras atividades.”, finaliza Fonseca.

A investigação foi batizada de Hetera em virtude da pretensão da organização criminosa em lavar valores com a construção de casa de prostituição de luxo. Quarenta policiais federais participaram do cumprimento dos mandados.

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