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Negacionismo das vacinas e a política do caos

Artigo escrito por Beth Sahão, socióloga e ex-deputada estadual

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A sabedoria dos antigos já recomendava algo que a ciência veio a confirmar: é melhor prevenir do que remediar. Por mais que a história humana seja complexa, heterogênea e marcada por avanços e reveses, é impossível negar uma verdade: as vacinas representam uma das maiores conquistas para nossa espécie.

Desde que o britânico Edward Jenner, no fim do século XVIII, teve a ideia de inocular em um menino um pouco de pus coletado do braço de uma ordenhadora de vacas, tornando o garoto imune à varíola – a história é comprida, mas vamos resumir: o cientista percebeu que as mulheres que lidavam com o gado não contraíam varíola humana, porque já haviam pego a forma bovina da doença, bem mais branda; assim, ele desvendou o mecanismo das vacinas -, milhões de pessoas foram salvas por sua descoberta.

A varíola, doença que matou tanta gente na Europa e na Ásia e ajudou a dizimar civilizações inteiradas nas Américas, tornou-se peça de museu. No Brasil, poliomielite é outro exemplo de enfermidade erradicada graças a um sistema de saúde universal, que garante o acesso gratuito e regular à imunização para todos os cidadãos.

É espantoso que diante de tantas provas irrefutáveis, hoje, em meio a uma pandemia que já matou 630 mil brasileiros e milhões de pessoas ao redor do mundo, lideranças políticas se ponham a questionar a eficácia e a segurança das vacinas. Desde o ano passado, países desenvolvidos estão imunizando crianças contra a Covid-19, com substâncias que foram testadas e aprovadas por instituições sérias e renomadas, seguindo padrões rígidos.

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Enquanto isso, no Brasil já estamos na primeira semana do ano letivo na rede pública de ensino, mas apenas agora as crianças de 5 a 11 anos começaram a receber a primeira dose da vacinação. É preciso que falemos com todas as letras: a vacinação de crianças, assim como a de adultos, foi atrasada em nosso país por pura politicagem de figuras lamentáveis que dependem do caos para subsistirem.

Não é que Jair Bolsonaro e seus asseclas não acreditem na vacina. Do contrário, seus três pimpolhos com mandato não teriam corrido se vacinar. O próprio presidente faz jogo de cena, vendendo para sua base radicalizada (e cada vez mais diminuta) a lenda de que não foi vacinado, ao mesmo tempo em que decreta sigilo de 100 anos sobre o cartão de vacinação.

Bolsonaro e sua trupe não querem o povo vacinado porque necessitam do caos para seguirem com alguma viabilidade eleitoral. Querem nosso povo doente, prostrado, sem perspectiva. Assim como as moscas dependem de carne podre para suas larvas, Bolsonaro, Damares Alves, Queiroga, Salles, Milton Ribeiro e tantas outras tristes figuras querem o Brasil em escombros para seguirem reinando.

Por sorte, o povo brasileiro não chegou ao ponto de se deixar iludir por esse discurso manipulador. Com a imensa maioria da população vacinada, o Brasil vai se reerguer e dar um basta a esses verdadeiros vírus da política, que tanto atrasam nosso desenvolvimento.

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Beth Sahão, socióloga e ex-deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores.

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