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Bia transforma a dor em alegria ao dar vida à Mulher-Maravilha de Rio Preto

Empresária, personal trainer e mãe de um menino de três anos, Bia Ramires vem encantando crianças e adultos ao interpretar a heroína que o marido dizia que ela já era

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Arquivo pessoal cedido exclusivamente ao Gazeta de Rio Preto
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Quem vê a Mulher-Maravilha dançando, sorrindo e distribuindo abraços na Carreta da Alegria de Rio Preto dificilmente imagina a história que existe por trás da fantasia. Por baixo da armadura da heroína está Beatriz Ramires, de 39 anos. Empresária, personal trainer, criadora de conteúdo digital e mãe do pequeno Bernardo, de apenas três anos.

Uma mulher que, como ela mesma resume, decidiu “viver intensamente”, mesmo depois de enfrentar algumas das maiores dores que alguém pode experimentar. Antes de se tornar a Mulher-Maravilha que encanta crianças e adultos pelas ruas da cidade e da região, Bia precisou aprender a sobreviver ao luto.

Ela perdeu o segundo filho, Ravi, ainda na maternidade. Anos depois, há apenas oito meses, viu a vida mudar novamente quando o marido, Wellington, morreu aos 36 anos após sofrer um infarto enquanto dormia. Saudável, ele não apresentava sintomas aparentes.

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(Bia Ramires e o marido Wellington, vítima fatal de um infarto aos 36 anos. Foto: arquivo pessoal cedido exclusivamente ao Gazeta de Rio Preto)

Em vez de permitir que a dor a definisse, Bia escolheu outro caminho.

“Depois que perdi meu filho Ravi, minha forma de enxergar a vida mudou completamente. A dor ensina que a vida é muito preciosa para ser vivida pela metade. Hoje eu escolho viver. Escolho sorrir. Escolho dançar. Escolho realizar sonhos. Não porque não exista saudade. Ela existe todos os dias. Mas porque acredito que transformar dor em amor é uma forma de honrar quem passou pela nossa vida.”

Foi justamente depois da morte do marido que surgiu um convite inesperado: integrar a equipe da Carreta da Alegria de Rio Preto.

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Ela poderia interpretar qualquer personagem. Não pensou duas vezes. Escolheu ser a Mulher-Maravilha. A decisão não teve relação apenas com a personagem dos quadrinhos. Era uma homenagem.

“O Wellington me chamava de Mulher-Maravilha muito antes de eu vestir essa fantasia. Era o jeito dele de dizer que eu era forte, guerreira e dava conta de tudo.”

A personal acredita que aquele convite foi um presente de Deus.

“Quando surgiu essa oportunidade, senti como se Deus estivesse me dando a chance de materializar esse apelido que nasceu dentro da nossa história. Hoje, quando visto a roupa da Mulher-Maravilha, não estou apenas interpretando uma personagem. Eu carrego comigo uma lembrança de amor, de força e de tudo o que vivi.”

Encantando Rio Preto e inspirando mulheres

Nas noites em que percorre as ruas da cidade, Bia percebe que a fantasia desperta algo muito maior do que a diversão.

“As crianças realmente acreditam que estão diante da Mulher-Maravilha. Mas o que mais me emociona é quando adultos dizem que estavam vivendo um dia difícil e que aqueles minutos fizeram diferença.”

As redes sociais também passaram a refletir esse carinho. Ela conta que hoje é reconhecida por onde passa.

“As pessoas dizem: ‘A Mulher-Maravilha chegou’. Recebo mensagens todos os dias de mulheres que dizem se sentir inspiradas pela minha história. Mães me enviam áudios dos filhos pedindo para falar com a Maravilha. É lindo viver isso.”

“Maravilha, você estava salvando o mundo?”

Em casa, quem mais se encanta com a personagem é Bernardo. O garotinho já incorporou a fantasia da mãe à própria rotina.

“Hoje ele nem me chama só de mamãe. Muitas vezes me chama de ‘Maravilha’. Um dia cheguei da carreta ainda vestida e ele perguntou: ‘Maravilha, você chegou? Você estava salvando o mundo? Eu quero salvar o mundo com você’.”

A resposta emocionou a mãe.

“Percebi que, no olhar dele, eu realmente sou uma heroína. Espero que ele cresça entendendo que a verdadeira Mulher-Maravilha não é a da fantasia. É a mulher que enfrenta a vida com coragem, trabalha, recomeça quantas vezes forem necessárias e nunca deixa de amar.”

(Bia Ramires e o filhinho Bernardo.  Foto: arquivo pessoal cedido exclusivamente ao Gazeta de Rio Preto)

 Fé em Deus, “mesmo sem entender”

Cristã, Bia afirma que a fé foi essencial para atravessar os momentos mais difíceis da vida. Como na música “Mesmo Sem Entender”, do cantor gospel Thalles Roberto, ela diz acreditar que Deus continua escrevendo sua história, mesmo quando ainda não consegue compreender todos os capítulos.

Por isso, faz questão de transmitir alegria, mesmo nos dias em que também precisa lidar com a própria saudade.

“A vida me ensinou que nem sempre quem está fazendo os outros sorrirem está vivendo dias fáceis. Às vezes, a gente também está sangrando por dentro. Mas acredito que existe uma força muito bonita em continuar oferecendo amor, esperança e alegria, mesmo enquanto Deus ainda está cuidando das nossas próprias feridas.”

 Amor e coragem para recomeçar

Bia também faz questão de deixar uma mensagem para outras mulheres.

Ela acredita que a maturidade não limita sonhos, mas oferece coragem para realizá-los.

“A sociedade tenta convencer a mulher de que, depois dos 40 anos, ela precisa diminuir. Eu penso exatamente o contrário. A maturidade me deu coragem para ser quem eu realmente sou. Se existe um sonho dentro de você, não deixe que o medo decida por você.”

No fim, ela resume a própria trajetória com uma frase que parece explicar por que tanta gente se identifica com a Mulher-Maravilha da Carreta da Alegria de Rio Preto.

“Nem toda Mulher-Maravilha deixou de sangrar. Algumas apenas decidiram não deixar de amar.”

(Bia Ramires, a Mulher-Maravilha de Rio Preto. Foto: arquivo pessoal cedido exclusivamente ao Gazeta de Rio Preto)

*Esta reportagem é de produção exclusiva da Gazeta de Rio Preto. É proibida a reprodução, total ou parcial, sem autorização expressa da autora ou sem a devida citação, nos termos da legislação de direitos autorais.

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